Força de Sainz é notável e essencial para Ferrari. E já ameaça liderança de Leclerc

A competitividade e personalidade forte de Carlos Sainz são necessárias para a Ferrari, que já solta um meio sorriso com os marcos do espanhol em 2021. E são essas mesmas conquistas que o afastam cada vez mais da imagem de um 'segundão' na escuderia para ameaçar com mais firmeza a liderança de Charles Leclerc, seu companheiro de equipe

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Quando Carlos Sainz soube por seu engenheiro que o máximo que conseguiria chegar no GP da Rússia seria o top-5, ele esbravejou: “Só isso?”. Não ficar entre os cinco primeiros seria decepcionante, ainda mais por ter liderado 12 das 53 voltas da corrida e, sobretudo, após sua melhor classificação na temporada no último sábado. No entanto, graças ao bom ritmo e a chuva que deu à caras nas voltas finais, ele parou nos boxes, calçou os pneus intermediários e chegou ao terceiro lugar. Mais um pódio, estendendo o placar para 3×1 na disputa com o companheiro Charles Leclerc. Foi só mais uma prova da enorme adaptação de Carlos à Ferrari, algo que já tinha feito com a McLaren em temporadas anteriores. E essa parece ser a grande arma do piloto de Madri para chamar a atenção dos chefes ferraristas e afastar qualquer chance de se tornar apenas um segundo piloto nas garagens de Maranello.

Em sua estreia na Ferrari nesta temporada, Sainz também revelou ótimo entrosamento com Leclerc. Juntos, levaram a escuderia à briga pela terceira força do campeonato de construtores contra a McLaren e se completam em termos de eficiência em classificação e corrida. Mas fato é que faltava ao espanhol um fim de semana ‘100% sem erros’, como próprio chefe Mattia Binotto queria. “Ele não foi capaz de acertar ainda uma etapa completa, então sempre há um erro aqui ou ali. Espero que ele continue aprendendo com a equipe, continue aprendendo sobre o carro. E logo espero que ele esteja 100% em um fim de semana, vai ser importante para ele”, declarou.

Foi em Sóchi que Sainz enfim conseguiu superar esse déficit. Depois de uma incrível classificação, superou adversidades na corrida para chegar em terceiro lugar, atrás de Lewis Hamilton e Max Verstappen, os dois postulantes ao título desta temporada. Já são três pódios expressivos em 2021 — Mônaco, Hungria e Rússia — e um desempenho sólido, especialmente na comparação com dois outros pilotos que também mudaram para equipes de ponta nesta temporada. Casos de Daniel Ricciardo na McLaren e Sergio Pérez na Red Bull.

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CARLOS SAINZ; FERRARI; GP DA RÚSSIA;
Carlos Sainz chegou até a liderar o GP da Rússia (Foto: Scuderia Ferrari)

É verdade que o australiano conquistou uma vitória e teve um melhor início nesta segunda metade da temporada, só que não dá para esquecer da grande dificuldade que Ricciardo teve para se adaptar ao MCL35M. Já Pérez, por mais que também tenha uma vitória e um pódio, ainda pena para conseguir consistência e aprimorar seus resultados e sequer tem performance próxima a do companheiro Verstappen. O fator comum é que os três iniciaram nesse ano suas trajetórias em novos times e, ainda assim, Sainz, numa equipe que lida com problemas remanescentes de um terrível 2020, consegue apresentar um desempenho constante.

Mas e em relação a Leclerc? Eles se equivalem, mas é preciso dizer que Carlos procura separar as coisas. Por mais que assegure a boa relação com o #55, o monegasco disse que a competitividade de Sainz é algo que nem mesmo Sebastian Vettel, seu ex-companheiro de equipe e tetracampeão, tinha como característica na Ferrari.

CARLOS SAINZ; FERRARI; GP DA RÚSSIA;
Sainz faz sua estreia pela Ferrari neste ano de 2021 (Foto: Scuderia Ferrari)

“O Carlos é um companheiro de equipe muito, muito bom. Ele é muito consistente. São abordagens diferentes, mas ambas eram muito fortes”, disse Leclerc, em entrevista ao podcast Beyond The Grid. “Seb em seus dias bons, quero dizer, o ano passado foi mais difícil, mas em seus dias bons, ele era simplesmente incrível e difícil de vencer, talvez impossível”, completou.

“Com Carlos é um pouco diferente, eu posso ver que ele fica chateado se eu estou à frente dele em qualquer coisa, pode ser a coisa mais estúpida e ele ficaria com muita raiva. O mesmo para mim. Seb tinha mais experiência, então ele era um pouco menos competitivo em tudo. Se eu quisesse ganhar algo, ele basicamente me deixaria ganhar e eu ficaria feliz, e ele não se importaria”, acrescentou.

E se fizermos um comparativo, a constatação de Leclerc é certeira, uma vez que se assemelha muito à parceria entre o espanhol e Lando Norris na McLaren. Os dois se tornaram amigos e protagonizaram cenas descontraídas juntos no extra pista. Só que dentro dela, tudo era diferente. Sainz levava sua personalidade competitiva ao máximo quando se tratava de obedecer ordens de equipe e ceder posição na pista, por exemplo. O mesmo valia para Norris.

Carlos Sainz mostrou uma consistência de resultados importantíssima para a equipe de Maranello (Foto: Ferrari)

“Sempre existe tensão entre companheiros de equipe. Mesmo se alguém disser que não existe, existe. Talvez, algumas vezes, você tenta esconder um pouco. Mesmo entre Carlos e eu. Apesar de na maioria do tempo parecermos felizes e tudo parecer bem, ainda haviam alguns momentos em que nos odiávamos. Você não quer perder para o companheiro de equipe, você não quer ficar mal em comparação com ele e é o último cara para quem você quer perder”, disse Norris, ainda na temporada de 2020, em entrevista ao site Motosport.com.

“Mesmo quando você coloca um sorriso do rosto, por dentro, o negócio é mais profundo e você odeia a outra pessoa porque ela é mais rápida ou está fazendo algo que você tem dificuldade, ou simplesmente não consegue acompanhar o ritmo”, seguiu.

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A mesma situação pode acontecer na Ferrari, mas Leclerc ainda tem preferência. Embora Sainz tenha saltado à frente de Leclerc no Mundial de Pilotos por 8,5 pontos, o monegasco ainda é visto como o líder da Ferrari e conhece o funcionamento de Maranello há muito mais tempo. Mas há quem já veja Sainz como uma ameaça. E não é de todo errado pensar dessa forma, dada a performance e os resultados até aqui.

Por isso, como um todo, o momento é positivo para a Ferrari. Tem já bons indícios do desenvolvimento para 2022 e possui uma dupla de pilotos extremamente equilibrada. Além disso, os pódios conquistados em 2021 são um sinal de que a equipe sabe aproveitar as oportunidades que surgem, e a capacidade de resposta na F1 é uma virtude.

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