Hamilton pede atenção da F1 a direitos humanos: “Vamos a países com problemas”

Lewis Hamilton alertou a Fórmula 1 sobre a necessidade de prestar atenção em países que violam direitos humanos, ressaltou que todos devem ser tratados igualmente, mas evitou pedir boicotes

Quando a Arábia Saudita foi confirmada no calendário da Fórmula 1 2021, muitos fãs da categoria reclamaram e Lewis Hamilton engrossou o coro já que há histórico negativo do país asiático no campo dos direitos humanos. A Anistia Internacional chegou a alertar a prática dos sauditas de usar o esporte para limpar a imagem com investidores internacionais, mas nada disso adiantou.

Em 2020, Lewis Hamilton se tornou uma importante voz na luta contra o racismo no mundo esportivo. O piloto da Mercedes tem comparecido às corridas com camisetas do movimento Black Lives Matter — em português, Vidas Pretas Importam. Além disso, fez com a Fórmula 1 permitisse manifestações antes das corridas e no GP da Toscana, em Mugello, subiu ao pódio com uma blusa que dizia “Prendam os policiais que mataram Breonna Taylor” — jovem preta assassinada dentro de casa nos Estados Unidos.

Único piloto preto do grid, Lewis chegou a usar também camisetas e frases que pediam o fim da violência policial na Nigéria, mostrando que sua luta não estava apenas focada nos casos que ficaram famosos nos EUA. Agora, a questão envolve a Arábia Saudita e os direitos humanos, algo que Hamilton observou também em outras localidades.

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Hamilton se ajoelhou em protesto antes da largada na Hungria. Inglês reclamou da indiferença da categoria (Foto: AFP)

“Quando vimos o movimento Black Lives Matter, ele me deu uma direção, um foco que eu precisava usar e me dei conta de que poderia usar essa plataforma que eu tenho, o que é incrível”, afirmou à emissora Sky Sports.

“Existem várias organizações no mundo que fecham os olhos para várias coisas que acontecem e usam a desculpa de que é político. Direitos humanos não são questões políticas. Todos deveriam ser iguais e vamos a países onde isso é um problema”, completou.

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Hamilton conquistou o sétimo título mundial em 2020 (Foto: Beto Issa)

A Arábia Saudita não é o único país com problemas envolvendo direitos humanos e que recebem a Fórmula 1, como Turquia, China, Rússia e Bahrein. Hamilton, no entanto, não vê o boicote como uma forma de dar visibilidade aos casos.

“Não devemos boicotar essas áreas. Temos que encontrar uma maneira de nos engajar mais, ver como realmente podemos usar essa plataforma [a F1] para forçar mudanças”, finalizou.

Neste sábado (21), Hamilton novamente se manifestou a respeito da violência contra pessoas pretas. Em sua rede social, afirmou estar devastado com a morte de João Alberto Silveira Freitas, espancado e morto por dois seguranças brancos em um supermercado de Porto Alegre.

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