Hamilton revela conversa particular com pilotos que não ajoelharam e sonha com união

Lewis Hamilton garantiu que vai seguir se ajoelhando em protesto contra o racismo antes das corridas da Fórmula 1. O inglês revelou, também, que falou em particular com os seis pilotos que não aderiram à manifestação na Áustria e espera, no futuro, todos juntos no movimento

As manifestações antirracistas já são uma marca da Fórmula 1 na temporada 2020. E, de acordo com Lewis Hamilton, elas vão seguir acontecendo. Nesta quinta-feira (16), o hexacampeão prometeu seguir se ajoelhando antes das corridas e contou que teve uma conversa com os pilotos que não seguiram o movimento nos GPs da Áustria e da Estíria. Para Lewis, o caminho é a união do grid, e ele acha que isso pode acontecer em breve.

Os movimentos ganharam força ainda antes do início do campeonato, quando Hamilton movimentou as redes sociais criticando a violência policial no caso da morte de George Floyd e cobrou uma postura mais firme de seus colegas, se dizendo sozinho por ser o único piloto preto da categoria.

Após alguns pilotos aderirem às manifestações por redes sociais, Lewis foi às ruas e participou de passeatas, cobrando também posicionamentos mais ativos. Foi aí que, antes do GP da Áustria, 14 pilotos se ajoelharam, em gesto antirracista conhecido mundialmente, popularizado por Colin Kaepernick, na NFL.

Pilotos repetiram o protesto contra o racismo antes do GP da Estíria (Foto: AFP)

No entanto, Charles Leclerc, Max Verstappen, Carlos Sainz Jr, Daniil Kvyat, Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi optaram por ficar de pé, não participando do protesto, apenas usando a camiseta pedindo o fim do racismo. Hamilton revelou que conversou com eles, buscou entender os posicionamentos e, assim, tentou encaminhar uma adesão maior à causa nas próximas etapas, não apenas no gesto de se ajoelhar.

“A gente não tinha planejado ajoelhar de novo, mas, no briefing dos pilotos, nos encontramos pelo Zoom. E aí debatemos isso e eu avisei que iria continuar fazendo. Alguns disseram que já tinham feito, não fariam mais, outros resolveram ter a mesma postura da primeira corrida. Por isso eu tentei passar mais tempo conversando em particular com aqueles que ficaram de pé, só para bater um papo. Do ponto de vista dos pilotos, acho que vamos ficar mais próximos nesses tempos. Não estou dizendo que vai todo mundo ajoelhar, mas é ter mais conversas sobre esses temas. Gosto de pensar que, em algum momento, todos vamos estar juntos, entendendo, ajoelhando”, disse.

Na Estíria, novamente os pilotos se ajoelharam, mas Hamilton admitiu que não se organizaram bem e, por isso, o protesto teve ainda menos adesão. Kevin Magnussen, por exemplo, perdeu a hora por ter esquecido a máscara e a camiseta, precisando correr de volta aos boxes da Haas. Lewis, agora, quer que as coisas sejam mais bem planejadas, a começar pela Hungria.

“Foi tudo feito às pressas para o GP da Estíria. Nós iríamos chegar 15 minutos antes, eu cheguei faltando 10 e o pessoal veio ainda depois. Alguns tentaram ajoelhar, mas estava tarde. Vamos em frente, talvez a gente melhore isso na próxima vez, se formos fazer o mesmo. Mas não sou eu que escolho isso”, completou.

Na Estíria, ainda, após vencer, Hamilton aproveitou para protestar novamente, erguendo o punho cerrado. O gesto no pódio em muito lembrou o da equipe americana de atletismo nos Jogos Olímpicos de 1968. Na ocasião, Tommie Smith e John Carlos, fizeram o gesto após ganhar respectivamente medalhas de ouro e de bronze nos 200 metros rasos. A ação foi em um momento crucial da luta por direitos civis para a comunidade negra nos Estados Unidos.

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