Hungria dá respiro para Haas e mostra: Magnussen está bem acima de Grosjean

A ousadia da Haas e uma atuação exuberante de Kevin Magnussen na Hungria serviram para a equipe sair do zero no Mundial de Construtores, mas as perspectivas são as piores possíveis. E passam também por um Romain Grosjean longe do auge

A Haas foi um dos principais destaques do GP da Hungria de Fórmula 1. Só que isso veio basicamente de uma tática arrojada ao colocar pneus de pista seca ainda na volta de apresentação, já que o ritmo do carro continuou perto de ser sofrível. No fim, mesmo com uma punição de 10s por comunicação com Kevin Magnussen e Romain Grosjean antes da largada, o primeiro pontinho do time em 2020 e uma confirmação: Magnussen está longe de ser um péssimo piloto.

A exibição do dinamarquês em Hungaroring foi uma das melhores da temporada da F1 até aqui. Magnussen cuidou bem dos pneus, manteve um ritmo digno da forma que deu e pontuou. Chegou na frente, por exemplo, de Charles Leclerc e Esteban Ocon, algo grande para o que é a Haas de 2020.

Sim, já falamos de como o pulo do gato da equipe foi fundamental para posicionar Magnussen nos pontos, mas a diferença de rendimento do dinamarquês para o de Grosjean foi gritante, especialmente quando os pneus dos dois acabaram. Dá para se dizer, assim, que o ponto de Kevin foi conquistado no braço.

Kevin Magnussen segurou Charles Leclerc na Hungria (Foto: Haas)

“Estou tão feliz. A equipe fez uma grande chamada antes da corrida, ainda na volta de apresentação, ao colocar os pneus de pista seca. Foi bem legal terem confiado assim em mim, não era simples colocar os pneus de seco naquela hora. Foi bem arriscado, mas funcionou. O ritmo estava lá e eu fui parar em terceiro rapidamente. Sabia que não íamos ficar lá, mas foi incrível ao menos ter passado um tempo ali. Tentei segurar ao máximo que deu, segui trabalhando com a equipe de forma realista. Seguramos Ferrari e McLaren, mostrou que nosso carro para a corrida era bom. A equipe fez um grande trabalho mesmo sofrendo na classificação”, disse Magnussen após o GP da Hungria.

A grande questão é que a Haas tem uma das duplas mais contestadas do grid da F1, e isso é bastante justo. Só que, com um carro extremamente lento e que sofre com problemas crônicos de freio, será que alguém conseguiria fazer muito mais? Sendo assim, não parece absurdo imaginar que Magnussen arrume uma renovação, bem como não é mais justo comparar o Kevin com seu companheiro.

Bem mais do que a performance em si, o maior problema de Magnussen é o excesso de arrojo, a quantidade de vezes que se envolve em confusões, de vez em quando até com Grosjean. Ainda, é um cara de comportamento explosivo, que até chegou a quebrar a porta do escritório do chefe Günther Steiner em 2019, em episódio marcante da série ‘Drive to Survive’.

Mesmo assim, Magnussen e Grosjean não podem ser comparados. Não mais. É verdade que a carreira de Romain é bem mais vistosa, que o francês, um dia, já foi um piloto muito mais completo que o dinamarquês, mas para por aí. A fase péssima de Grosjean vem desde 2018 e não há o menor indicador de que ela vai acabar algum dia.

A queda técnica é gritante, mas Romain parece também abalado e sem forças para reagir. O tempo também passou e o francês não é mais nenhum garoto, já tem 34 anos. A última renovação, inclusive, já soava muito mais como gratidão pelo que fez nos primórdios da Haas do que qualquer coisa.

Romain Grosjean está na Haas desde o início da equipe, em 2016 (Foto: LAT Images)

O futuro da Haas é nebuloso e todo mundo ali tem alguma parcela de culpa pelo único pontinho na classificação. Sequer dá para cravar que o time vai seguir no grid por muitos anos e tampouco dá para esperar alguma coisa de relevante em 2020. A briga é com Alfa Romeo e com a Williams, tentando ser a menos pior das três e, ao que parece, só Magnussen parece minimamente capaz de ajudar.

O tempo de Grosjean, infelizmente, já passou e a Haas precisa pensar em um novo nome caso queira ter futuro na F1. Sobre Magnussen, vale uma avaliação até o fim do ano, colocando na balança os pontos que o dinamarquês conquistar e todo o resto de complicações que causar dentro e fora da pista.

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