Presidente da FIA vê F1 “muito permissiva” com críticas: “Ninguém é perseguido”

Jean Todt, que se despede do cargo de presidente da FIA em 2021, citou caso de mandatário do Lyon, da França, para argumentar que Fórmula 1 pode ser mais rigorosa com as críticas que recebe

VERSTAPPEN CAMPEÃO SOBRE HAMILTON: TUDO SOBRE A F1 2021 | Paddock GP #272

A decisão do título mundial da Fórmula 1 em 2021 acabou de maneira polêmica, com Max Verstappen garantindo a vitória na última volta do GP de Abu Dhabi. E ao longo de todo o ano, foi possível perceber diversas críticas à direção de prova comandada por Michael Masi, principalmente pelos chefes das equipes que brigaram até o final pelo título, Toto Wolff e Christian Horner. Jean Todt, presidente da FIA — que deixa o cargo após 12 anos —, acredita que a categoria poderia ter controlado melhor o que foi dito, e deu um exemplo no futebol.

“Eu estava lendo hoje em uma revista de esportes francesa, L’Equipe, sobre o presidente do Lyon [da França], que é um dos times mais importantes”, disse. “Ele foi proibido de ir a dez jogos porque falou mal do árbitro. Então, acho que talvez tenhamos sido muito permissivos, sabe”, opinou Todt.

Entre as reclamações ouvidas recentemente sobre o controle de prova da FIA, Wolff ressaltou que as decisões “não foram consistentes ao longo de todo o ano”. Horner, por sua vez, chegou a afirmar que a Fórmula 1 “sentia falta” de Charlie Whiting, ex-diretor de prova que ocupou o cargo antes de Michael Masi e faleceu em 2019.

Red Bull fez muita festa para comemorar título de Max Verstappen (Foto Red Bull Content Pool)

Todt entende que a Fórmula 1 sempre operou de forma a dar independência às equipes, à FIA e aos detentores dos direitos comerciais, mas acredita que existe uma linha a ser traçada para definir quais comportamentos são inaceitáveis.

“Acho que é importante ter um diálogo entre o corpo diretivo, as equipes, os pilotos, os detentores dos direitos. Mas não deveria ir contra nós”, ressaltou. “Eu estava assistindo à corrida [em Abu Dhabi] e você via Max [Verstappen], após a primeira curva, quando Lewis [Hamilton] o empurrou para o lado direito. Ele disse ‘eu sou perseguido’. E não é, sabe, ninguém é, mas é uma questão de percepção”, opinou.

Como resultado da polêmica causada no GP de Abu Dhabi e a relargada após o safety-car, Todt propôs à FIA que crie uma comissão para analisar os eventos da última etapa de 2021, e observar quais melhorias podem ser feitas nas regras para evitar situações como a do último domingo (12).

Jean Todt deixa o cargo de presidente da FIA em 2021, após 12 anos ocupando o posto (Foto: FIA)

“No calor do momento, você tem seus próprios sentimentos”, pontuou. “Mas por outro lado, você tem o diretor de prova, os commissários, e muita organização. Nós somos perfeitos? Não somos perfeitos”, encerrou.

Após ocupar o cargo mais alto na Federação Internacional de Automobilismo (FIA) desde 2009, quando venceu Ari Vatanen na votação pelo posto, Todt ainda foi reeleito mais duas vezes, limite do regulamento. Assim, terá que buscar um novo posto em 2022 se quiser continuar na Fórmula 1, e a Ferrari já surge como uma possibilidade: Jean foi chefe de equipe, CEO e conselheiro da escuderia de Maranello entre 1994 e 2009.

“Isso está sendo manipulado”, reagiu Hamilton na volta final do GP de Abu Dhabi (Vídeo: Reprodução)
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