‘Leão de treino’, Russell falha em momentos decisivos e fica distante de equipe de ponta

George Russell é veloz. Os treinos mostram isso, mas falta repetir o desempenho nas corridas. Ainda sem pontos na Fórmula 1, o britânico corre o risco de ficar preso na Williams e não subir para a Mercedes sem capitalizar bons resultados quando as chances aparecem

O talento de George Russell é inegável. Campeão da GP3 — atual Fórmula 3 — em 2017, o britânico subiu para a Fórmula 2 no ano seguinte e imediatamente conquistou o título — com 7 vitórias 5 poles. O caminho para a Fórmula 1 estava consolidado e foi lá que o piloto chegou em 2019.

Mesmo integrante do programa de jovens pilotos da poderosa Mercedes desde 2017, Russell encontrou vaga somente na Williams. Em fase decadente e ocupando as últimas posições do grid há alguns anos, o time de Grove parecia adequado para um iniciante ganhar experiência na categoria.

Só que andar no fim do pelotão parece ser a sina de jovem de 22 anos nestes primeiros anos. A chance de ir para a Mercedes já foi descartada, não apenas com a renovação de Valtteri Bottas, mas também com a confirmação de que Russell vai fazer dupla com Nicholas Latifi por mais um ano.

E mesmo em uma equipe ruim, o britânico não decepcionou ao longo de 2019 e nas primeiras etapas de 2020. Veloz nos treinos, já garantiu vagas no Q2 em algumas oportunidades, principalmente na atual temporada. O placar de 30 a 0 contra os companheiros Robert Kubica (2019) e Nicholas Latifi (2020) mostram como esta qualidade é latente. Se Russell faz ótimo trabalho em uma volta rápida, ainda fica devendo ao entregar resultados em corridas. Em 30 aparições na Fórmula 1, o piloto continua zerado.

Nos treinos, George Russell não decepciona: 30 a 0 contra os companheiros de equipe (Foto: Williams)

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Enquanto isso, Kubica conseguiu um mísero ponto no GP da Alemanha de 2019 — após Kimi Räikkönen e Antonio Giovinazzi, ambos da Alfa Romeo, serem punidos em 30 segundos. Naquele caótico GP, Russell estava na frente do companheiro de equipe até poucas voltas do fim, quando foi superado.

O talento de Kubica é inegável, mas o polonês estava nove anos afastado da Fórmula 1 e pilotando com dificuldades após um grave acidente durante uma etapa de rali, em 2011, limitar os movimentos da mão direita.

Em 2020, Russell encara um adversário com menos técnica e habilidade. Latifi, filho de um bilionário canadense que injetou dinheiro na Williams para ver o filho ganhar um assento, não chega à qualidade do companheiro de time. Mas na tabela de pontos a situação é outra.

Mesmo a Williams tendo apresentado um carro melhor que em 2019, os dois estão sempre no fim do pelotão e continuam zerados em 2020. Só que Latifi está na frente por melhores resultados — foi 11º na Áustria e na Itália — e abandonou apenas o GP da Toscana, atingido na caótica relargada. Russell foi 11º apenas em Mugello, está atrás na tabela, mas superou o companheiro em cinco oportunidades — o britânico abandonou na Áustria e na Bélgica.

George Russell e Nicholas Latifi, a dupla de pilotos da Williams em 2020 (Foto: Williams)

George é bom piloto, sim, é importante ressaltar. O trabalho feito nas classificações dá suporte para essa afirmação. Mas ainda falta chegar na zona de pontuação para acabar com a sensação de que é “leão de treino” e não consegue manter o bom ritmo nas corridas. Em 30 GPs, abandonou apenas três vezes, mostrando que consegue ser suave e preciso.

Mas é preciso capitalizar as oportunidades. Não adianta muito entrar no Q2 e despencar após a largada ou mesmo ficar na beirada dos pontos. Em Mugello, Kimi Räikkönen foi punido, Sebastian Vettel sofreu com o equipamento e, ainda assim, Russell não chegou no top-10, mesmo com apenas 12 pilotos encerrando a prova. Lamentou perda de controle do carro e erros individuais para justificar a sensação de quase outra vez.

Se quer sonhar com voos mais altos e brigar por uma vaga na Mercedes nos próximos anos, Russell precisa fazer seu nome no fim do grid. Não faz sentido a principal equipe da Fórmula 1 apostar em um jovem piloto que não entrega nada quando tem a possibilidade. Para não virar apenas um “superestimado” e sem vaga para algum piloto pagante, é hora de mostrar o talento que tanto vimos nas categorias menores. É hora de Russell sair do zero.

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