Verstappen incorpora brinquedo assassino e promete aterrorizar rivais em Abu Dhabi

Lando Norris e Oscar Piastri não podem reclamar das inúmeras oportunidades que tiveram de exorcizar de vez o fantasma de Max Verstappen na briga pelo título da temporada 2025 da Fórmula 1. Agora, o tetracampeão desembarca em Abu Dhabi livre, leve, solto e sem nada a perder

Embora tenha adotado um tom de brincadeira — e até provocativo — ao comentar as declarações de Zak Brown, CEO da McLaren, e dizer que pode ser chamado de Chucky, o apelido ‘brinquedo assassino’ realmente cai como uma luva para Max Verstappen. Isso porque, assim como o personagem icônico dos filmes de terror, o tetracampeão mundial se recusa de todas as formas a deixar de assombrar aqueles que cruzam o seu caminho — neste caso em específico, Lando Norris e Oscar Piastri, rivais na briga pelo título da temporada 2025 da Fórmula 1.

E assim foi no GP do Catar do último domingo (30). Ao desembarcar no circuito de Lusail, uma pista que se encaixa muito mais às características do MCL39 do time papaia, o neerlandês tinha poucas esperanças de estender a briga pelo troféu por mais uma etapa, até porque a Red Bull novamente demorou a encontrar o acerto ideal do carro em um fim de semana de formato sprint. Na verdade, o bom ritmo de corrida do RB21 só veio à custa de um pouco de downforce, para que o dono do #1 pudesse se sentir mais à vontade ao volante, sem tantos quiques ao passar pelas zebras ou saídas de frente ao atacar as curvas — os principais problemas enfrentados em solo catari na sexta-feira e no sábado.

Mas se engana quem pensa que Verstappen precisa do bólido perfeito para se infiltrar na mente dos adversários. Como as figuras aterrorizantes das obras cinematográficas, a simples presença do titular taurino já parece ser o suficiente para fazer as vítimas tropeçarem nas próprias pernas e cometerem erros grotescos. E foi isso que aconteceu com a McLaren no Catar, quando os laranjinhas acharam por bem agir de maneira diferente de todos os outros e não tirar proveito de um safety-car exatamente na volta 7 — o momento perfeito, considerando a obrigatoriedade de dois pit-stops — para chamar os pilotos aos boxes, jogando no lixo uma das vitórias mais fáceis do ano.

Norris não mentiu ao declarar que a escuderia de Woking “sempre tratou Max como uma ameaça”. De fato, o quatro vezes campeão mundial em nenhum momento deve ser descartado, mas ainda assim é inconcebível o fato de que tanto o britânico quanto Piastri, que contaram com o equipamento mais forte do grid desde a abertura do certame, na Austrália, em março, desembarquem em Abu Dhabi neste fim de semana com o mesmíssimo número de vitórias que o neerlandês, que só viu a esquadra dos energéticos engrenar mesmo a partir de julho, quando Laurent Mekies substituiu Christian Horner e trouxe uma leveza ao ambiente caótico que existia por lá.

Max Verstappen venceu no Catar e colocou pressão na McLaren (Foto: AFP)

Em outras palavras, Verstappen simplesmente sobreviveu ao longo de 14 das 24 etapas da temporada 2025. Tanto é verdade que cinco das sete vitórias conquistadas por ele — Japão, Emília-Romanha, Itália, Azerbaijão, Austin, Las Vegas e Catar — vieram nas últimas nove corridas, o que o fez sair de uma desvantagem de 104 pontos em relação ao líder do campeonato após o GP dos Países Baixos, que naquele momento era Piastri, para somente 12 tentos. E o vacilo da McLaren em Lusail era o combustível que o piloto de 28 anos precisava para ir com tudo na busca pelo quinto troféu da carreira.

Claro, a situação ainda é bastante complicada. Como Lando tem a seu favor o critério de desempate que, neste caso, é o número de segundos lugares, já que os três candidatos ao título subiram no degrau mais alto do pódio o mesmo número de vezes, a vitória só não basta para o representante da Red Bull. Se isso acontecer, o inglês tem de terminar do quarto lugar para baixo. Se ficar em segundo, Oscar não poderá vencer, enquanto Norris terá de ser, no máximo, oitavo. As chances existem até a terceira posição, caso o australiano não vença e o #4 não vá além do nono posto.

Mas se a matemática joga contra Verstappen, a força mental é uma das grandes aliadas. Como Sebastian Vettel explicou muito bem há alguns dias, o neerlandês “sente a pressão, como todos nós, mas consegue encontrar um espaço na mente para deixá-la de lado e se concentrar no que importa”. Não existe uma definição melhor do que essa. Pode até parecer difícil de acreditar em alguns momentos, mas Max é humano, e como tal, também comete erros, embora em número bem menor do que os rivais, que possuem uma imensa parcela de responsabilidade no fato de o #1 ainda estar vivo nessa briga.

Norris conseguiu tirar um enorme peso de sobre os ombros depois da quebra em Zandvoort e emplacou uma sequência extremamente positiva de resultados nos últimos meses, mas vai encarar um desafio novo na carreira no circuito de Yas Marina — e é difícil ter certeza de que realmente esteja pronto. Piastri, por outro lado, vinha em profunda decadência e viu no GP do Catar a grande chance de espantar de vez a energia negativa e ganhar sobrevida na batalha pelo troféu, porém, tomou uma passada de perna de quem, na verdade, deveria ajudá-lo.

Max Verstappen (Foto: Red Bull Content Pool)

A grande questão é que a própria McLaren está bastante insegura com o que pode vir a acontecer. Por mais que tenha todos os méritos pelo sucesso alcançado nos últimos dois anos, contando com o excelente trabalho de Rob MarshallNeil HouldeyMark TemplePeter Prodromeu e tantos outros na área técnica, o time ainda peca absurdamente na hora de lidar com a pressão. E a falta de confiança reflete nos pilotos, que mesmo que sejam rápidos e talentosos, viveram uma verdadeira montanha-russa de emoções em uma temporada em que deveriam ter despachado qualquer intruso nessa briga há meses.

Enquanto isso, na garagem ao lado, a Red Bull exala confiança. Vale lembrar que o time estava desiludido e dividido há pouco tempo, em um passado não tão distante, rodeado pelos rumores que indicavam a saída da grande estrela rumo à Mercedes mais cedo ou mais tarde. No entanto, os homens podem até destruir a estrutura, mas jamais a filosofia. Os taurinos se livraram daquilo que estava lhes fazendo mal, juntaram os cacos e provaram que o espírito vencedor continua bastante vivo em Milton Keynes.

E Verstappen é o símbolo dessa reviravolta. Ele pode até conter a euforia para o GP de Abu Dhabi, uma pista em que as equipes realmente precisam encontrar o melhor nível de downforce para equilibrar o desempenho entre as duas longas retas e as curvas de média e alta velocidade, mas sabe que tudo pode acontecer. Além disso, não tem nada a perder. Em uma temporada em que o neerlandês definitivamente não esperava chegar à última etapa com qualquer suspiro de esperança, agora o que vier é lucro.

Desta forma, Max se vê livre, leve, solto e com a autoconfiança em dia. A McLaren desperdiçou, de fato, inúmeras oportunidades de exorcizar de vez o fantasma do tetracampeão, que agora promete assombrar os papaias mais do que nunca em Yas Marina.

Fórmula 1 retorna neste fim de semana, de 5 a 7 de dezembro, com o GP de Abu Dhabi, 24ª etapa da temporada 2025. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

Além da cobertura tradicional, o GRANDE PRÊMIO estará IN LOCO em Yas Marina para acompanhar todas as emoções da etapa com o repórter Leonid Kliuev.

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SessãoBRA*CBVPOR
ANG
MOZ
Treino livre 106:3008:3010:3011:30
Treino livre 210:0012:0014:0015:00
Treino livre 307:3009:3011:3012:30
Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:3015:00

*Horário de Brasília

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