Verstappen-Hamilton em SP: seja qual for decisão, FIA erra e interfere na briga pelo título

O simples fato de ainda estar julgando um lance que aconteceu 4 dias atrás entre Max Verstappen e Lewis Hamilton mostra o tamanho do buraco que a FIA se meteu. No atual cenário, não há mais decisão correta a se tomar, seja ela qual for

Todos os ângulos da polêmica disputa entre Max Verstappen e Lewis Hamilton no Brasil (Vídeo: Fórmula 1)

Simplesmente não há mais decisão correta a ser tomada pela FIA (Federação Internacional de Automobilismo) em relação ao incidente envolvendo Max Verstappen e Lewis Hamilton, na fatídica curva 4, da volta 48, do GP de São Paulo, disputado no último fim de semana. Nesta quinta-feira (18), a entidade máxima do esporte resolveu adiar por mais um dia a decisão da revisão da própria investigação, que absolveu o holandês no domingo por ter espalhado o carro para cima do rival, o que fez com que ambos saíssem bem do traçado. E o fato de atrasar (uma vez mais) um veredito deixa a entender que há um elemento de insegurança, uma confusão que pode gerar consequência sérias no futuro.

A verdade é que a FIA pode adiar pelo tempo que quiser, o bonde da punição já passou. Não tem mais saída para a entidade não deixar o caso bastante chamuscada. Aconteça o que acontecer, decida o que decidir, os comissários vão interferir na briga pelo título e/ou abrir um precedente perigoso. E os pilotos já repararam isso – todos os pilotos.

O que se viu na quinta-feira, véspera do início das atividades no Catar, foi um descontentamento geral dos competidores que falaram no assunto. Muito mais do que Verstappen e até Hamilton, nomes como Charles Leclerc, Carlos Sainz e Pierre Gasly pediram ação e colocaram em xeque a equipe da FIA no que diz respeito à falta de consistência nas decisões.

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MAX VERSTAPPEN; LEWIS HAMILTON; GP DE SÃO PAULO
Max Verstappen jogou Lewis Hamilton para fora da pista na Descida do Lago (Foto: Reprodução)

“Você sempre precisa se adaptar a cada situação, a cada decisão dos comissários. Assim que eu soube que o Max não foi punido na Áustria [em 2019], eu fui para Silverstone e mudei minha postura. Acho que isso é o mesmo para cada piloto, vão todos andar no limite do que é permitido. E é isso que vou fazer se essas coisas forem liberadas”, disse Leclerc, lembrando da disputa que teve com o holandês na parte final da etapa austríaca, quando liderava a prova.

“A Áustria foi uma situação diferente e nós pudemos correr um pouco mais duro, o que achei bom para a Fórmula 1, para o espetáculo, assim como essa situação atual. Vou deixar para os comissários e ver o que eles pensam. Mas o que for permitido, quero saber como piloto, é a única coisa que me interessa. Se isso for permitido, então ultrapassar por fora será muito difícil. Mas, sim, independente da situação, vou adaptar minha pilotagem”, seguiu.

Para entender como essa situação foi ficando insustentável, é preciso voltar ao domingo. Mais do que não ter punido Verstappen, a FIA se complica quando seu diretor de provas, Michael Masi, admite que não conseguiu as imagens da on-board do holandês no momento da disputa. Sim, justamente a câmera mais conclusiva. Sim, justamente do líder do campeonato. Sim, exatamente na hora em que a corrida poderia ter sido decidida.

Com a brecha ali posta, a Mercedes apelou da decisão assim que a on-board foi divulgada e pediu uma revisão da não-punição de Verstappen, que seria julgada na quinta-feira. No Catar, novas reuniões com Red Bull e Mercedes, novas investigações e mais um atraso: decisão apenas na sexta-feira, ou seja, no dia de início das atividades de pista. Os comissários em Losail se reuniram com os colegas que trabalharam no GP em Interlagos, além dos membros principais de cada uma das equipes envolvidas. Foram necessárias duas reuniões.

Agora já não há mais certo ou errado na história e, talvez, nem o que seja menos pior para a imagem da FIA. Caso absolva Verstappen mais uma vez, vai comprar uma briga não apenas com Hamilton e com a Mercedes, mas com boa parte do grid, que não entende como os comissários podem ter deixado passar um lance tão parecido com outros que foram punidos nos últimos tempos. Daí compreende-se bem a posição de Leclerc e dos demais. Se tudo pode, é bom que isso esteja claro para todo mundo. É justo.

E ok, realmente absolver não parece o melhor, mas aí pune como, então? Quatro dias depois da corrida, seria totalmente absurdo interferir no campeonato assim, já que qualquer acréscimo no tempo final de prova de Max no Brasil faria o holandês perder ao menos a segunda posição para Valtteri Bottas, sem que sequer o #33 tenha tido possibilidade de descontar no braço os segundos a mais.

Lewis Hamilton não quis entrar em detalhes sobre o incidente, mas diz ter opinião formada sobre a disputa (Foto: AFP)

Punição no grid do Catar? Possivelmente seria a saída mais lógica em caso de sanção desportiva aplicada ao piloto da Red Bull, mas, de toda forma, também não deixa de ser um tipo de interferência no campeonato, já que Verstappen perderia posições da classificação e, ainda por cima, em uma pista que ninguém conhece.

Outro cenário, ainda da não-punição. É outra interferência, pois Hamilton acabou fora do traçado pela ação do adversário. Como fica? As queixas do chefão da Mercedes falam por si. “Sempre fui muito diplomático na forma em que falo as coisas. Mas a diplomacia acabou hoje”, disparou Toto Wolff após o GP em São Paulo.

Isso tudo mostra a sinuca de bico em que está uma FIA que só vai enrolando para tomar uma decisão que, de forma alguma, vai agradar todo mundo. Aliás, que dificilmente vai agradar a maioria. Não há mais certo ou errado, resta à entidade entender como reduzir os danos em sua decisão final.

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