Schumacher começa jornada na F1 com expectativa única: derrotar Mazepin na Haas

Mick Schumacher garantiu estreia na Fórmula 1, só que por uma Haas em crise e sem bom desempenho. O alemão precisa fazer um bom trabalho e superar o companheiro Nikita Mazepin, mas sabendo que os resultados dificilmente serão bons

O segredo que todo mundo já sabia está oficialmente confirmado: Mick Schumacher sobe para a Fórmula 1 em 2021, assinando com a Haas para formar dupla com Nikita Mazepin. O alemão ainda não confirmou o título na F2 mas sobe cheio de moral, liderando o certame e apresentando inesperada evolução em curto espaço de tempo. O momento é de boas notícias, mas contrastando com a necessidade de colocar os pés no chão: Mick dificilmente vai ser um novato tão brilhante assim no próximo ano.

É que Schumacher assinou com uma equipe essencialmente combalida A Haas tende a andar melhor que a Williams, mas isso não quer dizer muita coisa: o carro é recheado de pontos fracos e apenas reforçou a crise de uma escuderia que quase fechou as portas. Só não o fez porque a família Mazepin, que faz a Stroll parecer de classe média, chegou com a injeção necessária de dinheiro. Ainda assim, a evolução dos resultados dos americanos não deve vir do dia para a noite.

Günther Steiner, chefe da Haas, com Mick Schumacher (Foto: Haas)

Isso força em Mick a necessidade de se contentar com o fim do grid em 2021. Principalmente pelo carro deficitário – os modelos seguem quase iguais no próximo ano –, mas também por uma característica já observada na carreira do alemão: a demora em se adaptar. Antes de ser campeão da F3 em 2018, Schumacher foi 12° em 2017; antes de liderar a F2 em 2020, foi também 12° em 2019. O jovem piloto eventualmente chega lá, mas com a tendência de sofrer um bocado no começo. Nada mais justo que isso se repita na transição mais dura da carreira, para a F1.

Posto isso, é claro também que não será um ano apenas passando a mão na cabeça de Schumacher. Há expectativas, mesmo que pequenas. A principal delas: ser melhor que Mazepin na briga interna. Bem melhor, se possível. É que Nikita, apesar de ser melhor do que a fama de piloto pagante faz parecer, está longe de ser um grande desafio. Superar o russo, mesmo que com um começo vagaroso, seria um sinal de que Mick pode se estabelecer na F1 no longo prazo. Uma derrota, mesmo que pequena, já bastaria para termos grande debate sobre a real capacidade do alemão, algo que fica ainda mais intenso por conta do sobrenome famoso.

Se Schumacher tiver todas essas limitações em mente, as chances de sucesso em 2021 aumentam. Errado seria chegar pensando já em superar os resultados dos experientes Romain Grosjean e Kevin Magnussen com o carro de 2020 e ficar sonhando com pontos frequentes, algo que tende a levar a ainda mais erros e, por tabela, críticas.

Mick Schumacher, de tanto sucesso na F2, vai começar a caminhada na F1 no fundão (Foto: Ferrari)

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Um bom exemplo para Schumacher é George Russell. O britânico pilota um carro terrível e, apesar de ainda não ter pontuado e sofrer com ritmo de corrida, faz um trabalho amplamente positivo. Tanto que foi chamado pela Mercedes na primeira oportunidade, com Lewis Hamilton afastado por Covid-19. Mick tem que tentar algo parecido, mas pensando na Ferrari: entender que os resultados brutos não serão os melhores, mas fazer do limão uma limonada e esperar por uma chance de brilhar em um carro mais competitivo.

Schumacher tem um bom futuro na F1 e, a menos que algo dê muito errado, tem chances de passar bons anos na categoria principal. A combinação de sobrenome famoso com talento é poderosa. As expectativas e comparações com o pai Michael são imediatas e ajudam a valorizar o passe do pupilo. É fácil cair em tentação, mas é necessário ser realista: Mick sobe para a categoria principal para aprender, evoluir e fazer o que dá. Superar rivais diretos e esperar o próximo passo da carreira. Pedir mais do que isso é perder o contato com a realidade.

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