Opinião GP: Com título perdido, franco-atirador Räikkönen salva Ferrari e Vettel não tem salvação

Coube a Kimi Räikkönen salvar a Ferrari em Austin em um carro que Sebastian Vettel poderia ter vencido, não fosse mais um vacilo, que apenas comprova a temporada errática do alemão. Já Lewis Hamilton vai ter de esperar mais uma semana para garantir o pentacampeonato

NEM LEWIS HAMILTON, nem Sebastian Vettel. Foi de Kimi Räikkönen o grande desempenho no Circuito das Américas. Franco-atirador, o finlandês fez uma corrida para si. Altamente combativo, o nórdico provou que ainda tem lenha para queimar na F1. Não cometeu erros e, depois de se sair muito bem da espremida que tomou de Hamilton na primeira curva, tratou de defender o seu, sem pensar em ordens de equipe ou no companheiro de time.

A verdade é que foi bonito ver Räikkönen andando forte e se impondo diante das investidas do inglês da Mercedes na primeira parte da corrida. A sólida performance deixou no ar uma dúvida sobre as decisões recentes da Ferrari. Será que não foi precitada a opção por Charles Leclerc? Dado também o não desempenho do monegasco em Austin, talvez seja cedo demais para jogar o jovem nesse caldeirão chamado Ferrari, especialmente agora que a esquadra atravessa uma fase bastante turbulenta.

E muito desse clima tem a ver com as atuações de Vettel. O alemão está mesmo em uma missão impossível. A diferença para Hamilton só aumenta desde a vitória na Bélgica, e isso se deve também a seus seguidos erros. Mais uma vez, o #5 se colocou em apuros por vacilos: o primeiro deles na sexta-feira, quando desrespeitou a velocidade na bandeira vermelha, o que lhe rendeu uma punição no grid. Saindo de quinto, portanto, Seb de novo se mostrou afobado e, também de novo, se envolveu em um toque com um carro da Red Bull, agora o de Daniel Ricciardo.

Sebastian Vettel sofre após toque em Daniel Ricciardo (Foto: Reprodução/Twitter)

Resultado: uma rodada e uma nova prova de recuperação. “Já estou cansado dessas provas de recuperação”. A frase é do ferrarista e condiz com sua situação, mas é apenas consequência de seus atos. E dói mais para ele, porque havia uma clara chance de vencer neste domingo.

A Ferrari voltou atrás na condução dos novos elementos da SF71H, e o carro retomou a performance do início da segunda metade da temporada. Vettel exibiu uma impressionante velocidade de reta e tinha o carro nas mãos, mas o equívoco novamente minou suas possibilidades, o que apenas demonstra a extrema falta de controle emocional de Seb

É impossível imaginar neste momento que Vettel não entenda o que significa correr pela Ferrari. O alemão é quatro vezes campeão do mundo, já esteve em outras disputas por campeonatos e chegou a Maranello sabendo bem da sua missão. Portanto, a desculpa da pressão não vale mais aqui. Ainda que se recuse a admitir, talvez seja importante começar já a reflexão do campeonato, para ainda ter fôlego para o próximo ano, uma temporada em que a hierarquia de forças pouco vai mudar, devido à estabilidade do regulamento, além da combatividade do rival Hamilton. Ou não terá mais salvação.

Kimi Räikkönen (Foto: AFP)

Räikkönen, portanto, salvou a Ferrari do vexame com uma ótima corrida no Circuito das Américas. Provavelmente, foi a última vitória de Kimi na F1 – uma vez que é difícil imaginar outra chance com a Sauber nos próximos dois anos. E o que dá ainda mais crédito ao campeão do mundo de 2007 é que foi preciso neutralizar tanto Hamilton, que buscava já garantir seu título, quanto Max Verstappen, que, de novo, mostrou do que é feito.

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