Opinião GP: Ímola confirma: Fórmula 1 vive uma disputa real pelo título em 2021

Finalmente, a Fórmula 1 caminha para uma disputa real e titânica. De um lado, o experiente campeão atrás do oitavo título do mundo e, de outro, um jovem pronto em busca da primeira taça. 2021 começa melhor do que a encomenda

Assista aos melhores momentos do GP da Emília-Romanha de F1 (Vídeo: GRANDE PRÊMIO com Reuters)

O CAÓTICO GP da Emília-Romanha trouxe respostas interessantes para diversas perguntas que ficaram após a primeira etapa, no Bahrein, há três semanas. Mas a melhor delas foi: enfim, a Fórmula 1 tem um campeonato real e que deve viver uma disputa absolutamente titânica. E a ponta da tabela de classificação diz muito sobre como será a batalha entre Lewis Hamilton e Max Verstappen. O inglês lidera, mas com um único ponto de diferença, conquistado graças ao tempo de volta mais veloz da corrida em Ímola, registrado na parte final de uma prova em que o holandês foi capaz de revidar a derrota no deserto.

Lá em Sakhir, Hamilton lançou mão da experiência e fez Max cair na armadilha dos limites de pista da curva 4. Foi ainda beneficiado pela pressa do oponente e pelo desespero dos taurinos, que fizeram com que Verstappen devolvesse rapidamente a posição. Em Ímola, o filho de Jos não quis deixar margem para erros. E deu bote já nos metros iniciais. Largando bem da terceira colocação, o dono do carro #33 se colocou por dentro e por lá ficou até a primeira grande freada. Depois de uma saída lenta no piso molhado, Hamilton encarou a adversário, mas o rapaz não deu espaço, endurecendo bem a briga pela ponta. Resultado: um leve toque – que deve virar algo comum no restante da temporada.

A partir da primeira volta, então, Lewis passou a perseguir Max. Mas o jovem teve a frieza que faltou em Sakhir para controlar a situação, mesmo quando o heptacampeão se aproximou bem. Verstappen foi preciso ao ultrapassar os retardatários, enquanto a Red Bull trabalhou bem nos boxes, também se redimindo do que acontecera no mês passado. Só que, em uma disputa tão apertada, qualquer erro é crucial.

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MAX VERSTAPPEN; GP DA EMÍLIA-ROMANHA; ÍMOLA; VITÓRIA;
Max Verstappen vibra com a vitória no GP da Emília-Romanha (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

E foi o que quase aconteceu com Hamilton. Bem, rolou, sim, a chamada sorte de campeão, mas o inglês também fez sua parte. Se no Bahrein Max se apressou em passar Lewis, e isso lhe custou a vitória, a tarde insana em Ímola testemunhou um raro erro do inglês da Mercedes e uma pressa inexplicável. O britânico decidiu ir para cima do retardatário George Russell de qualquer jeito, pelo lado molhado e acabou saindo da pista na Tosa. Mas teve calma e paciência para tirar o carro do atoleiro. Outro, talvez tivesse abandonado. A recompensa veio praticamente no mesmo instante, quando o mesmo Russell se envolveu em um forte acidente com Valtteri Bottas. A pancada rendeu a bandeira vermelha, que acabou ajudando Lewis a retomar a prova, tirando a volta de atraso que tinha acabado de levar de Verstappen.

Com asa dianteira nova e pneus tinindo, o homem que mais venceu na F1 viveu uma corrida de recuperação sem afobação, para cravar não só a melhor volta, mas o segundo lugar do pódio, mantendo a liderança do Mundial. Enquanto isso, lá na frente, Max conquistava uma vitória importante, que agora o coloca em pé de igualdade a Lewis.

Neste momento, também é importante destacar algo que não acontecia há algum tempo na Fórmula 1. O caso é que a Mercedes dominou o Mundial de tal forma que uma briga parelha era quase impossível. Agora, o cenário é bem diferente. A equipe alemã tem lá suas imperfeições em forma de um carro complexo, embora ainda rápido e consistente. Só que isso não parece suficiente: a Red Bull soube interpretar melhor as pequenas mudanças do regulamento e fez do RB16B um modelo que é bem mais do que uma atualização do carro de 2020.

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Lewis Hamilton fez uma baita pole no sábado, mas a corrida no domingo ficou comprometida pelo erro na Tosa (Foto: Mercedes)

Quer dizer, dá para dizer que hoje há um equilíbrio técnico verdadeiro, sendo que cada time tem pontos fortes e fracos diferentes, mas se completam. Um viva a um conjunto de regras que soube gerar essa deliciosa confusão.

E um viva ainda maior para a sorte que deu a Fórmula 1: de um lado, há um campeão experiente e centrado, em busca de um inacreditável oitavo título, enquanto, na outra corda, há um pequeno gênio, um jovem que há muito não é mais promessa, mas que precisa dessa primeira taça. Ainda há muito pela frente, entre disputas tensas e essa urgente rivalidade, mas o ponto é: a briga é real e deve durar até a bandeirada em Abu Dhabi.

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