Opinião GP: Verstappen destoa, mas Ímola confirma: Red Bull não domina mais Fórmula 1

Ao fim do GP da Emília-Romanha, a conclusão que se chega é a seguinte: sem Max Verstappen, a Red Bull jamais teria vencido em Ímola e o campeonato estaria seriamente ameaçado. O fato é que o tricampeão destoa e é a garantia de mais um título. Contudo, o alerta é real: a McLaren chegou forte, enquanto a Ferrari precisa de pouco para preencher a lacuna que resta

A RED BULL NÃO DOMINA mais a Fórmula 1. Essa é a principal lição do GP da Emília-Romanha, disputado neste domingo (19), em Ímola. E se esse é o cenário, há então uma chance de disputa do título em 2024? A resposta é não, por um simples motivo: Max Verstappen. O tricampeão é o ponto de desequilíbrio e a grande arma dos taurinos. Sem ele, a vitória teria sido impossível. Porque enfim as rivais chegaram.

A realidade é que a equipe austríaca enfrentou novamente um fim de semana de considerável oscilação. O carro, mesmo revisado com as atualizações, não se mostrou tão superior quanto parecia no início da temporada. Compreender e acertar o RB20 tem sido uma tarefa inesperadamente complicada — e isso ocorre desde Miami. Por outro lado, há uma sintonia com Verstappen. Só o neerlandês é capaz de tirar mais e ir ao limite. Aconteceu na classificação de sábado e se repetiu ontem. É ele a garantia de que o título está bem assegurado, mas os taurinos têm muito com que se preocupar.

A verdade é que o time chefiado por Christian Horner precisou voltar os olhos para a fábrica, para encontrar respostas. Verstappen se queixou da falta de aderência e equilíbrio na sexta-feira, errou muitas vezes e deixou a pista inconformado. No dia seguinte, testou configurações diferentes antes da classificação e foi só na decisão das posições de largada que conseguiu corrigir parte dos problemas. A pole veio no talento dele e na perspicácia de aproveitar o vácuo do carro da Haas. Porque o posto de honra do grid era essencial para a corrida, como se confirmou neste domingo. Max saltou bem e não deu chances a ninguém. Controlou a concorrência e extraiu performance dos pneus médios. Na troca dos compostos, o desempenho não foi mais tão linear, mas o líder do Mundial foi capaz de mascarar, até oito voltas do fim.

O que aconteceu foi um desgaste significativo dos pneus na parte final da prova, que gerou uma instabilidade geral — algo raríssimo nos últimos modelos da Red Bull. O carro passou a sair mais de frente, e isso provocou a perda de rendimento. Ainda assim, Verstappen manteve a ponta, mesmo com a ameaça cada vez maior da McLaren de Lando Norris. Foi uma vitória também no braço, melhor do que o carro poderia entregar. Foi quase a mesma história de Miami, com a diferença é que, nos EUA, o safety-car acabou jogando Max para o segundo posto.

“Ele teve um fim de semana muito agitado”, disse o chefe da Red Bull, revelando que o piloto se dividiu entre a pista real e uma corrida virtual ao longo do fim de semana. “Hoje ele venceu duas corridas, uma em uma BMW M3 e outra em um carro de Fórmula 1. Acho que todos conseguiram entender o que este fim de semana significou para Max, para conseguir a pole-position ele teve de usar todo o seu talento e ainda deu, em 63 voltas, uma lição magistral”, completou.

Por isso, a F1 deixa a Itália com gostinho agridoce na boca. É claro que ter alguém com o talento de Max no grid é excepcional, mas também um fardo. Porque mesmo diante do avanço significativo das rivais, o que é uma enorme notícia, o rapaz que não dispensa nem uma disputa virtual — em paralelo à corrida italiana, Max também disputou partes das 24 Horas de Nürburgring com sua equipe — também jamais vai abrir mão de uma vitória na vida real.

Ainda assim, há uma luz amarela forte nas garagens taurinas. A McLaren é uma força que não pode ser ignorada. A atualização feita no carro laranja foi certeira, porque tornou o MCL38 veloz, mas também equilibrado nos trechos sinuosos. É um modelo que cuida dos pneus, sobretudo os mais duros. A performance de Norris no fim não foi corriqueira. O que faltou para os ingleses foi realmente um stint mais sólido na parte inicial da prova. A pole também poderia ter mudado a história. Agora é correto dizer: tecnicamente, a equipe de Zak Brown já alcançou a Red Bull e foi o melhor carro do fim de semana italiano. Como já havia sido em Miami.

Há de se considerar aqui também a Ferrari. Os italianos terminaram o GP caseiro com uma sensação de que poderiam ter feito mais. É verdade. Havia potencial para uma primeira fila no sábado, o que teria facilitado triunfo. Ainda é cedo para avaliar completamente o pacotaço ferrarista, mas há evolução. Em média, os carros vermelhos foram 0s1 mais lentos que seus adversários. A coisa apertou, de fato.

Lando Norris, Max Verstappen e Charles Leclerc: nova divisão de forças da F1 (Foto: Red Bull Content Pool)

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