Opinião GP: no monótono GP da Hungria, Hamilton renasce, mas ‘cerebral’ Alonso segue rumo ao tri

Dá para considerar o GP da Hungria a mais chata corrida da temporada até o momento. Mas Budapeste deixou algumas coisas boas para o Mundial, como o renascimento de Lewis Hamilton e a performance de Bruno Senna. Felipe Massa, por sua vez, decepcionou de novo

Nem de longe foi uma corrida de encher os olhos. O GP da Hungria, 11ª etapa do Mundial de F1 em 2012, disputado no último domingo (29), teve pouquíssimas brigas por posição dentro da pista. Foi uma corrida quase que toda decidida nos boxes. No fim das contas, venceu mesmo o melhor do fim de semana, Lewis Hamilton. Hamilton, aliás, renasceu na luta pelo título. Outrora carta fora do baralho, o britânico reduziu sua diferença para o líder, Fernando Alonso, para 48 pontos. Uma enormidade levando em conta a regularidade do espanhol, que fez corrida cerebral e, dentro das possibilidades da F2012 em Hungaroring, terminou em quinto. E provando que a sorte está mesmo ao seu lado, seus maiores rivais na luta pelo caneco foram mal: Sebastian Vettel foi o quarto, enquanto Mark Webber foi só oitavo.

Analisando o fim de semana como um todo, é possível dizer que Bruno Senna foi um dos destaques em Budapeste. Andou sempre à frente do decadente Pastor Maldonado, segurou no braço Webber e, em sétimo, garantiu seu melhor resultado desde o GP da Malásia. Felipe Massa, por sua vez, foi muito discreto. Em que pese o fato de que a Ferrari estava atrás de McLaren, Red Bull e até da Lotus, o brasileiro foi só nono e soma agora míseros 25 pontos, contra 164 do seu companheiro de equipe. Natural que, durante as férias de verão, sua vaga para 2013 seja a mais especulada e desejada, uma vez que sua renovação com Maranello está cada vez mais distante e improvável.

Vitória em Hungaroring representou renascimento de Hamilton no Mundial (Foto: McLaren/Facebook)

Na opinião dos jornalistas do Grande Prêmio, o GP da Hungria foi ruim, previsível e ainda ofuscado pelos Jogos Olímpicos de Londres. Mas também dá para destacar, além de Senna, a Lotus de Kimi Räikkönen, segundo colocado, e Romain Grosjean, terceiro. É cada vez mais fato que a vitória da Lotus está perto. E os aurinegros de Enstone a fazem por merecer.

Flavio Gomes, diretor da Agência Warm Up e do Grande Prêmio, analisou a fraca e sonolenta corrida em Budapeste. Não houve nem mesmo um episódio polêmico, como aconteceu no GP da Alemanha, por exemplo. É chegada a hora de todos irem para casa para as férias de verão na Europa. F1 agora, só no fim de agosto.

“Com sol e calor, sem chuva, esse GP magiar era mesmo previsível. Hamilton, muito melhor que todos nos treinos, só perderia se fizesse alguma besteira. Não fez. Largou bem e só teve alguma preocupação nas voltas finais, com a aproximação de Kimi. Mas eles estavam com os mesmos pneus médios, seria difícil passar. A diferença de ritmo existia, a Lotus estava mais rápida, mas não muito mais”, opinou o experiente jornalista.

Para Victor Martins, editor-executivo do Grande Prêmio e da Revista Warm Up o GP da Hungria não apenas foi desprovido de emoção como foi realizado na época errada, bem no início dos Jogos Olímpicos de Londres. “A corrida em si foi uma exceção quando a gente pensa em 2012 como um todo. Nada de relevante aconteceu. Aliás, seria relevante a F1 pensar em tirar férias no período olímpico. Só serviu para tirar as atenções das competições coubertinianas.”

Kimi nem parece que ficou dois anos fora da F1. Só não conseguiu superar Lewis (Foto: Lotus F1/LAT)

Gomes lembra que o momento mais empolgante da corrida foi quando Räikkönen voltou da sua segunda parada lado a lado com o companheiro de Lotus, mas, na marra, ganhou a segunda colocação que o credenciou a lutar pela vitória com Hamilton. Nem parece que Kimi ficou dois anos parado e correndo no WRC. “Essa segunda janela de paradas definiu a corrida. Grosjean parou na volta 40. Kimi, na 46. Nesse intervalo, acelerou feito um doente e quando saiu dos boxes, dividiu a curva com o companheiro cabeludo e ficou na frente. De quinto para segundo, depois de uma série de voltas espetaculares com pneus macios estropiados. Pilotaço, esse finlandês.”

Senna tem bom fim de semana; Massa decepciona de novo

O GP da Hungria foi de opostos para os dois brasileiros do grid da F1. Bruno Senna teve, talvez, seu melhor fim de semana em toda a temporada. Pilotando de maneira consistente, o representante da Williams foi muito melhor que Maldonado e somou pontos pela quarta vez nas últimas seis corridas. Felipe Massa, no entanto, foi novamente um dos mais apagados da prova.

“Massa foi nono. Fez nada para ser oitavo, sétimo, sexto. Dois pontos mais, tem 25 no total. 25. A pontuação de uma vitória. Em 11 etapas. Não tem jeito, Felipe não fica na Ferrari”, avaliou Martins. “Não dá para um piloto Ferrari ter isso como resultado. Não fecha a conta no balanço da equipe. Não traz lucro. Dizem até que a Ferrari está atrás de Kimi para que ele volte. Mas ao que parece, qualquer um que sente lá vai fazer algo mais produtivo em 2013”, comentou o jornalista, ressaltando o rumor de que Räikkönen pode substituir Felipe no ano que vem.

Por sua vez, Fernando Silva também destacou a boa forma de Senna, mas entende que a ascensão do piloto da Williams pode ter vindo na hora errada. “Talvez o grande azar de Bruno tenha sido justamente a chegada das férias, que dá uma ‘quebrada’ no bom momento por ele vivido”, analisou o jornalista interiorano, destacando o fato de que o brasileiro, assim como o compatriota Massa, tem seu futuro incerto.

Com mais uma performance decepcionante, Massa tem motivos para se preocupar (Foto: Ferrari)

“Certamente que a partir de Spa-Francorchamps, cada corrida será decisiva para sua permanência na Williams em 2013. Em alta, Senna luta pela sobrevivência na F1. Em baixa, Maldonado luta para mostrar ao mundo que aquela vitória em Barcelona não foi mera obra do acaso. Para ambos, a missão é duríssima”, destacou Silva.

Campeonato aberto? Nem tanto

Apesar de ter chegado apenas em quinto e não ter brilhado tanto quanto nas últimas corridas, Alonso segue soberano na liderança da temporada e, enquanto vai somando pontos aqui e ali, acompanha de longe a queda de rendimento da Red Bull, que hoje é somente a caricatura da equipe dominante que um dia já foi. Mesmo com Hamilton mais forte — graças à evolução da McLaren — e o surpreendente Räikkönen entre os cinco primeiros, difícil que outro piloto reaja a ponto de tirar um tri bem encaminhado para o espanhol, ainda que faltem nove corridas para o fim do Mundial.

“Alonso aumentou mais um pouco a diferença no campeonato, 40 para o australopiteco (164 a 124) e vai lá curtir as férias sem muitos chiliques. A Red Bull precisa repensar suas estratégias e ver se esse Webber aí quer ser o que foi até o GP da Inglaterra ou o de 2012. Vettel se aproximou um pouco, 122, Hamilton tenta permanecer na briga, 117, Räikkönen vem na toada, 116. Pessoal precisa de um descanso, merecido. A quem vê, é só uma pausa para recarregar as expectativas para a segunda metade do campeonato. E também para esquecer este aborto automobilístico em solo húngaro”, definiu Martins.

Gomes foi mais além e entende que ninguém será capaz de bater Fernando. “Mas, apesar de me esforçar para mentir para vocês e dizer que o campeonato está abertíssimo, Alonso será o campeão”, concluiu o diretor do GP.

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