Opinião GP: Vitória da Ferrari anula tese de blefe e deixa claro: temporada será de duelo Vettel x Hamilton
A Ferrari provou em Melbourne que se preparou como nunca para a temporada 2017. A ótima e veloz SF70H deu a Sebastian Vettel a chance de disputar a vitória e ainda deixar claro: a briga em 2017 será mesmo entre o tetracampeão e Lewis Hamilton. Ainda assim, a corrida deixou a desejar em termos gerais
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O pit-stop cedo demais, no entanto, foi decisivo na primeira parte da corrida. Seb ficou na pista por mais oito voltas depois que Lewis parou, o suficiente para voltar à frente e despachar a concorrência. O ferrarista, então, impôs seu ritmo real e, em determinada fase, passou apenas a administrar a confortável vantagem que chegou a quase 10s. Ninguém fez isso com a Mercedes desde que a marca passou a dominar o Mundial. E aparece que essa será a tendência. Ou seja, toda aquela sólida da performance da Ferrari na Espanha era real e verdadeira.

Muito antes do início da temporada, pilotos e engenheiros previam que os novos carros, construídos sob a égide do revisado regulamento técnico, seriam mais rápidos, bonitos, agressivos e desafiadores do ponto de vista da pilotagem, mas nada empolgantes em termos de ultrapassagem. Isso porque o alto nível de downforce gera muita turbulência, o que torna muito mais difícil que um carro que esteja atrás consiga estabilidade suficiente para ultrapassar.
E o GP da Austrália confirmou as expectativas e proporcionou uma corrida muito ruim do ponto de vista técnico. As lutas na pista foram raras. Uma delas envolveu Esteban Ocon, da Force India, e Fernando Alonso, com a claudicante McLaren. Porém, mesmo com um carro muito superior, o francês passou praticamente a corrida inteira atrás do bicampeão do mundo e só ganhou a posição porque Alonso enfrentou problemas e abandonou.
Mesmo considerando que Albert Park não é dos circuitos mais favoráveis para ultrapassagens, é difícil ser otimista quando se pensa que a F1 corre em outras tantas pistas cheias de dificuldades do tipo: imagine, por exemplo, a procissão que vai ser em Mônaco, ou mesmo em Abu Dhabi? Diante de tal cenário, só mesmo em caso de chuva poderemos ter a chance de ver boas corridas em 2017. O que é um indicativo ruim.

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Mas não se empolgue muito, já que não se trata de uma medida a curtíssimo prazo. Tais mudanças, se de fato ocorrerem, devem ficar mesmo para 2018, já que mudanças aerodinâmicas levam muito tempo entre o estudo e a prática. Ou seja, o fã da F1 vai ter de se acostumar com uma temporada com carros espetaculares, mas com corridas mornas e decidias na base da estratégia — como foi neste último domingo — ou então por alguma casualidade. Batalhas como a que todos se acostumaram a ver no passado vão ser coisa rara nesta temporada que abre a ‘nova era’ da F1.
O Opinião GP é o editorial do GRANDE PRÊMIO que expressa a visão dos jornalistas do site sobre um assunto de destaque, uma corrida específica ou o apanhado do fim de semana de automobilismo.
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