Paddock de Interlagos é como escola: dos populares ao cantinho dos excluídos

Neste domingo (17), o GP do Brasil ocorre em Interlagos e, na televisão ou nas arquibancadas, a pista será o destaque. Mas os bastidores são sempre divertidos e cheio de situações curiosas, lembrando até mesmo os tempos escolares de todos nós

Estar no paddock da Fórmula 1 é uma experiência única – se você não tem a chance de viajar o mundo para todas as etapas, e consequentemente não perdeu o encanto, é impossível não se deslumbrar com o que vê por trás dos boxes das equipes do esporte a motor mais famoso do mundo.

Mesmo como jornalista, isso ocorre. Por isso – e escrevo em primeira pessoa para deixar claro que é uma opinião/observação pessoal -, me permiti diversas vezes durante sexta-feira e sábado simplesmente sair da sala de imprensa, me dirigir ao paddock e andar para lá e para cá, para entender o clima e tudo que acontece – ao menos longe dos fundos das salas de cada equipe.

Porque, sendo sincero, é divertido. Entrevistar pessoas é parte grande da profissão, e prazeroso, mas é também interessante simplesmente olhar. E tias sensações passadas fazem ponderar que o paddock lembra uma escola – não como algo infantil, longe disso, mas nas curiosas divisões e situações.

Por exemplo: há um local dos populares, e há um local dos excluídos. Felizmente, ser popular não é algo ruim como na escola, no sentio de que são eles que excluem os outros. Na F1, significa apenas cumprimentar e ser cumprimentado, passar horas conversando e, bem, atender pedidos de entrevistas a cada cinco minutos

Ser excluído significa andar na área do paddock em que está a Williams.

Claire Williams (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)
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É engraçado: o paddock vai esvaziando exponecialmente quando se caminha na direção da lanterna do campeonato. Até mesmo a sala da equipe inglesa é mais vazia em comparação aos rivais. Mais de uma vez, vi Claire Williams sentada em uma mesa de canto, com cara de preocupada.

Do lado oposto, a Mercedes é curiosamente quem une os dois mundos: não fica lotada em frente, já que todos sabem que Lewis Hamilton não vai andar por ali (mas Valtteri Bottas aparece, bastante, andando em passos apertados na direção do banheiro), mas se abre aos menos favorecidos com almoço liberado aos visitantes.

Pouco antes do extremo, vem a Ferrari: e ali vem a turma popular. A Globo se posta com todos seus repórteres exatamente em frente aos boxes da equipe italiana; a Sky Sports, principal transmissora da F1 na Inglaterra, também; assim, pilotos brasileiros e estrangeiros se misturam naquele trecho – e a famosa resenha permeia o dia na região.

Entre os brasileiros, Rubens Barrichello é, mesmo após anos fora das pistas na F1, o mais requisitado. Tal como na Stock Car, onde compete, tem o nome gritado constantemente pelo torcedors das áreas VIP's, localizadas bem acima, e é cumprimentado por todos os pilotos, dos jovens brasileiros que mal saíram do kart até Sir Jackie Stewart. Reconhecimento. 

Resumindo esta parte: a união verde, amarelo e vermelho neste trecho do paddock é tudo que o Brasil sonha politicamente. 

Timo Glock é um dos figurões presentes (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Citando pilotos, é engraçado ver como suas posturas se mantêm durante os dias (e, aqui, incluo 2018): Nico Hülkenberg parece sempre não querer contato com o mundo exterior, andando sempre cercado por membros da Renault – mesmo com o rosto menos sisudo do que ano passado, talvez já transparecendo a vontade de dar logo seu adeus.

Na mesma equipe francesa, Daniel Ricciardo passa sorrindo a todo instante, mas Sergey Sirotkin, o piloto de testes, é o destaque: sempre sozinho, mas sempre sentaod à mesa do lado de fora da sala da Renault. É como se ele quisesse ser visto, mas não exatamente conversar. Tal como sua carreira na F1, um mistério – vale o destaque a outro reserva, Marcus Ericsson. que também parece ter contrato para ficar 100% do tempo na sala da Alfa Romeo.

Na turma dos cara-fechada, Lance Stroll se destaca: nunca vi uma manifestação de sentimentos em seu rosto; o contrário vem de Lando Norriis: quando aparece de toca e brincando em vídeos da McLaren, é porque, de fato, é assim no dia a dia de autódromo. Kimi Räikkönen é interessante: de óculos escuros e boné, aparece bastante, mas aproveita que a Alfa Romeo fica próxima a Williams, portanto vazia; quando precisa andar na área movimentada, porém, só não ignora um tipo de gente: fãs que gritam seu nome. Ganha todos os créditos possíveis.

Kimi Räikkönen (Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

O festival das selfies também é curioso: é fácil ver quem está ali simplesmente apontando o celular na cara de qualquer piloto – Kevin Magnussen foi alvo de um destes após o Q3 e quase deu de cara com o celular -, quem realmente conhece cada um dos pilotos, e quem no tem muita noção e tenta invadir espaços proibidos – como os próprios boxes.

Poucos conseguem andar tranquilamente: e Romain Grosjean, que já teve problemas o suficiente nas pistas, é um destes, para a própria sorte.

De lá para a sala de imprensa, na qual vale a pena tirar um, dois ou quatro dias para se alimentar mal. Não pela qualidade dos sanduíches, que entre a mistura de mortadela, atum e quatro queijos podem não ser dos mais saudáveis, mas pelos sorvetes.

Já que não é fácil falar com pilotos na F1, com horários reduzidos, entrevistas mais coletivas do que exclusivas e assessores no pé a todo momento, ao menos o sorvete de graça vem para consolar o jornalista.

David Coulthard abrilhante o paddock(Foto: Rodrigo Berton/Grande Prêmio)

Finalizaremos com isso: em 2019, a F1 entregou 8 sabores, ranqueados (talvez justamente, talvez não) da seguinte maneira: chocolate com amendoim, groselha, chocolate, morango, doce de leite com coco, coco, limão e milho verde.

O de milho verde não dá. Sim, é o que mais sobre. Todo dia.

Mas é de graça. De graça, de injeção na testa aos grunhidos de um chefe de equipe, não muito afim de dar entrevista. Mas que não revelarei o nome. Melhor assim. 

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