F1

Pérez lamenta dúvida sobre futuro do GP local e teme que México volte a ficar fora da F1 por “50 anos”

O novo governo federal mexicano colocou enorme dúvida sobre o futuro do GP local, sob contrato com a F1 apenas até o fim do ano. Para Sergio Pérez, que admite uma situação complexa, há o medo de que seu país saía novamente da F1 para ficar longas décadas fora do mapa
Grande Prêmio, de Barcelona / Redação GP, do Rio de Janeiro
A situação do GP do México do Mundial de F1 está em considerável interrogação. Com um contrato apenas até o fim de 2019, o GP tem um aparente rival: o novo governo federal. Sergio Pérez assumiu que teme a possibilidade de seu país perder a corrida que demorou 23 anos para recuperar. Caso isso aconteça, o México pode ficar bem longe do mapa da F1.
 
O atual presidente mexicano é Andrés Manuel López Obrador, eleito no ano passado e que tomou posse em janeiro. E o novo mandatário começou a semana afirmando que os valor despejado na F1 será realocado para outra área: uma ferrovia que vai ligar pontos turísticos por todo o país. 
 
"Não sei como está o contrato da F1, mas se não estiver assinado nós não vamos poder assinar. Em alguns casos, eventos foram financiados pelo fundo de desenvolvimento do turismo, e esse fundo está agora destinado à construção do Trem Maia", disse López Obrador em entrevista coletiva na última terça-feira.
 
A Trem Maia, como foi apelidada a ferrovia, é um projeto de cerca de 3.600 km de extensão com a intenção de ligar passageiros a uma série de sítios arqueológicos e locais históricos por todo o país. O governo mexicano paga à F1 U$$ 20 milhões - R$ 74,2 milhões, na cotação do dia - por ano.
Sergio Pérez (Foto: Xavi Bonilla/Grande Prêmio)
Questionado sobre a situação na última quarta-feira (20), Pérez mostrou preocupação com o que parece a perda iminente de uma corrida em seu país. O México ficou sem lugar no calendário da F1 entre 1992 e 2015.
 
"Não está parecendo bom. Eu realmente espero que possamos receber boas notícias logo. Acho que é muito importante para meu país, é uma grande praça da F1. [O México] foi uma ótima sede nas últimas quatro corridas. Espero que mantenham", disse.
 
"Tantos países querem um GP, então se você perder a sua praça é muito difícil recuperar durante muitos anos. Custou tanto para que nós tivéssemos [uma corrida], mas agora, se perdermos, provavelmente vai ser o fim", argumentou.
 
"Vamos ter que esperar outros 30, 50 anos para recuperar o que eu acho que é uma exposição excelente do nosso país. Seria uma pena perder o GP do México", lamentou.
 
Pérez falou que já conversou com o patrocinador dele - e um dos homens mais ricos do mundo, o mais rico do México - Carlos Slim, além de outras figuras importantes no país que contam com alguma conexão com o esporte. 
 
"Estou em contato com todos eles. Mais como um mexicano, para ser honesto, porque como mexicano eu realmente quero que meu país seja visto ao redor do planeta com um evento que mostre como o México é bom. E a F1 oferece essa plataforma", opinou.
Lewis Hamilton comemorou o título no México em 2018 (Foto: Mercedes)
O piloto não sabe, entretanto, se há alguma maneira da iniciativa privada bancar a corrida. 
 
"Não tenho ideia, não cuido disso e não sei de nada, para ser honesto. Acredito que seja difícil, porque todos os benefícios são feitos para o governo, então não sei se é possível encaminhar isso de outra forma", encerrou.  
 
Pérez encerrou sua participação na pista nesta semana. O mexicano volta a acelerar o carro da Racing Point na próxima semana. 

GRANDE PRÊMIO cobre ‘in loco’ a pré-temporada da F1 em Barcelona com os repórteres Evelyn Guimarães, Vitor Fazio,  Eric Calduch e o fotógrafo Xavi Bonilla. Acompanhe tudo aqui.