Red Bull para no tráfego, mas tem mais a oferecer em Holanda que dá chance à Ferrari
Max Verstappen enfrentou uma sexta-feira tumultuada diante de sua torcida na Holanda. No entanto, não é possível riscar o campeão e a Red Bull do fim de semana em Zandvoort. Ainda assim, o circuito praiano abre uma oportunidade de redenção à Ferrari – resta saber se que a equipe vai aproveitar. Isso porque a Mercedes já se coloca à espreita e não vem sozinha
Depois de dominar as ações na semana passada, na Bélgica, a Red Bull se viu em primeiro em um dia de treinos livres turbulentos em Zandvoort, que se veste de laranja para receber o campeão Max Verstappen. A agitada sexta-feira (2) teve início com uma quebra da caixa de câmbio logo na sessão inicial. A falha limitou o trabalho do holandês, que só pode voltar ao carro na atividade complementar do dia. Nesse meio tempo, a Ferrari e a Mercedes surgiram no horizonte. A octacampeã imprimiu uma dobradinha no TL1, com George Russell sendo melhor que Lewis Hamilton, enquanto a escuderia italiana comandou o segundo treino, com Charles Leclerc à frente. É fato que o traçado praiano se acomoda mais à F1-75 e até ao enigmático W13, mas os austríacos têm lá seus segredos para o GP da Holanda.
Ainda que tenha vivido um dia mais problemático, a esquadra dos energéticos se concentrou em entender o RB18 para as 72 voltas do domingo, especialmente. E em que pese apenas os sete giros dados por Verstappen na primeira sessão, Sergio Pérez foi quem coletou dados, testando os pneus duros, que rapidamente se mostraram uma escolha equivocada. A aderência é um grande fator em uma pista agressiva como a da Holanda. Inclusive, o time dos touros culpou a estranha sexta-feira ao comportamento errôneo desses compostos.
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“Superestimamos drasticamente o valor dos pneus duros”, reconheceu o consultor Helmut Marko. “Isso significa que temos que trabalhar muito novamente no sábado e no domingo para colocar o carro na janela correta de funcionamento dos pneus”, completou.
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Essa foi a principal dificuldade da Red Bull. Por isso, o carro se apresentou arisco nas saídas de curva e desequilibrado, daí a busca por melhorar a aderência mecânica. E mesmo com as falhas do sistema de cronometragem durante o TL2, foi possível perceber, no entanto, que o ritmo de corrida continua muito forte entre os taurinos. “A simulação de corrida não foi ruim, porque já havíamos adaptado algumas coisas ao carro. Entretanto, o desgaste dos pneus estava muito alto”, relatou Marko.
“Ainda assim, Gianpiero Lambiase, engenheiro de corrida de Max, foi positivo. Ele disse que sabe as causas dos problemas, então ainda não estou preocupado”, garantiu o austríaco.
Em termos de classificação, talvez só no sábado o cenário se torne mais claro. Isso porque Verstappen não obteve uma grande volta na simulação e, depois, acabou preso no tráfego – uma das características mais acentuadas em Zandvoort. “Não foi ótimo hoje, mas temos a noite para olhar para as coisas. Com certeza, conseguimos fazer melhor do que isso”, afirmou o piloto da casa.
A Ferrari, por outro lado, viveu um dia menos atribulado, depois de ter sido atropelada pelos taurinos na última semana. É fato também que a natureza do circuito holandês se adapta melhor à F1-75 do que ao RB18. O carro vermelho tem boa tração e aderência mecânica, e isso faz muita diferença em um traçado que demanda mais dos pneus e do downforce. Além disso, o acerto do modelo italiano se fez muito diferente daquele em Spa. Ou seja, a Holanda abre agora uma oportunidade de revanche para o grupo de Mattia Binotto – resta saber se vão aproveitar ou não.
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É importante destacar que os italianos foram capazes de retomar o ritmo forte de classificação, bem como o desempenho em configuração de corrida – aqui, entretanto, o equilíbrio com as rivais é maior do que na disputa por posições do grid. “No fim, nós ficamos todos muito próximos e ainda é uma surpresa ver todo mundo tão perto”, afirmou o monegasco após a comandar a sexta-feira de treinos. “Será um dia complicado amanhã, mas estamos ansiosos para dar mais um passo à frente. Eu não estava muito satisfeito com o equilíbrio do carro hoje, então espero que possamos trabalhar na direção certa para dar mais um passo amanhã”, salientou.
Carlos Sainz, que completou a dobradinha ferrarista e que ficou a apenas 0s004 do colega de equipe, destacou o trabalho da esquadra ao longo do dia. “No geral, foi uma boa sexta-feira em Zandvoort. Do ponto de vista da performance, as sessões correram de acordo com o planejado sem qualquer contratempo, tanto na simulação de classificação quanto em corrida”, explicou.
E por fim, há a Mercedes. É bem verdade que a equipe fracassou redondamente em Spa. As atualizações e o acerto feito no W13 não funcionaram. O carro se mostrou lento e pouco competitivo, justificando a irritação que os engenheiros carregam com esse projeto. Só que a Holanda é mais um capítulo dessa reviravolta. Desta vez, porém, o modelo se apresentou de forma mais uniforme, sem tantos problemas. O ponto é que a equipe alemã conseguiu um compromisso interessante entre o downforce e o cuidado com os pneus. O modelo pareceu mais equilibrado, semelhante ao desempenho da Hungria.
“Hoje foi um dia muito melhor que meu domingo passado. E melhor ainda que na sexta-feira da semana passada”, disse Hamilton, terceiro colocado na tabela, com uma diferença de apenas 0s072 para o líder ferrarista. “Foi um começo decente do fim de semana. Estamos num ponto muito mais agradável com nosso carro numa pista diferente [de Spa]. É um trabalho em curso”, seguiu.

Isso acontece porque a Mercedes foi capaz de gerar mais downforce com um acerto mais próximo do solo, driblando os saltos e tirando mais da aderência. “O carro está trabalhando melhor, não há dúvida. Vamos analisar e tentar recolher a maior quantidade de dados possível, mas estamos relativamente em um bom caminho”, concordou Russell, que fez uma ressalva. “Sabemos que a classificação ainda é nosso ponto fraco — e que a corrida vai mais do nosso jeito. Nossa sequência longa é forte, mas você precisa largar da posição certa. Se largarmos da terceira fila, vai ser uma batalha difícil por P1 e P2.”
Russell tem razão, porque a definição da pole é o ponto forte da Ferrari e, certamente, a Red Bull deve figurar bem no sábado, mas ainda melhor no domingo. E isso vai de encontro ao cenário que Hamilton também antecipou. “Max teve um dia um pouco difícil e perdeu tempo, mas a Red Bull tem cerca de 0s6 a 0s7 nos bolsos, então será relativamente fácil para eles”, concluiu.
O GRANDE PRÊMIO acompanha AO VIVO e EM TEMPO REAL todas as atividades do GP da Holanda de Fórmula 1. No sábado, o TL3 está marcado para as 7h (de Brasília, GMT-3). A classificação começa às 10h.
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