Renault diverge sobre “sacrifício” da próxima temporada para foco em 2021

Pensando na mudança de regulamento da Fórmula 1 para 2021, a Renault diverge internamente sobre sacrificar a próxima temporada visando os avanços das novas regras. O chefe Cyril Abiteboul quer congelar o desenvolvimento, mas Alain Prost, diretor e conselheiro, discorda

O ano da Renault na Fórmula 1 foi aquém do planejado. O time não deu o salto esperado e ainda terminou o Campeonato de Construtores atrás da McLaren, equipe cliente da montadora francesa. Agora, a esquadra de Enstone passa por um enigma: competir da mesma forma em 2020 ou sacrificar o ano pensando na mudança de regulamento de 2021?
 
Com o objetivo de alcançar o trio formado por Mercedes, Ferrari e Red Bull, a Renault confia na potência do seu motor, e crê que o maior investimento em aerodinâmica, combinado com a reestruturação interna, pode fazer o time crescer novamente.
 
"Mostramos no último ano que podemos vencer corridas com este motor. McLaren mostrou o que pode ser alcançado com reestruturação e novas pessoas. Eles estão um ano à frente com a mudança do que estamos”, declarou o chefe de equipe Cyril Abiteboul ao site alemão ‘Auto Motor und Sport’.
Esteban Ocon (Foto: Renault)
A Renault já iniciou a reestruturação com a saída de Nick Chester, diretor-técnico, e a entrada de Dirk de Beer, novo chefe de aerodinâmica. O time contará com Daniel Ricciardo e Esteban Ocon no carro em 2020.
 
"Se o teto orçamentário e a nova distribuição vierem, podemos organizar nosso time financeiramente. Então, apenas o custo do motor, que é muito alto, será mantido. Todos vão construir novos motores para 2021 porque os novos carros precisarão de uma instalação e refrigeramento diferentes. Mas depois disso, não existe motivo para não congelar o desenvolvimento", completou Abiteboul, citando a entrada do teto orçamentário, uma das novidades da F1 para 2021.
 
Diretor-executivo e conselheiro da Renault, o tetracampeão mundial Alain Prost alertou para a decisão que o time francês deve tomar. Para ele, uma equipe do tamanho da Renault não pode se dar ao luxo de descartar uma temporada inteira visando 2021.
 
"Podemos fazer o mesmo com aerodinâmica se trabalharmos como fizemos com o motor. Os principais times têm dinheiro para os dois programas. Mesmo desenvolvendo normalmente para 2021, eles têm orçamento para 2021, e isso é maior que o nosso para os dois anos", disse o francês.
 
"Temos que tomar uma grande decisão agora. Um time como a Renault não pode descartar uma temporada, sacrificando para 2021. Precisamos ir bem", completou.
 

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