Retrospectiva 2023: Alonso apresenta ‘padrão lenda’ e leva Aston Martin nas costas

Fernando Alonso viveu um ano estelar com a mediana Aston Martin. Enquanto teve um bom carro, só não brilhou mais que os absurdos Max Verstappen e Red Bull. Ainda assim, foi, de longe, o segundo melhor piloto da temporada da F1 2023. Imprimiu um padrão de lenda do esporte

O quarto lugar final não reflete bem o que foi a temporada 2023 de Fernando Alonso na F1. O bicampeão do mundo não fatura um título desde 2006, não vence corrida desde 2013, mas mostrou, no campeonato que se encerrou em Abu Dhabi, que consegue imprimir o ‘padrão lenda’ mesmo em uma equipe mediana como a Aston Martin. Mesmo aos 42 anos de idade.

O capítulo desta quinta-feira (21) apresenta o ano praticamente impecável que teve Alonso, assumindo muito mais do que um mero papel de capitão do projeto ambicioso da Aston Martin. Fernando foi além e, ao anotar todos os oito pódios do time na temporada, mostrou que, hoje, ele é a Aston Martin.

Também por isso, é impossível dissociar a queda de rendimento do time verdinho do período em que Fernando oscilou em 2023. Um tempo bem mais curto para o espanhol do que para a equipe, diga-se, mas foi complicado manter até a empolgação com um carro que não apenas evoluía, mas chegava a andar para trás.

Sensação da pré-temporada, a Aston Martin teve momentos de segunda força em termos de performance, mas nunca pareceu real postulante ao vice. É que Lance Stroll era um a menos e, de novo, tem toda a questão da falta de evolução. Era óbvio que seria um crescimento mais lento que o das rivais, só que foi pior.

Fernando Alonso teve excelente ano (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

Tanto que a Aston Martin chegou a, duas vezes, voltar atrás em atualizações, um atestado definitivo de problemas de desenvolvimento. O time britânico chegou a flertar seriamente com a sexta posição na ordem de forças, foi amassada pela McLaren, superada também pelas cambaleantes Ferrari e Mercedes. Foi ficando.

Do GP da Áustria para frente, quando a reação da McLaren começa, Alonso só foi ao pódio no GP da Holanda e no GP de São Paulo, oscilou firme entre Itália e México, mas sempre foi o menor dos culpados. E quando teve condições, foi muito além do que o carro parecia ter de potencial.

Do Bahrein ao Canadá, ou seja, antes das rivais começarem a atualizar firmemente e da Aston Martin assistir a tudo sentada, Alonso empilhou pódios e, em determinado momento, realmente gerou a discussão se fazia temporada até melhor que a de Max Verstappen. O tempo se encarregou de mostrar que aquilo seria impossível, mas nada que apague os feitos do veterano espanhol.

Terceiro no Bahrein, na Arábia Saudita, na Austrália e em Miami, e segundo em Mônaco e no Canadá, o espanhol desenhou um vice-campeonato do qual não passou nem perto pela perda de força da equipe. Em Monte Carlo, aliás, flertou com a vitória, mas a Aston Martin comeu bola na tática de paradas.

Fernando Alonso deu aula em Interlagos (Foto: Rodrigo Berton/Warm Up)

Alguns erros e até uma ou outra derrota interna para Stroll marcaram o período de baixa de Alonso no ano, mas os pódios na Holanda e, especialmente, São Paulo, fizeram as coisas voltarem aos eixos. E, principalmente: foram o ponto de exclamação na hora de cravarmos que, sim, Fernando foi o melhor não-Verstappen da F1 2023.

Em uma Interlagos que nem sempre foi carinhosa com ele, o espanhol protagonizou aquele que, para muitos, foi o momento da temporada. Os leitores do GRANDE PRÊMIO concordam, aliás, e elegeram como Cena do Ano a briga feroz que Alonso travou com Sergio Pérez. No fim, o veterano ultrapassou o mexicano, segurou na linha de chegada, levou o autódromo à loucura. E festejou como um garoto.

“Terminar no quarto lugar do Mundial de Pilotos é irreal, bem como ter conseguido lutar contra os caras com os quais lutamos na pista. Normalmente, quando você termina no quinto lugar entre os Construtores, deveria ser nono ou décimo no Mundial de Pilotos. Dá para dizer, então, que foi uma temporada de sonhos para várias pessoas na Aston Martin, incluindo eu mesmo”, disse.

Fernando teve, durante a maior parte do ano, uma postura muito positiva, bem mais do que na carreira toda. Foi paciente, elogiou a equipe, focou bem mais na evolução em relação a 2022 do que na queda que a Aston Martin teve durante a temporada. Se ele realmente pensa assim, é ótimo sinal. Não apenas para ele, mas para todos que apreciam a pilotagem de uma das maiores lendas da história da F1.

Alonso teve temporada padrão lenda aos 42 anos. Que venham mais vários pela frente, o esporte agradeceria.

Com a temporada encerrada, a Fórmula 1 retorna apenas no ano que vem, no dia 2 de março, com a estreia do campeonato no GP do Bahrein.

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