GUIA FE 2021: Em ano crucial para ambos, Di Grassi e Sette Câmara são coadjuvantes

Coadjuvantes? Lucas Di Grassi e Sérgio Sette Câmara estão em situação ao mesmo tempo bem parecidas e totalmente distintas

A Fórmula E está voltando. A temporada 2021 começa no próximo fim de semana, em Ad Diriyah, no que será o retorno após sete meses – e, quando aconteceu a rodada sêxtupla de Berlim, o calendário estava parado há mais de cinco meses. O grid segue recheado de pilotos talentosos e fábricas de renome. Neste cenário, a situação de Lucas Di Grassi e Sérgio Sette Câmara é bastante distinta e, ao mesmo tempo, bem semelhante para o futuro de suas carreiras. Muito provavelmente, serão coadjuvantes.

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Mas como assim? Primeiro o óbvio. Os dois estão evidentemente em partes diferentes do grid, tanto em termos de possibilidades quanto em expectativas. Lucas Di Grassi tem 69 largadas na categoria, dez vitórias, 33 pódios e um título. Venceu, literalmente, desde o começo da categoria, visto que levou a melhor na corrida inaugural, em 2014. Tudo isso ainda defendendo uma fábrica: a Audi.

Já Sette Câmara estreou apenas na maratona em Berlim no ano passado, encerrando uma temporada sem testes. Fez seis largadas, nenhum ponto – assim como o companheiro de equipe, Nico Müller, no mesmo período. Isso por uma equipe pequena, a Dragon, cada vez mais longe dos pontos.

Neste ponto, não podiam ser mais diferentes. Mas há as similaridades.

Estas caem, sobretudo, para as incertezas do futuro. Di Grassi está ligado à Audi há quase uma década e a Audi anunciou que deixa a Fórmula E enquanto equipe oficial ao fim desta temporada. A fábrica alemã pretende seguir ligada à categoria como fornecedora de trens de força. Desta feita, as dúvidas são evidentes: Lucas seguirá no campeonato? E se continuar, em qual capacidade?

A ABT Sportsline ainda tem a vaga, pode tocar a equipe sem a alcunha de time oficial de fábrica, mas o orçamento fará dela competitiva? É verdade que Sébastien Buemi defende a Toyota no WEC e a Nissan na Fórmula E, mas há uma diferença lógica: a Toyota não fornece motores na categoria elétrica. É difícil imaginar Di Grassi em outra fábrica na Fórmula E, portanto. A não ser, claro, que encerre o acordo com a Audi. Mas as perguntas são diversas.

Lucas Di Grassi luta por título em 2021? (Foto: Fórmula E)

Já Sette Câmara está num ponto crucial. Talvez o mineiro não admita, mas o namoro com a Fórmula 1 parece estar cada vez mais distante após a pandemia praticamente tirá-lo da temporada da Super Fórmula. Um ano fora custa demais, sobretudo para um piloto que, aos quase 23 anos, não tem um caminhão de dinheiro para comprar uma vaga. Qual o futuro, então? Há mercado nos Estados Unidos, no endurance, mas Sette Câmara quer ter um futuro na Fórmula E. Isso é informação. A ideia de construir uma carreira nos carros elétricos é preferência caso a F1, de fato, não venha.

O novo piloto da Dragon não terá grandes resultados, porque a equipe estadunidense não oferece essas chances. Tornou-se uma equipe nanica, sempre nas duas últimas posições na tabela do Campeonato de Equipes. Marcou somente dois pontos na temporada 2019/20 completa, afinal. E quem ficou atrás, a NIO, tem expectativas de saltar em qualidade. A Dragon, não. O que Sérgio precisa fazer é estabelecer laços com a categoria e mostrar, por meio de trabalho e brilharecos, que pode fazer mais. É possível ser feito.

No âmbito geral da temporada, fica fácil dizer que Sette Câmara e sua Dragon serão coadjuvantes, mas o palpite é que Di Grassi e a Audi serão também.

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Palpite baseado nas duas últimas temporadas. O vice-campeonato de 2018/19 não faz jus ao que o carro tinha a oferecer – os resultados acabaram sendo muito melhores que o desempenho mostrado, e isso graças à pilotagem de Lucas, que tirou mais que o bólido oferecia. Ano passado, ainda pior, sequer deu para se aproximar. A equipe não venceu uma corrida sequer, não fez pole e ficou só com três poles. No meio do caminho, um upgrade: a saída de Daniel Abt deu lugar a René Rast, um piloto melhor e mais experiente.

Então, sim, a Audi tende a fazer um campeonato melhor que o do ano passado, sobretudo porque mudou bastante o motor elétrico. É quase inimaginável ver a Virgin, sua cliente, novamente com mais pontos. Mas há um gap enorme para a DS Techeetah, existe a Mercedes em claro viés de crescimento e uma dupla de BMW e Nissan que se mostram mais perigosas. Com tanta gente na frente, é bem difícil ver a Audi oferecendo a Di Grassi a chance de ser campeão.

Lucas e Sérgio têm muito pelo que correr na temporada, mas devem ser coadjuvantes em 2021.

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