Mísseis cortam céu da Arábia Saudita no momento da corrida da FE em Diriyah

Coalizão liderada pela Arábia Saudita alega que o míssil partiu da milícia Huti, do Iêmen, e estava direcionado a uma área civil em Riad, a capital saudita

Mísseis cortaram o céu da Arábia Saudita no momento em que a Fórmula E disputava o eP de Diriyah no sábado (27). O projétil guiado foi interceptado e destruído pelos sauditas.

Na TV estatal Al-Ekhbariya, a coalizão liderada pela Arábia Saudita responsabilizou a milícia Huti, do Iêmen, e alegou que o míssil estava direcionado à capital Riad. Os sauditas disseram, também, que interceptaram drones. A autoria do ataque não foi reivindicada.

De acordo com a mídia estatal, o príncipe herdeiro Mohammed bin Salman esteve na etapa da Fórmula E de sábado.

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Na última sexta-feira, a coalizão liderada pelos sauditas já tinha alegado a interceptação de um míssil e dois drones lançados do Iêmen para atingir áreas civis no sul do país.

No mesmo dia, os Estados Unidos implicaram o príncipe-herdeiro no assassinato do jornalista Jamal Khashoggi no consulado saudita em Istambul, em 2018. Em um informe publicado há dois anos, mas que só agora foi divulgado pelo governo, a inteligência americana concluiu que Bin Salman “aprovou a operação em Istambul, na Turquia, para capturar ou matar o jornalista saudita Jamal Khashoggi”, que era considerado “uma ameaça ao reino”.

Como correspondente do Washington Post, Khashoggi era um crítico do governo saudita e entro no consulado em Ancara para buscar uma certidão para poder se casar com a noiva turca.

No início do mês, a coalizão já tinha frustrado alguns ataques lançados pela milícia Huti contra a Arábia Saudita, incluindo um ataque com drones no aeroporto de Abha. Este ataque resultou em um incêndio em um avião de passageiros.

A coalizão militar que é liderada pela Arábia Saudita apoia o governo do presidente Abd Rabbuh Mansour al-Hadi no Iêmen, que vive um conflito desde 2014, quando os Hutis tomaram Sanaa, a capital, e, depois, grande parte do norte do país para exigir maior participação dos xiitas no governo e na tomada de decisões. Os rebeldes ainda controlam grande parte do território iemenita, inclusive áreas de fronteira com a Arábia Saudita, que é sunita.

Os Hutis integram um grupo rebelde também conhecido por Ansar Allah (Partidários de Deus, em tradução livre), que seguem uma corrente xiita do islamismo conhecida como zaidismo. O nome Huti deriva de Hussein Badr al Din al Huti, que liderou a primeira revolta do grupo, em 2004, e foi morto por soldados iemitas no final do mesmo ano.

De acordo com a ONU (Organização das Nações Unidas), a Iêmen vive a pior crise humanitária do mundo, com dezenas de milhares de mortos e a população exposta à fome. O país registra os piores índices de desnutrição aguda severa desde 2015, quando a coalizão saudita começou a interferir em apoio às forças do governo contra os rebeldes.

No início de fevereiro, Joe Biden, presidente dos Estados Unidos, declarou o fim do apoio americano à Guerra do Iêmen, encerrando a venda de armas para a coalizão militar liderada pelos sauditas, uma política do antecessor Donald Trump. Os EUA, no entanto, apoiaram a defesa da Arábia Saudita a seu território.

Já no fim do mandato presidencial, Trump incluiu os Hutis na lista de “organizações terroristas”, uma medida que, segundo a ONU, ameaça a entrega de ajuda humanitária ao país. O governo democrata ainda avalia se vai manter este posicionamento.

“Estamos fortalecendo nossos esforços diplomáticos para acabar com a guerra no Iêmen, uma guerra que criou uma catástrofe humanitária e estratégica. Essa guerra deve acabar”, declarou Biden.

Em reação ao discurso de Biden, a Arábia Saudita reiterou apoio a “uma solução política abrangente” para o Iêmen, enfatizou “a importância dos esforços diplomáticos” e aplaudiu o “compromisso [de Biden] de cooperar com o reino para defender sua soberania e lidar com ameaças”.

A Arábia Saudita ganhou espaço no noticiário de esporte a motor recentemente, já que passou a receber o Rali Dakar, a Fórmula E e agora faz parte também do calendário da Fórmula 1. A aproximação com os esportes, porém, é uma tentativa do regime saudita de passar ao mundo uma imagem de transformação, já que é uma ditadura com constantes denúncias de violações aos direitos humanos e das mulheres.

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