Retrospectiva 2022: FE tem briga quádrupla por título e campeão com uma vitória

Stoffel Vandoorne levou a melhor no fim, mas briga pelo título mundial da Fórmula E envolveu Edoardo Mortara, Mitch Evans, Jean-Èric Vergne e muito equilíbrio até a reta final do campeonato. Confira a retrospectiva

A diferença de 43 pontos entre primeiro e segundo colocados na classificação final do Mundial de Pilotos da Fórmula E pode passar a impressão equivocada de que Stoffel Vandoorne deslizou em direção ao título, mas a história contada pela temporada 2021/2022 da categoria foi bem diferente disso. Nesta retrospectiva, o GRANDE PRÊMIO relembra a batalha pela taça e destaca como Mitch Evans, Edoardo Mortara e Jean-Èric Vergne acabaram superados pelo belga na corrida pela consagração.

Dono da liderança do campeonato por boa parte do ano, Vergne apresentou sua principal credencial desde o início: a regularidade. O francês da DS Techeetah pontuou em absolutamente todas as dez primeiras corridas do campeonato — único a alcançar o feito — e ainda somou duas poles, se colocando como uma das grandes forças na busca pelo título — já conquistado por ele duas vezes.

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No entanto, uma campanha pautada na regularidade — assim como a de Vandoorne — não permite erros consecutivos. Apesar de ter pontuado nas dez primeiras corridas, a verdade é que Vergne não venceu nenhuma e desperdiçou momentos importantes, como uma vitória que parecia muito próxima em Mônaco — e acabou indo para Stoffel — ou as duas vezes em que chegou em segundo após sair na primeira colocação, em Roma e Jacarta, as duas vencidas por Evans — falaremos disso mais adiante.

Se a necessidade de conquistar uma vitória era óbvia na parte final do campeonato, as últimas seis etapas trouxeram um verdadeiro pesadelo para o francês — que viu todos os seus planos ruírem a partir de Nova York. Com pontos em todas as corridas até ali, Vergne rodou logo na primeira volta, após toque com Evans, e percebeu que o fim de semana seria realmente complicado.

Jean-Éric Vergne pontuou muito, mas ficou devendo uma vitória até o fim (Foto: DS Techeetah)

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Sem conseguir se recuperar, Vergne andou em 19º até o fim da disputa e ainda abandonou no fim da corrida do dia seguinte, completando o primeiro fim de semana sem pontos da temporada. O grande problema é que a situação se repetiu em Londres, na etapa seguinte, com mais uma prova zerada e outro abandono. Assim, as possibilidades pela taça se esvaíram.

O francês até conseguiu conquistar 16 pontos nas duas últimas corridas e deixou o ano com algumas atuações de destaque, como o segundo lugar em Berlim, mas não conseguiu executar seu plano com a mesma eficiência do campeão: sobrou regularidade na primeira parte do campeonato, mas faltou manter o nível até o fim e garantir vitórias que impedissem a aproximação dos rivais. Em 2023, o desafio será ao lado do próprio Vandoorne na DS Penske.

Ainda que a temporada de Mortara tenha sido bem diferente do ano de Vergne em termos de equilíbrio, o fim de campeonato aconteceu quase que simultaneamente para ambos. O já mencionado jejum de vitórias de Vergne cobrava o preço na décima corrida do campeonato, quando Mortara já tinha dois abandonos — e três vitórias.

Assim, mesmo que a falta de regularidade do suíço impedisse um distanciamento na tabela, o piloto da Venturi tomou para si a liderança do campeonato após a décima corrida, em Marrakech — Mortara tinha 139 pontos, contra 128 de Vergne, 125 de Vandoorne e 124 de Evans. Ou seja, apesar dos dois abandonos, o companheiro de Lucas Di Grassi compensava com três vitórias e duas poles até ali.

Mortara dominou corrida em Marrakech, mas também perdeu força na reta final da Fórmula E (Foto: FIA Fórmula E)

No entanto, as últimas três etapas — todas em rodadas duplas — trouxeram a ruína de Mortara. O quinto lugar no eP de Nova York 1 até parecia um bom resultado após o caos que encerrou a corrida na chuva, mas uma punição após a prova derrubou o piloto para o nono lugar e complicou a situação.

O cenário não melhorou a partir daí, com uma péssima classificação na segunda corrida americana que causou a necessidade de uma prova de recuperação no dia seguinte. O décimo lugar até veio, mas o piloto já via sua situação se complicar na briga pelo título. Em Londres, o balde de água fria definitivo: uma pancada de Sam Bird logo na largada e mais uma classificação para esquecer determinaram o fim do sonho antes de Seul.

Na Coreia do Sul, já ciente de que o título iria realmente ficar entre Vandoorne e Evans, Mortara somou seu terceiro abandono na corrida 1. No encerramento da temporada, porém, voltou ao ritmo habitual da primeira parte do ano e superou todos os concorrentes rumo à vitória — terminou com quatro, único a alcançar o feito além de Mitch.

Ainda que tenha saído decepcionado de 2022 após se mostrar a principal força até Marrakech, Edoardo sofreu com circunstâncias negativas na reta final do campeonato e mostrou credenciais de alguém que parece pronto para ser campeão da Fórmula E. Incumbido da tarefa de liderar o projeto da Maserati em 2023, o suíço promete voltar como um dos principais postulantes à taça.

Evans venceu três vezes a mais do que o campeão, mas saiu zerado de quatro corridas e viu esforço não ser suficiente (Foto: Fórmula E)

Por fim, o único que se manteve com chances de destronar Vandoorne até o fim. De todos os concorrentes ao título, foi Evans aquele com o pior início de campeonato: apenas um ponto nas três primeiras corridas. A temporada virou de vez em Roma, quando o neozelandês simplesmente dominou o fim de semana e venceu as duas corridas com uma estratégia de uso de energia imbatível.

Ciente de que estava de volta à briga, Mitch emendou mais um pódio em Mônaco e venceu a terceira em Jacarta, dando mostras de que a possibilidade de recuperação era real. No entanto, assim como com Vergne e Mortara, retornemos a Nova York: a batida entre Mitch e Jean-Èric foi extremamente simbólica e mostra exatamente o maior mérito daquele que saiu com a taça no fim: não se envolver em acidentes.

Foi nos Estados Unidos que a estratégia de Vandoorne começou a se sobressair, já que dos quatro postulantes ao título, apenas ele e Mortara pontuaram — 12 para o belga, três para o suíço. Evans até conseguiu se recuperar rumo ao pódio no dia seguinte e ainda emendou a quarta vitória na primeira corrida de Seul, mas as quatro etapas sem pontos já haviam cobrado o preço.

O cenário da etapa seguinte, em Londres, já via a disputa ficar concentrada entre Evans e Vandoorne — e a sequência de acontecimentos na ExCel Arena deixou claro que o título não iria para a garagem da Jaguar. Em momento absolutamente decisivo, Evans chegou a ser o único dos concorrentes a estar pontuando e saiu de 14º para quarto — quando o trem de força do carro engasgou no segundo minuto da prorrogação e o piloto foi forçado a abandonar.

Os rivais bem que tentaram, mas não teve jeito: Vandoorne ficou com o título da Fórmula E (Foto: Fórmula E)

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Na última corrida, mesmo com a vitória na véspera, a situação já era próxima ao impossível para Mitch, que precisava tirar uma desvantagem de 21 pontos. Apesar de o título ter ido para a garagem da Mercedes, a velocidade de Evans impressionou em 2022 e trouxe a impressão de que o piloto subiu de nível, aliando a já conhecida velocidade com a capacidade de ler as corridas e entender a melhor abordagem possível.

Não fosse um início lento de temporada, o neozelandês seria um fortíssimo candidato para levantar a taça ao fim do ano. Único que continua com a mesma equipe para 2022 — entre os que brigaram pela taça —, Mitch ofuscou de vez o experiente Sam Bird e saiu com muitos predicados para concluir a missão em 2023.

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