Retrospectiva 2025: Di Grassi, Sette Câmara e Drugovich têm ano de contrastes na Fórmula E
Lucas di Grassi enfrentou temporada completa com instabilidade, mas salvou um pódio em Miami. Sérgio Sette Câmara regressou e pontuou em Berlim. Felipe Drugovich estreou com recuperação espetacular e saiu da capital alemã com moral
A temporada 2024/25 da Fórmula E contou com presença constante do Brasil no grid, mas também revelou realidades distintas para seus representantes. Lucas di Grassi encarou mais um ano de dificuldades na categoria, com momentos de brilho pela novata Lola Yamaha. Enquanto isso, em Berlim, Sérgio Sette Câmara fez uma aparição pontual pela Nissan e Felipe Drugovich estreou pela Mahindra, logo mostrando credenciais para um futuro na categoria elétrica.
Di Grassi foi o único brasileiro a disputar todas as etapas do campeonato e viveu uma temporada marcada por problemas já esperados, pelo fato da Lola Yamaha estrear como fabricante de trens de força. A favor dele, porém, flashes de esperança. Mantido pela ABT para liderar o início do projeto da Lola Yamaha na Fórmula E, terminou o campeonato no 17º lugar no Mundial de Pilotos, com 32 pontos. Mas também foi o responsável por um dos momentos mais simbólicos do ano: o primeiro pódio da recém-reformulada equipe quando levou o segundo lugar no eP de Miami — resultado que marcou o primeiro pódio da Lola no cenário internacional desde 1988.
Apesar do momento de glória, o ano de estreia da renomada marca na categoria elétrica foi de mais baixos que altos. Sofreu com uma série de contratempos e alternativas de acerto que nem sempre deram certo — o que, naturalmente, afetou os resultados de Di Grassi. O começo foi difícil, com problemas que prejudicaram a performance, além de alguns abandonos — como em São Paulo e Mônaco — e a desclassificação no eP de Jedá 1 por uso excessivo de energia. Ainda assim, o brasileiro mostrou evolução e algumas boas atuações, como o quinto lugar em Tóquio e as nonas colocações em Xangai e Londres, quando o rendimento apontou que o pacote tinha potencial, se bem explorado.
O penúltimo fim de semana, em Berlim, resumiu bem a montanha-russa do ano: Di Grassi sofreu um forte acidente durante o TL3 por aquaplanagem, que forçou a troca de chassi e tirou tempo de afinação — e, consequentemente, acabou comprometendo seus desempenhos. Mesmo assim, no domingo mostrou ritmo e brigou pelo top-10 até um erro estratégico na segunda ativação do Modo Ataque que o deixou fora dos pontos. O saldo é um ano duro, mas com um pódio que valeu por muito em termos simbólicos para a Lola Yamaha. A comparação com o companheiro de equipe, o promissor Zane Maloney vindo de briga por título na F2, dá o tom: o jovem anotou zero ponto.

Além da trajetória de Di Grassi, o Brasil teve um fim de semana especial em Berlim, quando três pilotos representaram o país. Sérgio Sette Câmara e Felipe Drugovich disputaram a rodada dupla na capital alemã, substituindo, respectivamente, Norman Nato, na Nissan, e Nyck de Vries, na Mahindra — ambos desfalcaram suas equipes pelo choque de datas com as 6h de São Paulo, do Mundial de Endurance (WEC).
Sette Câmara teve sábado difícil. Apesar de ser titular na categoria até a última temporada, não tinha familiaridade com o carro Gen3 Evo e teve dificuldades com pista molhada. Classificou no 21º lugar e acabou envolvido em colisão com David Beckmann que comprometeu o resultado, recebendo a bandeira quadriculada no 15° lugar.
No domingo, o cenário melhorou significativamente. Apesar de largar em 20º, adotou estratégia de economia de energia inteligente e avançou bem no pelotão. Só que o safety-car logo após o primeiro Modo Ataque anulou sua oportunidade de usar energia extra. Mesmo assim, manteve-se consistente e terminou no 9º lugar. Com um pouco menos de azar, podia ter lutado pela vitória — Nick Cassidy, que ganhou a corrida, teve a mesma estratégia.

Já Drugovich fez sua estreia oficial pela categoria. Após participar de testes de novatos em 2024, competiu em seu primeiro eP e não fez feio. O sábado foi típico de um batismo de fogo: enfrentou penalização por troca de câmbio, uma espécie de herança deixada por De Vries que custou 20 posições na largada e ainda um stop-and-go de 10s por não conseguir pagar a sanção integralmente no grid. Na prova, envolveu-se em incidente com Oliver Rowland e Stoffel Vandoorne e chegou no 17º lugar.
No domingo, com pista seca e tudo alinhado, brilhou. A corrida exigiu excelente gestão de energia e paciência. Chegou a estar entre os três primeiros em parte da prova, e sustentou ritmo para terminar em 7º, conquistando pontos logo na primeira etapa na categoria. O resultado de Drugovich impressionou o paddock e o desempenho foi considerado um cartão de visitas forte, com grande potencial para garantir vaga no grid da Fórmula E no futuro, caso deseje.

No fim, o saldo brasileiro foi de contrastes. Di Grassi manteve viva a bandeira nacional com mais uma temporada completa, mas não conseguiu grandes resultados frequentemente. Sette Câmara e Drugovich aproveitaram a oportunidade em Berlim para provar que seguem prontos e capazes de disputar espaço. Agora, resta acompanhar os movimentos do mercado para saber se, em 2025/26, o Brasil terá mais do que um representante fixo no grid da Fórmula E.
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