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Long Beach volta a ter corrida mediana, porém indicativa: pódio é retrato de quem briga para ser campeão

O tradicional GP de Long Beach não costuma mesmo ser dos melhores do calendário, mas a edição 2019 teve um fator bem positivo: formou um pódio com os três pilotos que são amplamente favoritos ao título da temporada

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Lá se vão 35 anos da primeira edição do GP de Long Beach da Indy e, especialmente nos últimos tempos, uma coisa tem sido comum: as corridas não são exatamente maravilhosas por lá. Neste domingo (14), a história não foi diferente, com poucas ultrapassagens e um número bem menor de disputas que nas outras provas de 2019.
 
Dá para dizer que o fã da Indy já está acostumado com isso. Long Beach não vai sair do calendário, isso é um fato, afinal, até a F1 passou por lá bons anos antes de chegar a vez da categoria norte-americana. Com a casa sempre cheia desde os treinos livres, é também um dos palcos favoritos dos pilotos.
 
O que resta, então, é torcer para que as corridas no circuito de rua californiano tenha alguns duelos, mas, principalmente, boas histórias. E isso não podemos reclamar mesmo do que aconteceu em 2019.
 
O grande destaque da edição da prova foi não só o domínio de Alexander Rossi, mas também o pódio formado também por Josef Newgarden e Scott Dixon. Isso mesmo: pela primeira vez no ano, os três grandes favoritos ao título ocuparam as três primeiras colocações.
Alexander Rossi e Michael Andretti fazem história juntos (Foto: Indycar)
E cada um dos membros do trio de força da Indy teve uma história bem diferente na corrida. Para Rossi, foi aproveitar a pole e escapar dos problemas que vinham atrás, exatamente a mesma coisa que aconteceu em 2018, quando também havia sido dominante com pole e triunfo. E o peso da vitória foi grande para o #27: foi a 200ª da história da Andretti e uma bela homenagem ao avô, que faleceu no sábado.
 
"Você nunca pensa que vai ser assim. Sabíamos que seria uma batalha dura. A Andretti me deu um bom carro e foi a 200ª vitória para a equipe. Existe algum jeito melhor de comemorar do que com esta performance em Long Beach? Foi um grande dia. Eu não sei bem como isso aconteceu, mas tenho um grande carro e uma grande equipe comigo. Parabéns para eles. Essa é especial porque descobri que meu avô morreu no último sábado. Esta é pra ele e pro Michael pela 200ª vitória", disse Rossi, agora vice-líder do campeonato.
 
Do lado de Newgarden, foi mais uma corrida em que o americano pareceu buscar um resultado além do que seria o seu normal. O carro da Penske voltou a mostrar alguma desvantagem especialmente para Ganassi e Andretti, mas o americano soube fazer sua parte e contou com uma estratégia correta para ser o melhor dentre os que não estavam no 'Planeta Rossi'. Segundo lugar, terceiro pódio e quarto top-4 em 2019.
Josef Newgarden fez mais um pódio (Foto: Indycar)
"É difícil quando você não consegue competir entre os primeiros. Ou melhor, estivemos entre os primeiros, mas queríamos a vitória. É decepcionante, mas demos o nosso melhor hoje e acho que tivemos uma boa corrida na maior parte do tempo. O carro era rápido, um pouco à frente dos outros que estavam perto de mim. Alexander fez um bom trabalho, parabéns para a Andretti. Tivemos uma boa economia de combustível, a Chevrolet fez um bom trabalho para nós. Estivemos um pouco abaixo", reconheceu Newgarden, líder de 2019.
 
Enquanto isso, Dixon esteve em uma montanha-russa. Com bom ritmo, tinha tudo para chegar em segundo, mas a mangueira de combustível ficou presa em seu carro e o jogou para quinto. A reação veio no braço, com direito a uma punição para Graham Rahal já depois da bandeirada para herdar o terceiro lugar. Prejuízo bem menor em relação ao que Newgarden poderia ter construído na tabela de pontos.
 
"Foi uma infelicidade com o Rahal. Acho que ele errou na curva 8 e tentou voltar, mas você sabe como é a regra. Você não pode voltar a defender se alguém estiver ali, e foi o que aconteceu. Eu ia ultrapassar, atingi o pneu traseiro dele e recuei. Perdi o momento e a ultrapassagem. É uma daquelas coisas, se ele não tivesse reagido, eu teria o ultrapassado mesmo assim, mas isso é corrida, corrida disputada. O último stint foi muito forte para o nosso carro, infelizmente tivemos aquele problema na mangueira de combustível. Acho que poderíamos ficar em segundo. Parabéns ao Alexander, pilotou muito. Fizemos uma aposta com os vermelhos no começo, talvez não foi a coisa certa", explicou Dixon.
Scott Dixon arrumou um pódio no fim (Foto: Indycar)
Cada um com uma realidade diferente em Long Beach, cada um com uma trajetória diferente em 2019, mas os resultados conquistados por Newgarden, Dixon e Rossi, além da performance e do potencial de cada um, já indicam que a briga pelo caneco não deve escapar dali.
 
Apesar do enrosco com Dixon, Graham Rahal tem se fortalecido como 'quarta via'. Em Long Beach, voltou a andar bem e, mesmo punido, foi o quarto colocado. Não fosse o abandono em Barber, Graham estaria coladinho nos ponteiros. Deve se recuperar e, talvez, até acabe atrapalhando um pouco o trio. Da Califórnia, ficam as queixas pela punição por bloquear o neozelandês.
 
"Não é tão difícil de engolir, perderíamos a posição mesmo assim, meus pneus estavam gastos. Não tinha aderência nos freios, mas me movi o mais rápido possível e dei espaço pra ele. Nas regras, você pode fazer o seu movimento, que foi o que fiz na saída da curva, foi isso. Vamos discutir com os comissários. Não estou totalmente chateado por conta disso, foi um bom dia, nosso carro não era ótimo, mas nos esforçamos muito, é o que posso fazer. Fechei ele? Sim, eu fechei. Mas você pode fechar nessa categoria", comentou Graham.
Graham Rahal fez uma bela corrida (Foto: Indycar)
Quem certamente não estará em grandes disputas no ano é a Foyt, pelo menos em mistos e nas ruas. Em mais uma corrida complicadíssima, o time viu Matheus Leist ser acertado na largada e teve um Tony Kanaan com dores em Long Beach. O gaúcho foi 15º e o baiano foi 19º.
 
"Se olharmos o fim de semana, nosso resultado não foi ruim comparado aos treinos livres e classificação. Não é onde queríamos estar, não posso ficar feliz com o 15º, mas talvez seja um caminho para avançar para as próximas corridas procurando melhorar o carro o máximo que pudermos, especialmente para os circuitos mistos e de rua, onde estou tendo mais dificuldades. Estou ansioso para maio, mais do que animado. Sabemos que temos um bom carro para a Indy 500. Vamos com tudo", afirmou Matheus.
 
"Estou bem fisicamente, mas me sinto mal porque não conseguimos o resultado. Precisamos achar algo. Muito decepcionante. Eu estava bem. Minhas lesões foram os menores dos meus problemas, com certeza", resumiu Tony.