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Newgarden tem péssimo resultado no GP de Indianápolis e consequência pode ser fatal: deixou Dixon chegar

Josef Newgarden sofreu com uma classificação ruim e uma estratégia inexplicável da Penske e, em 15º no GP de Indianápolis, viu Scott Dixon colar na classificação do campeonato. E é assim que o neozelandês, que geralmente começa mal o ano, costuma ser fatal

Grande Prêmio / GABRIEL CURTY, de São Paulo / GABRIEL CARVALHO, de Campinas
Scott Dixon não é conhecido como um piloto que começa campeonatos com tudo. Mesmo sendo um dos melhores do planeta, o neozelandês costuma demorar para pegar no tranco e, só então, parte para inevitavelmente disputar o título. Só que em 2019 parece ser diferente.
 
Tudo bem que ainda não venceu, mas o piloto do #9 já tem ótimos 176 pontos e nada menos que quatro pódios em cinco etapas. Sabe quando foi a última vez que Scott teve quatro pódios antes da Indy 500? Nunca. Assim, o segundo lugar no GP de Indianápolis pode até ter ficado com um gosto amargo, já que Simon Pagenaud o superou na penúltima volta, mas, para o campeonato, foi espetacular.
 
"Foi duro. Sabia que teria problemas com a frente do carro, não sei porque foi equilibrado daquele jeito, mas senti que precisava de mais uns seis ajustes na asa dianteira. Talvez poderíamos segurar a distância, mas quanto mais esforço eu colocava, pior ficavam os pneus. Foi um esforço válido, uma corrida complicada. É triste ter liderado tantas voltas e não vencer, mas parabéns pro Simon, fez uma grande corrida e é ótimo vê-lo de volta no Victory Lane", falou Scott.
Scott Dixon colou em Josef Newgarden (Foto: Indycar)
O outro lado da história é Josef Newgarden, que era quem impressionava por ter quatro top-4 em quatro corridas. Só que o filme de 2018 se repetiu e Josef teve um GP de Indianápolis horroroso, conseguindo salvar apenas um 15º lugar.
 
É preciso ser justo: Newgarden foi o menos culpado, de longe. Fez uma classificação ruim, em 13º no grid, mas não foi muito diferente do que os demais da Penske. Na corrida, teve ritmo bom enquanto a chuva não aparecia e uma estratégia que parecia certeira para, com a chuva, aparecer no top-5. Foi isso que aconteceu, mas aí a equipe errou completamente na tática.
 
Inexplicavelmente, quando a amarela esperada causada justamente por um incidente com a chuva apareceu, a Penske calçou Josef com pneus de pista seca. E a aposta foi tão errada que o #2 foi aos boxes colocar os compostos de pista molhada ainda no safety-car. Só que aí também um mecânico deixou uma roda correr pelos boxes e veio uma punição. No fim, Newgarden foi de quinto para 12º e de 12º para 19º. O 15º lugar foi o limite no fim, mas o estrago na pontuação estava feito.
 
"Sabia que estávamos bem, achei que tínhamos parado na hora certa. O carro estava ótimo, consegui passar pelo tráfego, tudo estava dando certo até aquele último pit-stop. O que acho que nos prejudicou foi a última amarela, ainda tínhamos mais quatro ou cinco voltas de combustível, sabíamos ditar quando fossemos parar. Paramos na amarela, e não era a hora, a pista não estava das melhores. Provavelmente precisaríamos de mais três voltas nos pneus secos. Quando entrei no pit-lane, gritei para colocar vermelhos, pensei que a pista não estivesse molhada, não queria colocar os pneus de chuva e isso foi um erro. Deveria ter dito para ir com os de chuva, teríamos ido e sairíamos em primeiro. Uma calamidade de erro que colocou água no nosso chopp", resumiu Josef. 
Josef Newgarden teve um final de semana muito ruim (Foto: Indycar)
Como aconteceu no ano passado, Newgarden abre a maratona de maio e junho com um resultado bem ruim, mas agora o cenário é pior porque quem já está na sua cola - e são só seis pontos - é Dixon, o rei da regularidade e, certamente, quem mais sabe ganhar no grid da Indy. Não podia deixar chegar tão cedo, mas deixou. Agora aguenta o neozelandês.
 
A terceira via na disputa é Alexander Rossi, que chegava em Indianápolis como vice-líder. Acontece que a Andretti teve um final de semana horrível e o americano largou ainda mais para trás que Newgarden. E aí veio a infelicidade, o azar, como preferir. Rossi tomou um totó de Pato O'Ward antes mesmo de cruzar para abrir a primeira volta e deu no muro, danificando bastante o carro.
 
O #27 sequer teve como fazer uma corrida de recuperação, foi para os boxes e perdeu um caminhão de voltas, virando retardatário fixo da prova. O resultado final foi um terrível 22º lugar e a distância para Newgarden e Dixon aumentando.
 
"A corrida acabou antes de começar. Ficamos quatro voltas atrás para consertar a suspensão, e de lá só esperei abandonos. Nenhum quase aconteceu e terminamos em 22º. O que me consola é que tivemos um carro rápido. Acho que estávamos entre os mais rápidos na pista seca e o mais rápido na molhada. Hoje foi apenas o dia 'do que poderia ter acontecido", falou Rossi.
Alexander Rossi nem passou direito da largada (Foto: Indycar)
E Pagenaud, hein? É obviamente cedo para apontá-lo como candidato ao título porque o francês precisa provar mais vezes que está de volta, mas a vitória no misto do IMS foi daquelas que marcam. O desempenho na chuva foi simplesmente irretocável e Simon ainda teve gana para superar Dixon com apenas duas voltas para o fim. 
 
"O carro foi sensacional o dia inteiro. Foi estranho, pois pensei em alguns momentos que alguns estivessem poupando combustível, e não estavam, então não entendi o nosso ritmo muitas vezes. Quando começou a chover, não tinha conhecimento do acerto. Pensei no SportsCar, que estão correndo muito na chuva, pensei em atacar de uma vez e ver no que dava. Rapidamente percebi que nosso carro era muito melhor nos freios, então pude atacar e aquecer rapidamente os pneus, e assim ganhei várias posições e confiança. Notei que alguns estavam com problemas no desgaste de pneus, e nós não estávamos, continuei acelerando e tentando poupar. Foi incrível ver este ritmo na chuva. Corri muitos riscos, até mais que o Dixon precisou, mas porque estávamos em uma posição onde podemos arriscar, e o carro estava tão bom que dei 100% em todas as voltas. Honestamente, nas últimas duas voltas, quase pensei em manter o segundo lugar, mas notei que tinha muito ritmo, alcançamos o Scott e vi que tinha a oportunidade, mas não tinha mais o 'push-to-pass'. Minha única chance era colocar por dentro. Nada do que fiz hoje foi planejado, todas as ultrapassagens foram no instinto, e deram certo", disse Simon.
 
O pé atrás com Pagenaud está obviamente relacionado aos seus últimos dois anos, mas a pontuação do campeonato permite sonhar, afinal, são apenas oito pontos de desvantagem para o candidato natural Rossi.
Simon Pagenaud venceu a primeira em 2019 (Foto: Indycar)
Só que o dia foi de redenção para mais gente além de Pagenaud. Jack Harvey, por exemplo, completou um final de semana em que certamente fez a Meyer Shank perceber que todo esforço para alinhar o carro rosa não está sendo em vão. O primeiro pódio finalmente veio. 
 
"Lembrarei deste dia por um longo tempo. Foi sensacional conseguir o pódio. Sinto que estive no limite para conquistar algo assim por um tempo. Amo este lugar, foi bom para mim no passado. Grande corrida hoje no seco e no molhado. Espero que seja o primeiro de muitos com a Meyer Shank. Acho que tínhamos um grande ritmo no seco, tivemos problemas quando choveu, mas, quando secou um pouco, nos aproximamos do Scott. Foi um grande dia para o time. As pessoas esquecem que temos um programa de meia temporada. Pódios assim precisam ser valorizados", comemorou Harvey.
 
O top-3 quase teve outro estreante no IMS, inclusive. Matheus Leist superou todas as dificuldades da Foyt, contou com a chuva para a estratégia clicar e, na pista molhada, andou muito bem. Foi combativo, brigou com Pagenaud, com Harvey e se segurou bem no quarto lugar. O primeiro top-10 da carreira e, de quebra, o melhor resultado da equipe em quase três anos.
 
“Estou muito feliz com a corrida aqui em Indianápolis. Amo este lugar e ele também parece gostar de mim. Foi neste mesmo circuito misto que conquistei meu primeiro pódio aqui nos EUA. Foi aqui também minha estreia com vitória em oval, na preliminar da Indy 500 de 2017. Quero agradecer muito a todos os patrocinadores e todo time. Mesmo com todas as dificuldades que enfrentamos nas últimas corridas, a gente não desistiu e seguiu trabalhando forte para conseguir um resultado como este. Agora é seguir neste ritmo para entrarmos bem nas duas semanas da Indy 500”, festejou Matheus.
Matheus Leist esteve em tarde inspirada (Foto: Indycar)
Os outros dois brasileiros do grid não tiveram tardes gloriosas como a de Matheus. Helio Castroneves voltou ao grid com a Penske devendo em ritmo e acabou rodando ao voltar de uma de suas paradas, tomando voltas ao causar uma amarela parado na brita. Enquanto isso, Tony Kanaan ficou na estratégia errada e disputou apenas com o compatriota no fundo do grid.
 
"Cara, foi divertido estar lá de novo. Assim como meus companheiros, tive problema no seco, então estava esperando por um pouco de chuva para bagunçar nossa estratégia. Nosso carro estava melhor e conseguiria me livrar de problemas para alcançar uma boa posição. Infelizmente, tive problema ao sair com os pneus de chuva e rodei, mas conseguimos boas voltas e estamos preparados para a grande corrida em algumas semanas, é para isso que estamos aqui. E parabéns pro Simon. Ótima pilotagem no fim e ótima vitória. Feliz por vê-lo de volta ao Victory Lane", destacou Helio.
 
"Decidimos que dividiríamos as estratégias entre os carros, e a do Leist deu certo. Conseguimos nosso primeiro top-5 e estou muito feliz pelo Matheus. Tentamos coisas diferentes na estratégia para ficar lá na frente, mas não funcionou para mim. Estou feliz pelo time", valorizou Tony.



 
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