Rahal atinge nível em que sobrenome atrapalha. E comparação com Andretti é irreal

Graham Rahal é um dos melhores pilotos do grid da Indy na atualidade. Só que, para muitos, o americano continua sendo apenas o filho da lenda Bobby. Está na hora do tratamento mudar

É bastante comum no automobilismo que grandes pilotos tenham enorme facilidade de transformarem seus herdeiros em sucessores. Geralmente sem o mesmo talento, filhos, netos e sobrinhos vira e mexe aparecem nos grids das categorias de ponta. Nos EUA, na Indy, isso não é muito diferente, como na família Andretti, Unser, Foyt, Herta e, claro, Rahal.

Não dá para fingir que Graham Rahal chegou ao grid da Indy sozinho. Filho da lenda Bobby, o piloto de Ohio fez um ano na então Champ Car Atlantic e, na sequência, saltou para a categoria principal. Aos 18 anos de idade, lá estava o jovem Graham no meio de um grupo de pilotos consagrados.

Entre 2007 e 2009, Rahal vestiu as cores da poderosa Newman/Haas e teve seus altos e baixos, completamente naturais pela pouca experiência. De todo modo, com direito a uma vitória em St. Pete, começava a se estabelecer como alguém muito rápido, ainda que os primeiros enroscos tenham surgido, especialmente nos dois últimos anos.

Graham Rahal se transformou em um ótimo piloto (Foto: IndyCar)

Aí veio 2010 e Graham perdeu seu patrocinador principal, entrando em uma temporada absolutamente doida em que lutou para ter algum espaço. O piloto fez quatro corridas pela equipe de Sarah Fisher, uma pela DRR, seis pela Newman/Haas e a Indy 500 pela RLL, que passava por dificuldades e fazia apenas a Indy 500 na época. Até teve seus momentos, mas era impossível manter qualquer tipo de regularidade daquele jeito.

Aquele ano complicado foi chave para uma sequência bastante complicada para Graham, foi ali que o americano virou o fio. É que o piloto já não era mais nenhum garoto, seguia bastante rápido, mas começava a se envolver em muitos acidentes, os resultados sumiram. Em 2011 e 2012, passou sem vitórias pela Ganassi, naquela que poderia ter sido a grande oportunidade da carreira para ser campeão. Sem vaga para 2013, foi para a equipe da família, onde está até hoje.

Ali foi o momento em que a comparação entre Graham Rahal e Marco Andretti ganhou força. Eram dois pilotos sem grandes feitos, até rápidos, mas que nem de perto lembravam seus pais – e avô, no caso de Marco. Mais do que isso, se envolviam em acidentes, não buscavam resultados e corriam nas equipes de suas famílias. Em 2013 e 2014, esse discurso realmente era válido. Depois, não, de forma alguma.

Graham Rahal foi um dos grandes destaques do sábado (Foto: Indycar)

Ainda que muitos erroneamente tentem justificar a presença de Graham no grid apenas por conta de seu sobrenome, isso tem sido cada vez mais injusto. De 2015 para cá, um novo piloto surgiu. Daquela temporada em diante, não é mais que a RLL garanta lugar para Rahal, mas, sim, que Graham é peça fundamental para o desenvolvimento da equipe que, hoje, briga para ser até a terceira força da Indy.

Foram cinco vitórias conquistadas nas últimas seis temporadas, 17 pódios e até uma briga por título, com dois top-5 ao final do campeonato e sempre no top-10. Já não há qualquer exagero em dizer que Graham é um dos melhores pilotos do grid e que, com um carro mais competitivo, poderia muito bem até já ter sido campeão.

Em 2020, aos 31 anos, Rahal é um cara bastante maduro e responsável direto pelo crescimento do time de sua família. Consistente, o americano tem acertado bem o carro e tido belas performances em todos os tipos de pista. É verdade que Scott Dixon vive uma temporada de graça, mas dá para colocar, tranquilamente, Graham como o segundo melhor piloto até aqui, merecia bem mais pontos que tem até o momento, fruto de quebras e de acidentes em que nada teve a ver.

É difícil imaginar que Graham repita os três títulos de Bobby, a vitória na Indy 500 e está tudo bem. O grid da Indy não é feito só de lendas, mas também de ótimos pilotos e, certamente, Graham Rahal está entre eles. É hora de deixar de lado a comparação injusta com o pai e de esquecer, de uma vez por todas, o paralelo descabido com um Marco Andretti que se arrasta no pelotão há anos.

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