Migno pede mudanças após acidente grave na Moto3: “Não podemos continuar assim”

Envolvido no que definiu como um acidente “potencialmente fatal” no GP das Américas, o jovem italiano pressionou os dirigentes do Mundial de Motovelocidade a fazerem mudanças para garantir a segurança dos pilotos

Grave acidente envolveu diversos pilotos da Moto3 e encerrou a prova (Vídeo: Reprodução/DAZN)

Andrea Migno cobrou mudanças na Moto3 após o que definiu como um acidente “potencialmente fatal” no GP das Américas de domingo (3). O piloto da Snipers lembrou as mortes de Jason Dupasquier, Hugo Millán e Dean Berta Viñales e sublinhou que as coisas não podem seguir como estão.

A corrida em Austin foi interrompida ― com atraso ― pela primeira vez na volta 7, após uma queda feia de Filip Salac. A disputa, porém, foi retomada para cinco voltas, já que não tinham sido concluídos os 2/3 necessários. Depois de três voltas, a bandeira vermelha precisou ser acionada mais uma vez, agora por um acidente mais grave.

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MOTO3; ACIDENTE; CIRCUITO DAS AMÉRICAS;
Acidente gravíssimo encerrou corrida da Moto3 com bandeira vermelha nos EUA (Foto: Reprodução)

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Deniz Öncü acabou tocando a roda dianteira de Jeremy Alcoba, provocando a queda do espanhol. Andrea Migno e Pedro Acosta caíram na sequência, mas, por sorte, as motos foram as únicas atropeladas neste domingo.

Os chefes de equipe, então, se reuniram com a direção de prova para decidir o que fazer a seguir. A decisão foi de validar o resultado do momento da primeira interrupção, o que culminou com uma vitória de Izán Guevara.

Logo após o susto, Migno fez um desabafo nos microfones da emissora italiana Sky e cobrou uma atitude da FIM (Federação Internacional de Motociclismo) e da Dorna, promotora do Mundial e também da Talent Cup Europeia e do Mundial de Supersport 300, as categorias que vitimaram Millán e Viñales.

“Estávamos em uma queda potencialmente fatal. Quem está no comando precisa fazer alguma coisa agora”, disse Migno à emissora italiana Sky. “Este ano, três caras perderam a vida. Nós não podemos continuar correndo assim. Eles precisam mudar alguma coisa. Alguém poderia ter morrido hoje também. É preciso dizer e encarar a verdade. Estou feliz que nada tenha acontecido comigo, mas fiquei realmente assustado”, admitiu.

“Está tudo bem, pois ninguém se machucou. Mas e a semana passada? O que mais precisa acontecer? Isso te faz estremecer, mas é a realidade. Espero que mais este episódio pressione aqueles no comando a fazer alguma coisa”, encerrou.

Líder do Mundial de Moto3, Acosta foi arremessado da moto e disse ao diário espanhol AS que saiu bem por um milagre.

“Faltou pouco, faltou pouco. Não sei por que estamos caindo na reta. Não entendi muito bem. A do Migno, sim, porque quando vamos em um grupo de sete ou oito, é normal que, se alguém cai, que outro o atinja. Eu também me choquei com ele, mas menos mal que estou bem. O primeiro impacto foi com a coluna e, por isso, fiquei um pouco no chão, mas sem consequências”, comentou.

Pedro, porém, não soube dizer a que altura voou. “Não sei. Eu só via terra, céu, terra, céu, até que parei. Bom, foi bonita, né?”, brincou.

O piloto da Ajo contou após revisar a corrida que chegou a seis metros de altura ao ser arremessado da moto.

“Calcularam que voei a seis metros de altura e a 50 metros de distância. E, sim, atingi o muro, o que me fez girar como um pião. Senti o golpe na coluna e vi que conseguia me mexer, o que me tranquilizou”, explicou. “O que não pode acontecer é que não saibamos o motivo de cair na reta. Já são três perdas neste ano, então precisamos fazer algo”, cobrou.

Chefe da Tech3 e também presidente da IRTA (Associação Internacional das Equipes de Corrida), Hervé Poncharal contou que os dirigentes pensaram em reiniciar a disputa, até mesmo no fim do dia, mas acabaram por decidir dar a disputa por encerrada.

“Honestamente, ficamos muito assustados quando vimos o que aconteceu na segunda parte da corrida. Felizmente, e isso é um alivio enorme para todo o paddock, todos estão bem, o que é o mais importante”, disse Poncharal. “Discutimos relargar para outra corrida de cinco voltas ou fazer a Moto3 no fim do dia, mas, no fim, acho que tomamos a decisão certa e todos concordaram de encerrar o dia da Moto3. Tínhamos voltas o bastante para usar como resultado”, completou.

Öncü, aliás, foi punido pela FIM e não poderá correr nos GPs do Feito na Itália e da Emília Romanha, em Misano, e no GP do Algarve, em Portimão.

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