Do rótulo pesado à vitória da MotoGP: talento faz estrela de Quartararo brilhar

Se a história da passagem por Moto3 e Moto2 não fez jus à pompa com que chegou ao Mundial de Motovelocidade, a MotoGP serviu para mostrar para o mundo que Fabio Quartararo é um daqueles talentos raros que aparecem no esporte

Você pode até não lembrar, mas em 2015, antes mesmo de completar 16 anos, Fabio Quartararo chegou ao Mundial com um rótulo pomposo: o de novo Marc Márquez. A passagem pelas categorias menores justificava a alcunha: o francês de Nice tinha sido campeão nos regionais espanhóis de 70, 80 e 125cc e bicampeão do CEV (Campeonato Espanhol de Velocidade) de Moto3, uma das principais ‘peneiras’ da atualidade.

O reconhecimento pela capacidade do piloto era tamanho que a MotoGP mudou a regra para permitir a estreia no Mundial. Naquele tempo, só competidores com mais de 16 anos podiam correr. Por Fabio, nasceu a exceção ao campeão do CEV, que podia debutar com um ano a menos.

A estreia aconteceu pela Estrella Galicia 0,0, a equipe que é comandada por Emilio Alzamora, o mentor de Marc Márquez. A parceria durou uma temporada. Fabio quis correr com a Leopard, campeã de 2015 com Danny Kent na Moto3, no ano seguinte. O #20 queria se aliar novamente ao engenheiro Christian Lundberg, com quem tinha trabalhado no CEV.

A comemoração de Quartararo no pódio (Foto: SRT)
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Mas o sucesso não veio. Nas 31 corridas que fez entre 2015 e 2016 na Moto3, Quartararo conquistou apenas dois pódios ― dois segundos lugares. Ainda assim, Fabio carimbou o passaporte para a classe seguinte. Em 2017, estreou na Moto2 pela Pons, mas ficou por lá apenas uma temporada, mudando para Speed Up no ano seguinte. E foi aí que os melhores resultados apareceram, ainda que tenha sido apenas uma vitória, um segundo lugar e uma pole.

Isso, porém, foi o suficiente para garantir o salto para a MotoGP no ano passado. Como tinha decepcionado nas classes menores do campeonato organizado pela Dorna, Quartararo chegou acompanhado de dúvidas. Na época, parecia que a escolha da SRT era um erro.

Ao lado de Franco Morbidelli no time comandado por Razlan Razali, Quartararo logo mostrou que não tinha sido uma escolha errada. Fabio ofuscou o companheiro mais experiente, somou seis poles e sete pódios, e chegou a disputar a vitória com Marc até a curva final.

Como sempre aconteceu na carreira do francês, o destino foi definido de forma precoce: ainda em janeiro deste ano, o #20 foi anunciado pela Yamaha como substituto de Valentino Rossi no time de fábrica a partir do próximo ano. Enquanto isso, Quartararo foi um dos destaques da pré-temporada, rapidamente extraindo o melhor da nova versão da YZR-M1.

A primeira vitória era questão de tempo. Quem acompanha o Mundial sabia que era uma questão de quando e não de se. E ela chegou em grande estilo neste domingo (19), na abertura da temporada 2020 da MotoGP.

Fabio começou o fim de semana perdendo os primeiros 20 minutos do TL1 por conta de uma infração ao regulamento de treinos do Mundial. O que parecia uma punição besta acabou cobrando um preço, já que o forte calor fez com que os melhores tempos viessem justamente na atividade matutina. No dia seguinte, em meio a um grid altamente competitivo, o #20 renovou o recorde de Jerez ― que já tinha estabelecido no ano passado ― e cravou a pole. Apesar do bom ritmo, Fabio era um pouco menos competitivo do que Marc e Maverick Viñales, com quem dividia a primeira fila.

Quando as luzes se apagaram, Maverick e Marc tomaram o protagonismo, mas um primeiro erro levou o #93 para o fundo do pelotão. Fabio, então, se recompôs de uma largada mais ou menos e tratou de tomar a liderança de um #12 que sofria com o desgaste de um par de pneus macios calçados na Yamaha.

Enquanto ia abrindo vantagem na ponta, o mais velho dos Márquez escalava o pelotão. Depois de cair para 16º, o piloto da Honda entrou na briga pelo pódio e parecia pronto para roubar os holofotes do francês. Mas, com quatro voltas para o fim, o #93 sofreu uma forte queda que o deixou com um braço fraturado.

Depois de bater na trave no ano passado, Quartararo viu a providência jogar a seu favor e colocou um ponto final em um longo jejum de vitórias da França na classe rainha.

“Sabe, é estranho correr sem os fãs. E, honestamente, eu adoraria que eles estivessem aqui para comemorar com eles, pois, sinceramente, esta corrida foi por eles, por todas as pessoas afetadas pela Covid-19”, disse Fabio. “É também para a minha família, meu irmão que sempre me apoia e os meus pais”, seguiu.

Apesar da pressão de vencer a primeira corrida, Quartararo disse que se sentiu “mais seguro” do que quando liderou na Tailândia no ano passado, mas apesar das dez voltas “mais longas da minha vida”.

“Aqui foi uma corrida totalmente diferente, porque eu abri vantagem. Então foi mais fácil ficar focado na última volta, porque eu estava muito mais seguro do que na última volta na Tailândia, quando eu estava no limite”, comparou. “As últimas dez voltas foram as mais longas da minha vida, por ficar focado nesse tipo de condição, onde a aderência é realmente baixa”, relatou.

A vitória, porém, não veio sem susto, já que o francês se lembrou do GP da Espanha do ano passado, quando teve um problema com o câmbio.

“Tive um dos momentos mais assustadores da corrida. Estava exatamente no mesmo lugar [curva 5], queria colocar a marcha e [fez barulho]. Eu pensei: ‘Ah, não, não como no ano passado’. No fim, desci uma marcha e ficou ok”, completou.

Com Marc fora de combate ainda por um período incerto, Fabio vai ter a pressão do protagonismo, mas agora parece pronto para lidar com isso. Talvez o #20 não seja o ‘novo Marc Márquez’. Mas ser Fabio Quartararo é bom o suficiente.

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