Ducati cria caos desnecessário e se diminui ao virar refém da pressão de Marc Márquez

A Ducati desrespeitou a hierarquia que tinha adotado nos últimos anos e novamente jogou fora Jorge Martín, que assinou com a Aprilia. A mudança se deu após ultimato de Marc Márquez, que recusou correr pela Pramac em 2025 e exigiu uma equipe de fábrica para novamente chamar de sua, como fez com a Honda no passado

A notícia caiu como uma bomba no mundo da MotoGP nesta segunda-feira (3): a Ducati cedeu a um ultimato dado por Marc Márquez e vai colocar o octacampeão mundial ao lado de Pecco Bagnaia na próxima temporada da classe rainha do Mundial de Motovelocidade. A novidade pegou todo mundo de surpresa porque, na última semana, a montadora italiana havia indicado um outro caminho para 2025.

Na última semana, a Ducati adiou o anúncio oficial do segundo piloto, que agora deve acontecer entre as etapas de Mugello Assen, mas, de acordo com o jornal italiano La Gazzetta dello Sporto martelo já tinha sido batidoJorge Martín será o companheiro de Francesco Bagnaia a partir da temporada 2025 da MotoGP. Era o caminho mais esperado por todos e, de certa forma, o natural depois de tudo que vimos nos últimos anos.

Martín foi promovido para a MotoGP em 2021, na satélite Pramac, mas já recebendo moto de fábrica. Na equipe, desencantou, passou por jejum, sofreu grave lesão e cresceu a ponto de virar postulante ao título em 2023. Fez um grande trabalho, é verdade, mas acabou batido por Bagnaia na última corrida da temporada, em Valência.

Depois de tudo que passou, e de ser rejeitado pela equipe de fábrica duas vezes, tudo indicava que 2025 seria o ano dele finalmente voar alto. E começou a atual temporada mostrando que merecia, de fato, estar em uma equipe de fábrica, como tanto sonhou. Hoje, lidera o campeonato e está encaminhado para novamente brigar pelo título, mas acabou novamente desprezado e decidiu partir para outro caminho: a Aprilia.

Jorge Martín e Marc Márquez disputaram vaga no time principal da Ducati (Foto: Red Bull Content Pool)

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Por outro lado, a Ducati tinha Marc Márquez. Hexacampeão da MotoGP e dono de invejável currículo, o espanhol chegou à satélite Ducati no início deste ano e tem alcançado bons resultados mesmo com moto defasada. Depois de muitos títulos e sofrimentos com a Honda, parece ter reencontrado a boa forma.

O caminho espero é que, agora, Márquez vá para o time titular da Ducati. E faz sentido, se pararmos para pensar, com dois campeões mundiais lado a lado. Será a chance, a partir de 2025, para o #93 provar que ainda é capaz de ser vencedor enquanto Bagnaia vai ter o mais difícil desafio da carreira. Falando assim, parece bonito, mas a montadora italiana poderia ter respeitado a hierarquia interna.

Em 2022, os italianos ficaram entre Enea Bastianini e Jorge Martín, dois destaques das satélites, para a promoção. Bastianini levou a melhor porque, mesmo sem ser brilhante em manobras ou arrojo, era consistente e levou a frágil Gresini a uma inesperada briga por título até poucas etapas para o fim do certame. Foi uma escolha complicada, mas justa, de certa forma.

A Ducati poderia ter buscado algum piloto veterano para furar a fila, mas decidiu seguir a lógica que vinha respeitando a anos, inclusive quando escolheu Pecco Bagnaia e Jack Miller em 2021. Agora, porém, a sensação é de que a força no marketing de Márquez fez com que a ambição brilhasse mais do que a lógica, desperdiçando a chance de ter uma dupla igualmente poderosa com Martín.

De acordo com o site Autosport, a decisão da Ducati veio após Marc Márquez publicamente recusar uma mudança para a Pramac, mesmo que o time tenha moto de fábrica, às vésperas do GP da Itália. O experiente espanhol quer uma equipe principal para novamente chamar de sua, como fez com a Honda no passado. E, assim, o acordo com Martín que parecia quase certo, virou uma distante memória para todos.

A Ducati é uma das maiores e mais respeitadas montadas da MotoGP por tudo que alcançou, especialmente nos últimos anos. Não cedeu a pilotos de calibre como Casey Stoner ou Valentino Rossi, nem mesmo teve medo de demitir Andrea Dovizioso — piloto que mais desenvolveu a moto Desmosedici. Agora, porém, engoliu seco o ultimato de Márquez e deixou um promissor Martín partir para a rival. Fila furada e expectativa de desarmonia pelos lados de Bolonha para 2025.

MotoGP volta a acelerar entre 28 de 30 de junho para o GP dos Países Baixos, em Assen, com a 8ª etapa da temporada 2024. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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