FIM muda diretrizes de concussão e impõe período de afastamento obrigatório
A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) anunciou nesta segunda-feira (12) uma nova diretriz para tratamento de concussões no motociclismo. O protocolo é resultado de um estudo que envolveu não apenas a entidade máxima do esporte, mas outras organizações
A FIM (Federação Internacional de Motociclismo) anunciou nesta segunda-feira (12) uma nova diretriz para tratamento de concussões no esporte. Ainda que, desde 2011, tenha adotado como referência a Declaração de Consenso Internacional sobre Concussão no Esporte, a entidade sentiu necessidade de lançar mão de ferramentas mais específicas direcionadas às demandas e riscos do motociclismo e implantou um período de afastamento obrigatório.
A FIM aponta que o novo guia é fruto do primeiro Medical Summit, realizado em 2024, em Lion, na França, e agradece o apoio de várias instituições, inclusive o Governo Federal da Austrália; o Dr. Michael Turner, que diretor-executivo da Fundação Internacional de Pesquisa em Concussão e Lesão na Cabeça; a FIA (Federação Internacional de Automobilismo); e o Federação Internacional de Rugby.
O novo protocolo, que foi validado em 3 de dezembro, durante uma reunião dos diretores da FIM, oferece diretrizes para avaliação, gerenciamento e processo de retorno ao esporte depois de uma concussão. As orientações são aplicáveis em todas as disciplinas do esporte.
“Colocar a segurança em primeiro lugar é essencial para a sustentabilidade do desenvolvimento do motociclismo”, defendeu Jorge Viegas, presidente da FIM. “Com a introdução dessas diretrizes de concussão, a FIM dá um passo decisivo para garantir que a saúde do piloto e o bem-estar do piloto sigam no centro daquilo que fazemos. Essa iniciativa reflete nossa responsabilidade de evoluir o esporte de forma segura, estruturada e cientificamente fundamentada, protegendo os pilotos de hoje e construindo um futuro mais forte e mais sustentável para o motociclismo no mundo”, completou.

▶️ Inscreva-se nos dois canais do GRANDE PRÊMIO no YouTube: GP | GP2
E entidade aponta que o ponto chave das novas diretrizes é um sistema conhecido como 9 R: reduzir, reconhecer, remover, remeter, repousar, recuperar, reabilitar, retornar ao esporte e revisar. O documento direciona a maneira de abordar a segurança dos pilotos e também determina um período de afastamento obrigatório em caso de concussão, diferenciado para crianças e adultos.
Diretor-médico da FIM e da Comissão Médica Internacional, o Dr. David McManus classificou as novas diretrizes como um passo importante na proteção dos pilotos.
“Essas diretrizes representam um passo à frente importante em proteger a saúde, o bem-estar e a segurança dos nossos pilotos”, disse McManus. “Elas são resultado de uma longa pesquisa, da consulta com especialistas e da colaboração com federações nacionais e outros esportes. Educação e conscientização são essenciais e essas diretrizes serão apoiadas por programas educacionais dedicados a pilotos, equipes, oficiais e federações”, assegurou.
A FIM ressalta que as diretrizes serão regularmente revisadas e atualizadas sempre que surgir uma nova evidência para manter o cuidado com os pilotos no mais alto nível. O novo protocolo é ativado a partir do momento em que a concussão é identificada, independentemente da gravidade ou se ainda for uma suspeita. Assim, “qualquer concussão relatada deve seguir a Estrutura de Retorno ao Esporte da FIM”.
O protocolo determina que a liberação de um atleta pós-concussão só pode ser feita por um médico, não mais por fisioterapeuta, enfermeiro ou quiroprático.
A FIM ressalta que a concussão é uma “lesão cerebral traumática” e que, como tal “todas as concussões são sérias”. Além disso, a entidade lembra que a perda de consciência nem sempre acontece e determina que todos os pilotos que apresentarem novos sintomas após uma lesão na cabeça: “devem ser removidos da pilotagem ou do treinamento; não podem voltar a pilotar ou treinar até estarem livres de sintomas ou até que todos os sintomas relacionados à concussão tenham sumido ou que tenham retornado aos níveis pré-concussão; tem de completar um programa de retorno gradual à pilotagem; e ser avaliado por um médico”.
Com o protocolo, a FIM impõe um período mínimo obrigatório de exclusão do esporte, já que nenhum atleta pode voltar à ativa antes de completar o Programa de Retorno Gradual ao Esporte. No caso de adultos ― acima dos 18 anos ―, o período mínimo de afastamento é de dez dias. Para crianças ― abaixo dos 17 anos ―, o afastamento é de 20 dias. O órgão lembra que esse afastamento ajuda a “prevenir outras lesões e até mesmo a morte”.
“Lesões na cabeça podem ser fatais. Não volte a pilotar se os sintomas persistirem”, lembra.
De acordo com a FIM, mesmo que a concussão não seja um diagnóstico fechado, o piloto deve ser removido das atividades em caso de suspeita.
“Períodos de exclusão obrigatórios serão aplicados se qualquer um dos sintomas ou sinais foram reportados ou testemunhados: perda de consciência; nenhuma ação de proteção tomada pelo piloto ao cair no chão, diretamente observada ou em vídeo; convulsão por impacto ou postura tônica (membros estendidos anormais); confusão ou desorientação; déficit de memória ou amnésia; falta de equilíbrio ou falta de coordenação motora; relatos dos pilotos de novos ou progressivos sintomas de concussão, como tontura, brancos; mudança no comportamento normal”, aponta.
A FIM indica, também, quais são as “bandeiras vermelhas” que devem servir de alerta para os profissionais de saúde: “dor no pescoço ou sensibilidade à palpação; tontura ou convulsão; perda de consciência; redução na escala de Coma Glasgow; aumento de confusão, agitação ou irritabilidade; distúrbios visuais (como visão dupla ou movimento anormal dos olhos); distúrbios auditivos; franqueza ou alteração na sensibilidade dos membros; deterioração no nível de consciência; vômitos; dor de cabeça severa ou crescente; e deformidade visível no crâneo”.
A diretriz aponta, também, que “repouso relativo e tempo reduzido de tela é encorajado nas primeiras 48h”, mas que sintomas que persistam por mais de dez dias devem fazer com que o atleta procure um especialista para acompanhar o caso. Caso os sintomas persistam por mais de 4 semanas, a orientação é buscar uma equipe multidisciplinar.
A MotoGP está de férias e só volta a acelerar nos dias 29, 30 e 31 de janeiro de 2026, com o shakedown direto de Sepang, na Malásia. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade.
MotoGP hoje: saiba aqui as notícias mais importantes da MotoGP
A redação do GRANDE PRÊMIO selecionou as notícias mais importantes das últimas horas para você ficar por dentro de tudo que acontece na MotoGP.
▶️ FIM anuncia importante mudança de regra às vésperas do início da temporada 2026
Confira o calendário completo da MotoGP
🏁 O GRANDE PRÊMIO agora está no Comunidades WhatsApp. Clique aqui para participar e receber as notícias da MotoGP direto no seu celular!
Acesse as versões em espanhol e português-PT do GRANDE PRÊMIO, além dos parceiros Nosso Palestra e Teleguiado.
📩 NEWSLETTER GP
Assine e receba notícias exclusivas e bastidores das pistas diretamente no seu e-mail!