Fim triste mostra que relação entre Viñales e Yamaha deveria ter acabado antes

Suspensão no GP da Áustria é o prego que faltava para enterrar de vez a relação do espanhol com a casa de Iwata. Não há qualquer razão para o Top Gun voltar a subir na YZR-M1

Imagem onboard relata como Maverick Viñales tentou danificar o motor da Yamaha no fim do GP da Estíria (Vídeo: MotoGP)

A relação entre Maverick Viñales e Yamaha acabou. Com ou sem contrato, não há nada ali a ser salvo e sequer existe justificativa para que a casa de Iwata permita que o espanhol volte a sentar na YZR-M1.

Maverick ainda não deu uma explicação para a maneira como atuou no GP da Estíria, mas tampouco é necessário ter acesso à telemetria da M1 #12 para constatar que algo errado se passou. Os dados de volta a volta divulgados pela MotoGP mostram que o espanhol foi excessivamente mais lento nas quatro voltas finais no Red Bull Ring ― até a volta 23, o tempo médio de Viñales era de 1min25s907, mas subiu consideravelmente nos giros finais: 1min30s320 na 24, 1min31s830 na 25, 1min30s654 na 26 e 1min37s361 na 27. Além disso, a câmera onboard mostra uma aceleração incomum.

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Não há razão para Maverick Viñales voltar a subir na YZR-M1 (Foto: Yamaha)

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Câmera onboard mostra o que Viñales fez com moto da Yamaha no fim do GP da Estíria

A Yamaha o suspendeu com a alegação de que constatou uma operação irregular da moto no GP da Estíria. Os japoneses não deram detalhes, mas é difícil imaginar que uma fábrica tomaria uma decisão como essas sem o respaldo necessário.

Os fãs da teoria da conspiração levantaram a suspeita de que a casa dos três diapasões sabotou a moto para impedir um bom resultado de Viñales. Mas, por mais divertidas que sejam essas ideias, é muito complicado mantê-las de pé. Inclusive, por razões óbvias.

A Yamaha não tinha motivo para prejudicar Maverick, especialmente por que poderia dispensá-lo em um piscar de olhos. Viñales já tinha pedido para sair, já tinha pedido para encerrar o contrato mais cedo. Bastava emular a KTM e antecipar a saída, como os austríacos fizeram com Johann Zarco em 2019. Tinha até um precedente!

Só que também é difícil achar uma justificativa para a atuação de Viñales. A moto tinha um problema? Não é o que parece. Já surgiu o rumor de que ele sinalizou à Yamaha um problema de motor, mas teve a queixa ignorada. Isso é motivo? Também não.

Alguém pode argumentar que existe uma explicação plausível para a postura de Viñales. Então vos trago as sábias palavras de Jack Miller: “Você é pago para pilotar a moto. É simples assim”.

O australiano, com seu jeitinho todo especial de falar, deu um recado claro: os pilotos são contratados para guiar no máximo de suas habilidades e, se a M1 não tinha um problema, então fica evidente que Maverick não deu o melhor de si naquela corrida.

Que o espanhol está descontente com a Yamaha, até a grama da área de escape sabe. Mas o casamento poderia chegar ao fim de uma maneira melhor.

Agora, só resta mesmo assinar o divórcio. Não existe nenhum motivo para que a Yamaha coloque Viñales em cima da moto outra vez. A fábrica perdeu a confiança no piloto. Maverick perdeu a vontade de vestir as cores da equipe. Não resta mais o que salvar.

Viñales foi a grande aposta da Yamaha para ser o sucessor de Valentino Rossi. E ele não conseguiu. Nem nos resultados, nem no carisma, nem em nada. E a chegada de Fabio Quartararo deixou isso mais do que evidente.

A Yamaha pode não ter preparado o futuro tão bem quanto gostaria e/ou deveria, mas, como todo mundo que vê um amor acabar, é hora de juntar os caquinhos e seguir em frente. Cedo ou tarde, há de surgir alguém para recompor esse coração partido. Dos dois lados deste casório.

A MotoGP volta a acelerar neste domingo (15), com o GP da Áustria, novamente no Red Bull Ring. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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