Bagnaia se agiganta em duelo com Marc Márquez e vence no melhor estilo em Aragão

O italiano de Torino não sucumbiu a pressão de duelar com o hexacampeão da MotoGP e foi impecável para espantar o azar e vencer pela primeira vez na classe rainha do Mundial de Motovelocidade

Francesco Bagnaia e Marc Márquez travaram um maravilhoso duelo em Aragão (Vídeo: MotoGP)

Perdoem o estrangeirismo, mas a melhor palavra para definir o GP de Aragão deste domingo (12) é ‘capolavoro’. Ou, em bom português, obra-prima. A primeira vitória de Francesco Bagnaia na MotoGP tardou a chegar, mas veio no melhor estilo. O italiano de Torino foi impecável nas 23 voltas e resistiu a uma enorme pressão aplicada por Marc Márquez.

Dono da pole, a 50ª da Ducati na MotoGP, o piloto de 24 anos não colocou um cisco no lugar errado nesta 13ª etapa da temporada 2021. Desde que as luzes se apagaram no traçado da província de Teruel, Pecco se manteve no comando, primeiro com uma boa largada, mas, depois, com uma atuação irretocável, inclusive na defesa dos ataques de Marc.

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Francesco Bagnaia conquistou a primeira vitória na MotoGP (Foto: Michelin)

CLASSIFICAÇÃO DA MOTOGP
Vitória de Bagnaia em Aragão diminui vantagem de Quartararo na MotoGP

Apesar de ainda não estar naquela velha forma, Marc Márquez é Marc Márquez e, em um circuito anti-horário como é o MotorLand, o favoritismo comumente recai no piloto da Honda. Mas não é pura e simplesmente uma questão de histórico ― e o #93 é o maior vencedor do traçado aragonês, com cinco triunfos. Nos treinos, o irmão de Álex mostrou um ritmo forte, que o colocava como um grande candidato ao triunfo.

Só que Pecco não vinha muito atrás. Aliás, a forma da Ducati foi um dos destaques do fim de semana. Cinco das seis motos da casa de Bolonha largaram no top-10 e quatro delas terminaram entre os dez melhores: Pecco, Jack Miller (5º), Enea Bastianini (6º) e Jorge Martín (9º). As exceções foram Johann Zarco, que acabou em 17º, e Luca Marini, o último.

No sábado, quando quebrou um recorde de pista que perdurou por anos, Bagnaia tinha mostrado as credenciais para uma boa corrida, mas é fato também que tinha certa sombra por ali. Afinal, ele tinha chegado perto algumas vezes, mas havia sempre algo faltando.

Desta vez, o ritmo estava lá. E a confiança veio na fé depositada pela equipe, pelos amigos e pelo mentor. Depois da corrida, Pecco contou que Valentino Rossi conversou com ele na noite passada, deixou claro que era a hora dele e foi incisivo ao falar da escolha de pneus.

“Esta vitória é para a Academia [de Pilotos VR46] com certeza. Nós trabalhamos todos os dias tentando melhorar, e eles nos ajudam muito. Todos os dias eles nos dizem o que fazer melhor. E nós tentamos nos sentir melhores a cada dia”, disse Bagnaia. “Ontem à noite, Vale me disse que hoje era meu dia, pois ele estava vendo meu ritmo, viu que eu era forte. Ele disse que Marc era o mais rápido, mas que eu era o segundo com o melhor ritmo. Ele me disse isso, e agora tenho de dar um abraço nele”, reconheceu.

“Ele me disse para ir para a corrida com duro-macio. Ontem, quando estava saindo do motorhome dele, ele ficou dizendo: duro-macio, duro-macio, duro-macio, duro-macio… Na última corrida, eu mudei o dianteiro para o macio e, na Áustria, a minha escolha de pneus foi diferente”, recordou.

Além de cravar na escolha de pneu ― que foi a mesma para quase todos os pilotos do grid, com exceção de Zarco, que colocou o médio na dianteira ―, Pecco manteve um ritmo de volta constante e resistiu a pressão de Márquez, que o acompanhou durante toda a corrida e só foi ao ataque nas voltas finais. Justamente como o italiano previa.

Ciente de que o mais velho dos Márquez viria para cima, Francesco fez a estratégia: se conseguisse passar, Marc não ficaria mais de uma curva na frente. E assim o fez. As voltas finais viram 14 trocas de liderança, mas o italiano conseguiu se livrar das garras do hexacampeão após a última tentativa, na curva 12, quando o piloto da Honda escapou da pista. O competidor da Ducati, então, subiu o ritmo e escapou de vez.

Com a vitória, Pecco chegou aos 161 pontos e avançou para a segunda colocação, descontando 17 da vantagem de Fabio Quartararo na liderança do Mundial de Pilotos. A performance apagadinha do francês aproximou os dois, mas a diferença é agora de 53 pontos.

“Terminar um trabalho assim dá mais motivação”, comentou Bagnaia. “Fabio perdeu muitos pontos, mas ainda tem muita vantagem. Quero ver o que vai acontecer”, completou.

A vitória chegou na 42ª das corridas do #63 na MotoGP, mas agora Bagnaia segue para a Misano, uma pista com a qual está mais do que acostumado e onde a Ducati costuma ter boas atuações. Se for como o roteiro habitual do Mundial, não vai tardar muito para que ele alcance o todo do pódio outra vez.

A MotoGP volta às pistas no próximo domingo (19) para o GP de San Marino e da Riviera de Rimini. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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