MotoGP

Retrospectiva 2018: Rivais falham por razões diversas, e Márquez gruda no pódio para chegar ao penta

Enquanto a Ducati pecou com a melhor moto do grid, a Yamaha percorreu 2018 com um protótipo difícil e temperamental. Alheio às dificuldades da concorrência, Marc Márquez ‘grudou’ no pódio e, mesmo com uma lambança memorável no meio do caminho, alcançou o pentacampeonato da MotoGP

Warm Up / JULIANA TESSER, de São Paulo
RETROSPECTIVA 2018

A temporada 2018 do Mundial de Motovelocidade alçou Marc Márquez a um novo patamar. Já considerado um dos maiores da história, o #93 entrou para um seletíssimo grupo e igualou o lendário Mick Doohan com o pentacampeonato da MotoGP.
 
Apesar de não ter na RC213V um protótipo dominante, Marc ‘grudou’ no pódio e ficou fora do top-3 em apenas quatro das 18 corridas ― o GP da Grã-Bretanha não aconteceu ―: com o 18º lugar na Argentina e o 16º na Itália e os abandonos de Austrália e Valência. 
 
No total, foram nove vitórias, o que representa 50% das etapas disputadas. Além disso, o piloto de Cervera conquistou quatro segundos lugares e foi terceiro uma única vez, subindo no pódio em cerca de 77,8% das vezes. O espanhol fez também sete poles ao longo do ano.
Marc Márquez não deixou passar em branco as tropicadas dos rivais (Foto: Repsol)
Muito embora os talentos de Márquez sejam bastante conhecidos ― e, inclusive, melhorem ano a ano ―, a caminhada em 2018 também foi marcada pela performance ― ou falta dela ― das concorrentes.
 
Depois de anos de calvário, a Ducati conseguiu avançar pelas mãos de Gigi Dall’Igna e, após brigar pelo título até a etapa final do campeonato passado, apareceu em 2018 com uma Desmosedici que é vista por muitos como a melhor moto do grid.
 
A qualidade da GP18, porém, não se refletiu em resultados, especialmente na primeira parte do campeonato. Andrea Dovizioso abriu o ano com vitória no Catar, mas, depois, degringolou, com três abandonos nas primeiras sete corridas. O #4 se tornou mais constante depois da passagem por Brno, mas, na frieza dos números, já era tarde demais.
 
Jorge Lorenzo, por outro lado, tardou a conseguir o que queria da Ducati. Em seu segundo ano com o time, o #99 só conseguiu encaixar com a Desmosedici a partir do GP da Itália, quando a casa de Bolonha trouxe um novo tanque de combustível, que tinha como meta deixar o piloto mais confortável. 
 
O piloto de Palma de Maiorca venceu três vezes no ano, mas também sofreu um belo de um revés. Por conta de uma falha da Ducati, Jorge caiu na Tailândia e acabou lesionado, ficando de fora de toda a parte asiática da temporada. Lorenzo ainda se despediu da casa de Bolonha em Valência, mas pouco pôde fazer, já que estava longe de sua melhor forma.
 
Enquanto a Ducati falhou com a melhor moto nas mãos, a Yamaha sofreu com uma YZR-M1 muito abaixo das possibilidades da casa de Iwata. Arrastando problemas desde 2016, a marca dos três diapasões enfrentou o maior jejum de sua história em 2018.
 
Depois de muito lutar, inclusive recrutando um especialista em eletrônica do Mundial de Superbike, a Yamaha conseguiu aparecer mais forte a partir de Buriram, com Maverick Viñales colocando um fim na seca na Austrália. Valentino Rossi esteve perto de vencer em Sepang, mas uma queda acabou por destruir o sonho do italiano.
 
No fim das contas, o avanço até apareceu, mas foi insuficiente em meio à força do grid atual da classe rainha.
 
Além disso, a Suzuki também cresceu em 2018, especialmente na comparação com o ano passado, mas ainda não o suficiente para fazer frente à Márquez. 
 
Talentoso que é, o #93 não deixou passar as falhas dos rivais e esteve próximo do impecável no caminho ao pentacampeonato.