Retrospectiva 2020: Binder vence duelo de novatos, mas Álex Márquez não faz feio

Dos três estreantes de 2020, Iker Lecuona foi o único que não conheceu o pódio da MotoGP em 2020. Mas os outros dois tiveram um bom primeiro ano

A temporada 2020 viu a chegada de três novatos na MotoGP: Álex Márquez, Brad Binder e Iker Lecuona. Do trio, o piloto da Tech3 foi o único que não sentiu a alegria de estrear no pódio, mas outros dois brigaram pelo rótulo de melhor estreante até a corrida final do campeonato.

A história de cada um deles no Mundial, porém, é diferente. Campeão da Moto3 em 2014, Álex passou cinco temporadas na Moto2, mas foi só no último que conseguiu o título. A vaga na MotoGP, porém, surgiu de última hora, com a desistência de Jorge Lorenzo, que optou pela aposentadoria na metade de um contrato de dois anos com a Honda. Assim, Álex foi escolhido para fazer dupla com o irmão Marc, o que, claro, gerou uma enorme pressão extra.

Binder, por outro lado, tem história na KTM, com quem competiu nas classes menores. Em meados do ano passado, a marca austríaca confirmou a promoção do sul-africano para a classe rainha via Tech3, na vaga que estava com Hafizh Syahrin, mas os planos mudaram após Johann Zarco abandonar do contrato com Mattighofen. Brad foi promovido ao time principal ― o que causou um climão com Miguel Oliveira.

Brad Binder foi o melhor estreante de 2020 (Foto: KTM)

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A equipe de Hervé Poncharal, então, surpreendeu e escolheu Lecuona para assumir o posto que ficou vago de última hora. Com 20 anos e só três temporadas e meia na Moto2 no currículo ― sendo o melhor resultado o 12º posto das campanhas de 2018 e 2019 ―, Iker chegou sem pressão e não fez nada muito impactante: a melhor classificação foi um 11º lugar, enquanto que o melhor resultado foi um nono posto, ambos no GP de Teruel. E ele também perdeu duas etapas: uma após o irmão testar positivo para Covid-19 e outro por ele mesmo adoecer.

Binder e Márquez, por outro lado, tiveram momentos bastante mais gloriosos. O sul-africano encantou já na terceira corrida, no GP da Tchéquia, e fez história ao conquistar a primeira vitória da KTM na MotoGP.

Nas demais corridas, o irmão de Darryn fez outros cinco top-10, mas registrou quatro abandonos e terminou o ano com o 11º posto, o terceiro entre os quatro pilotos da KTM.

Álex demorou um pouquinho mais para engrenar. Ao contrário do esperado, não pôde contar com o apoio presencial do irmão, mas também escapou da comparação direta, já que Marc perdeu a temporada toda por conta de uma fratura no braço. Ainda assim, o hexacampeão estava sempre disponível no telefone para qualquer orientação que se fizesse necessária.

Mesmo que tenha começado o ano desacreditado pela Honda, já que foi despachado para a satélite LCR antes mesmo do início do campeonato, o caçula dos Márquez não fez uma temporada ruim. A vitória não veio, é verdade, mas foram dois segundos lugares ― na França e em Aragão (um no seco e outro no molhado) ― e outros três top-10. A maior deficiência veio mesmo em classificação, onde o melhor resultado foi um décimo lugar em Teruel.

Ao fim das 14 etapas, Álex acabou em 14º, 13 pontos atrás de Binder. Lecuona, por sua vez, ficou com 60 pontos a menos que o piloto da África do Sul.

Apesar das diferenças entre os três, Binder, Álex Márquez e Lecuona dão mais uma mostra de quão bem as classes menores preparam os pilotos para a MotoGP. Resta ver se a receita será repetida em 2021 com Jorge Martín, Enea Bastianini e Luca Marini.

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