Retrospectiva 2020: Mir usa ano imprevisível para entrar para história da Suzuki

O espanhol não apenas tratou de sair da sombra do competitivo companheiro Álex Rins como aproveitou cada oportunidade oferecida na imprevisível temporada 2020 para entrar para a história da Suzuki e também da MotoGP

A temporada 2020 da MotoGP teve um desfecho que poucas pessoas apostariam dinheiro. Na ausência de Marc Márquez e em um ano bastante agitado tanto dentro quanto fora das pistas, Joan Mir foi quem aproveitou a falta da estrela do Mundial para tornar-se o improvável campeão da classe rainha e levar a Suzuki ao sucesso.

O que poderia acontecer ao longo do curto calendário de 14 provas aconteceu. Foram nove vencedores diferentes, sendo cinco deles inéditos, além de 13 nomes que subiram no pódio ao longo do campeonato. A Ducati também conseguiu o primeiro título de equipes desde 2007, com o espanhol da Suzuki levando pela primeira vez o caneco. Claro, não podemos esquecer ainda as corridas esvaziadas de público por conta da pandemia do coronavírus.

Caso o hexacampeão estivesse na pista os números poderiam ser diferentes e o encerramento mais previsível? Pode ser que sim, mas não é sobre isso esse texto. Aqui, vamos trabalhar com os fatos concretos e como o jovem de Palma de Maiorca saiu como um dos mais apagados do grid para a história da principal divisão do Mundial de Motovelocidade.

RETROSPECTIVA 2020
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Joan Mir agora faz parte da história da Suzuki (Foto: Michelin)

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A equipe nipônica vinha em clara evolução nas últimas temporadas. O retorno definitivo à classe rainha após uma saída repentina em 2011 aconteceu em 2015, e com os benefícios do regulamento, não demorou a crescer entre as adversárias. O sucesso não demora a chegar.

O time serviu de porta de entrada de Mir à classe rainha. Em 2019, subiu para a MotoGP após passar apenas um ano na Moto2, onde teve resultados positivos, chegando a terminar quatro vezes no pódio e encerrar o campeonato na sexta colocação da classificação.

Entretanto, em seu primeiro ano na principal divisão do Mundial, conseguiu ter desempenho apenas mediado. No começo do ano, ficou quatro corridas fora da zona de pontos, duas por abandono. Ainda, se acidentou na Tchéquia e perdeu duas corridas, somando apenas 92 pontos e fechando o ano em 12º. Ainda, tinha um competitivo Álex Rins ao seu lado, que venceu duas provas e fechou em quarto, para evidenciar a falta de resultados.

Portanto, quando começou 2020, o espanhol de Palma de Maiorca não era apontado nem pelos mais otimistas como um concorrente real ao título. E com dois abandonos nas três primeiras etapas do encurtado calendário, as coisas começavam a se desenhar complicadas. Mas não demorou a mudar.

Mir soube aproveitar cada oportunidade, e a ausência de Marc, para abocanhar o título para a Suzuki (Foto: Suzuki)

Na Áustria, quarta disputa do campeonato, subiu ao pódio e dali não saiu mais. Foram mais seis vezes dentro do top-3, contando com a vitória no GP da Europa, e saltou definitivamente entre os postulantes ao caneco. Depois de assumir a primeira colocação, não saiu mais e tratou de entrar para o seleto grupo de campeões.

Entre tantos comentários de que um título sem Marc não teria tanto valor, com Fabio Quartararo, por exemplo, endossando o discurso, o próprio espanhol tratou de jogar para escanteio e exaltar o feito conquistado por Joan e pela Suzuki. “Em uma temporada onde a constância foi chave, Mir terminou conquistando o título sem fazer nada especial. Conquistar isso no segundo ano na MotoGP tem muito valor”, chegou a comentar.

Mir soube aproveitar as oportunidades e não tropeçou em momentos decisivos. Tratou de manter a competitividade e a regularidade ao longo de todas as 14 etapas e, com a primeira vitória, tratou de saltar como apenas mais um em adaptação no grid para um dos pilotos da história da Suzuki e da MotoGP.

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