“Sinto que minha vida foi roubada”, lastima Iannone antes de julgamento por doping

A um dia do julgamento por doping, o italiano destacou como tem sofrido no último ano por não poder pilotar moto, algo que faz desde que nasceu

Andrea Iannone está prestes a ter seu futuro como piloto definido. A um dia do julgamento sobre seu caso de doping, que acontece em 15 de outubro, o italiano falou do difícil período que passou no último ano e como espera poder voltar para a Aprilia na MotoGP em breve.

O competidor de 31 anos tem cumprido suspensão desde 17 de dezembro do ano passado, após a FIM [Federação Internacional de Motociclismo] confirmar o teste positivo do piloto para esteroides anabolizantes em um exame feito no GP da Malásia. Desde o início alegando inocência, Iannone recorreu ao TAS [Tribunal Arbitral do Esporte] contra a suspensão por 18 meses, mas terá de enfrentar a Agência Mundial Antidoping, que quer elevar o gancho para quatro anos.

“Estou às vésperas do dia mais importante da minha vida. Nunca esperei vivenciar uma situação assim, mas os momentos difíceis sempre me fizeram mais maduro e, no momento, me sinto assim, mais maduro, mesmo que esteja sofrendo um pouco”, falou o piloto de Vasto.

Sobre o último ano, disse que “tem sido bastante difícil. Não sei se consegue entender se não passou por isso. Meu objetivo sempre foi superar esse problema de uma maneira positiva, espero voltar para a minha moto. A Aprilia sempre esteve ao meu lado e tem me esperado. Minha moto ainda está lá, sinto que também está me esperando. O sonho é ser mais forte do que antes.”

Andrea Iannone está suspenso por doping desde dezembro (Foto: Aprilia)

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Iannone ainda explicou ver a vida de um diferente ponto de vista, especialmente por ter sido proibido de fazer o que mais ama. “A vida é imprevisível. Às vezes, escuto meus amigos reclamando de coisas triviais e digo para aprenderem a apreciarem o que têm. Minha vida mudou muito, tenho pilotado uma moto desde quando nasci, mas agora me proibiram disso. Não desejo isso a ninguém”, comentou.

“Não piloto desde a corrida em Valência, no ano passado. Sinto que fui sequestrado, que roubaram minha vida. Não posso correr em um circuito que seja homologado pela FIM, praticamente todos eles. Eles me tiraram a coisa mais importante da minha vida de um dia para o outro, mas são essas as regras e pretendo respeitá-las”, emendou.

Por fim, Andrea descartou pensar em qualquer coisa que não seja envolvida com pilotagem e ainda fez seu balanço sobre a temporada em andamento. “No momento, não, pois ainda me sinto um piloto. O dia após a sentença vou entender qual será minha direção. Nunca parei de treinar, pedalo, vou à academia, faço tudo menos pilotar motos, como se fosse correr no fim de semana seguinte. Estou na melhor forma que já estive e mais consciente de minha força”, pontuou.

“Teria ido bem nesta temporada. Vi também que a RS-GP de 2020 está indo bem e isso me enche de orgulho. Do lado de fora me parece que o potencial da moto tem sido incrível até o momento. Também sei que a Aprilia também precisa de mim em certos aspectos, pois sou um piloto com método de trabalho diferente, estimulo as pessoas a minha volta, os desafios. Espero voltar em breve”, concluiu.

Apesar de toda a demora e incerteza, a Aprilia mostrou apoio a Iannone durante todo o processo. Entretanto, já disse não esperar pelo italiano para além de 2020, afinal, o mercado de pilotos está com boas oportunidades.

A primeira aparição do competidor no paddock da MotoGP desde o início do caso foi na primeira etapa da rodada dupla em Misano. Na época, Aleix Espargaró, companheiro de time, afirmou que achou Andrea diferente e que torce por boas notícias no julgamento.

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