Suzuki se agiganta no ano do centenário e recupera título após duas décadas de jejum

Sob a batuta de Davide Brivio, a Suzuki otimizou os recursos, acertou a mão com a GSX-RR e viu Joan Mir crescer e encerrar uma estiagem de títulos que vinha desde a conquista de Kenny Roberts Jr. em 2000

15 de novembro de 2020: a data que vai ficar marcada na história do centenário da Suzuki. 7.343 dias após Kenny Roberts Jr. cruzar a linha de chegada do GP do Brasil de 500cc de 2000 como campeão, a marca de Hamamatsu volta ao olimpo do esporte a motor, desta vez pelas mãos de um jovem e talentoso Joan Mir.

Neste domingo (15), o piloto de 23 anos não deixou passar o primeiro match-point e deu à marca fundada por Michio Suzuki o sétimo título na classe rainha do Mundial de Motovelocidade. Antes, apenas Barry Sheene, Marco Lucchinelli, Franco Uncini, Kevin Schwantz e Kenny Roberts Jr. tinham sido campeões com a marca que nasceu em 1920 como uma fábrica de teares.

Suzuki teve um 2020 digno de título (Foto: Suzuki)

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A Suzuki desembarcou na classe rainha do Mundial nos anos 70, mas saiu de repente no fim de 2011, uma consequência direta da crise econômica. Na época, prometeu voltar três anos mais tarde, mas o retorno em tempo integral aconteceu apenas em 2015, com um time composto por Maverick Viñales e Aleix Espargaró.

Aproveitando benesses previstas em regulamento, a Suzuki conseguiu evoluir rapidamente e, no ano seguinte, conquistou a primeira vitória da GSX-RR: com Viñales no GP da Grã-Bretanha. A linha crescente, porém, foi interrompida em 2017, quando um erro na escolha do motor deixou a fábrica estagnada.

O resultado ruim devolveu à Suzuki as concessões perdidas um ano antes, o que ajudou o time liderado por Davide Brivio a se reencontrar. 2018 já foi um ano muito melhor, com nove pódios ― cinco de Álex Rins e quatro de Andrea Iannone ―, mas as vitórias voltaram apenas em 2019, quando o piloto da moto #42 venceu os GPs das Américas e da Grã-Bretanha.

Então estreante na divisão principal, Mir teve um ano mais difícil, marcado por uma lesão importante sofrida em um teste em Brno. Na reta final da temporada, o balear já começou a mostrar evolução, mas foi só na pré-temporada deste ano que Joan se destacou para valer.

Em um campeonato marcado pelo inesperado, Mir se valeu da confiabilidade da GSX-RR e, apostando na regularidade, se posicionou bem na briga entre os ponteiros. A vitória no GP da Europa, então, ajudou a abrir 37 pontos de vantagem, com o GP da Comunidade Valenciana antecipando a chance de assegurar o título.

Além de colocar um ponto final em um jejum de 20 anos, a conquista de Mir tem até um componente poético. Afinal, é o ano do centenário da Suzuki e também o aniversário de 60 anos de história nas corridas.

O título chega, também, como um prêmio aos funcionários da equipe, que tiveram um ano especialmente difícil. A Suzuki é a marca que menos integrantes leva às corridas ― 32 ― e boa parte desses componentes ficaram longe de casa desde o início do campeonato, já que as restrições impostas pela pandemia do coronavírus impediu viagens entre Europa e Japão.

Válido ressaltar que, ao contrário de muitas das rivais, a Suzuki destina uma parte pequena do orçamento para as corridas. O projeto comandado por Ken Kawauchi na MotoGP, por exemplo, envolve menos de cem pessoas, quase que dez vezes menos do que o número de trabalhadores da Honda. Até o fim de 2018, a marca de Hamamatsu sequer tinha um departamento dedicado exclusivamente ao Mundial de Motovelocidade e engenheiros que trabalham nos projetos de motos de rua também se envolvem com o modelo de competição.

“Nosso orçamento é justo. É a política da empresa. A Suzuki prefere investir em outros setores, em pesquisa e desenvolvimento, por exemplo. Não nos falta nada, mas temos de ficar atentos a como utilizamos nossos recursos”, explicou Brivio ao jornal espanhol El Pais.

A juventude do time é também uma opção da fábrica, escolha do presidente Toshihiro Suzuki, que prefere talentos que possam ser desenvolvidos na casa para que identifiquem com os valores da companhia.

Por fim, é a cereja no bolo de uma equipe que escolheu o lado romântico do esporte, deu liberdade aos pilotos para que pudessem brigar um com o outro, pedindo apenas juízo e respeito mútuo, mas sem lançar mão de ordens de equipes para que aquele com um saldo de pontos menos polpudo atuasse como escudeiro do outro.

Brivio disse reiteradamente que, assim, o melhor venceria. E foi assim mesmo. Dona da melhor moto do grid de 2020, a Suzuki venceu. E já não era sem tempo.

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