Rossi vê agressividade extrema e pede ação após acidentes fatais em categorias de base

Em 2021, foram três mortes nas categorias de base de motociclismo, todos com menos de 20 anos. Valentino Rossi vê agressividade extrema e pede mais rigidez dos organizadores

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A morte de Dean Berta Viñales, de apenas 15 anos, na etapa da Supersport 300, em Jerez, novamente abalou o mundo do motociclismo. Esta foi a terceira vez em 2021 que um piloto morreu nas categorias inferiores, todos com menos de 20 anos. Em busca de regras que diminuam os riscos oferecidos aos jovens e controlem a agressividade nas pistas, o heptacampeão mundial da MotoGP, Valentino Rossi, deu sua opinião.

“O que aconteceu em Jerez é um desastre, ainda mais olhando para trás e vendo que já perdemos jovens pilotos três vezes este ano. O que podemos fazer? Acho que o problema mais perigoso do nosso esporte é quando um piloto bate e é atingido pelo piloto que vem atrás”, disse.

Além de Dean – primo de Maverick Viñales, competidor da MotoGP -, faleceram neste ano de 2021 o luso-suíço Jason Dupasquier, de 19 anos, na Moto3, e Hugo Millán, espanhol de 14 anos que corria na Talent Cup da Europa. Rossi chama atenção para o número de motos na pista e para a atitude dos pilotos, que mesmo em situações de bandeira amarela, procuram uma vantagem.

“A situação nas corridas (do Supersport 300) é bem perigosa, pois você tem muitos corredores – mais de 42 motos – e todos estão muito próximos. Então, o risco de isso acontecer (ser atingido por alguém que vem de trás) é enorme”, avaliou.

“O que podemos fazer, primeiro de tudo, é forçar que o piloto de trás tenha mais respeito pela bandeira amarela. Não sei exatamente a dinâmica da batida (em Jerez), mas quando os pilotos vêem uma bandeira amarela, tentam perder (tempo) o menos possível.”

Dean Berta Viñales morreu com apenas 15 anos (Foto: Reprodução/Twitter/Superbike)

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O italiano acredita que nos últimos anos, a agressividade dos pilotos na pista aumentou. Rossi disse que em alguns momentos chega a ficar assustado, pois vê os pilotos forçando até o máximo, sem pensarem nas consequências do que pode acontecer em caso de um acidente.

“Mas talvez essa seja uma forma de melhorar. Além disso, nos últimos anos, os pilotos, incluindo os mais jovens, têm sido muito agressivos. Quando você vê a corrida, é até assustador, porque todos dão mais do que o máximo e nunca pensam no que pode acontecer. Pra mim, todos precisam lembrar que corridas de moto são muito perigosas.”

Perguntado se aumentar o limite de idade poderia ajudar na situação, o campeão mundial opinou que talvez ajude, mas que não deve fazer muita diferença, pois a mudança seria pouca. Para ele, o caminho é ser mais duro nas penalidades, punindo cada ação na pista que gere perigo.

“Pode ser uma solução (aumentar o limite de idade) mas é difícil, porque se você aumenta um ou dois anos pode ajudar, mas não vai fazer uma grande diferença. Talvez, quem controle as corridas, especialmente as juniores, deva ser mais rígido e seguir mais atentamente o que acontece dentro da pista. Se alguém fizer algo perigoso, seja mais forte nas penalidades, talvez seja o caminho.”

“Acho nosso esporte fantástico, todos amamos, mas você precisa se mover com respeito aos outros pilotos porque tenho certeza que todos querem andar à frente. Mas existem algumas coisas mais importantes do que ganhar duas posições – sua segurança e a de seus rivais – e acho que essa é a mensagem que precisa ser forte no futuro”, encerrou.

A MotoGP volta às pistas no próximo dia 3 de outubro para o GP das Américas, em Austin, no Texas. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades do Mundial de Motovelocidade 2021.

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