Venceu, mas… Por que Viñales ficou sem selo de 1º a ganhar por três marcas na MotoGP?

Com a vitória na corrida sprint do GP de Portugal, Maverick Viñales, na prática, conseguiu vitórias com três marcas na MotoGP. Mas, ainda que tenha vencido com Suzuki, Yamaha e Aprilia, o espanhol não entrou no livro dos recordes do Mundial de Motovelocidade como primeiro a conseguir tal feito. Mas por quê?

Maverick Viñales viveu um caso de ‘venceu, mas não levou’ no fim de semana de GP de Portugal. O espanhol conseguiu na corrida sprint o primeiro triunfo da carreira com a Aprilia, mas, apesar de já ter triunfado com Suzuki e Yamaha no passado, o #12 não é oficialmente considerado o primeiro piloto a vencer com três marcas na MotoGP.

Parece estranho — e é —, mas até que faz algum sentido. E o GRANDE PRÊMIO explica como chegamos até aqui.

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Na temporada 2022, quando Dorna, promotora do Mundial de Motovelocidade, e FIM (Federação Internacional de Motociclismo) anunciaram que a MotoGP passaria a contar com corridas sprint em todas as etapas a partir do ano seguinte, nasceu junto uma polêmica: o impacto dessas corridas curtas no livro dos recordes.

Na prática, o temor era que o volume muito maior de corridas em relação ao que era feito antes acabasse por desvalorizar os feitos dos pilotos do passado. Por exemplo, um competidor poderia levar muito menos tempo para chegar ao recorde de 68 vitórias de Giacomo Agostini, ainda hoje o segundo mais vitorioso da classe rainha do Mundial, atrás apenas de Valentino Rossi.

Maverick Viñales venceu a sprint de Portugal (Foto: AFP)

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E a justificativa é até simples. No passado, as temporadas eram muito mais curtas. Ago, por exemplo, foi campeão das 500cc pela primeira vez em 1966, um campeonato que contou com só nove corridas — os GPs de Alemanha, Holanda, Bélgica, Alemanha Oriental, Tchecoslováquia, Finlândia, Ulster, Troféu Turista e Nações. Francesco Bagnaia, por outro lado, conquistou o primeiro titulo na elite do esporte em 2022, ano em que o calendário contou com 20 etapas.

Vale lembrar, porém, que na época de Agostini os circuitos eram maiores e os índices de segurança muitos piores. Usando o exemplo do campeonato de 66, a temporada teve corridas com, em média, 17,5 voltas, percorrendo 199,4 km por corrida na média. Em 2022, as corridas tiveram em média 24,4 voltas, com pouco mais 130,6 quilômetros de duração média.

Este tipo de número causou uma grita geral logo no anúncio da maior mudança de formato da história do Mundial de Motovelocidade. Originalmente, Jorge Viegas, presidente da FIM, tinha dito que a sprint teria o mesmo peso das corridas normais, mesmo com metade da distância e da pontuação.

“Podemos pensar melhor nisso, mas uma vitória é uma vitória. Tem um pódio, tem um troféu, então porque não contar?”, indagou na época.

No dia seguinte, contudo, o cenário mudou. A decisão foi de que, em não se tratando de um outro GP, as sprint não contariam como tal.

“No fim, não é outro GP que estamos incluindo no fim de semana, ao formato. Estamos, basicamente, mudando um treino por uma corrida sprint, que vai dar pontos, o que significa que, a partir de agora, para os dados históricos, é o domingo que vai seguir dando o vencedor do GP. O vencedor do GP será o vencedor da corrida”, confirmou Carmelo Ezpeleta, diretor-executivo da Dorna.

Quando as sprint entraram, efetivamente, em cena, essa decisão passou a ganhar contornos mais confusos, mas o ápice mesmo aconteceu em Portimão. Afinal, Maverick Viñales foi o primeiro, na era da MotoGP, a conseguir vitórias com três construtores.

Mas, se quiser o selo oficial do livro dos recordes, Viñales terá de alcançar a vitória no domingo. Mas, para deixar as coisas ainda piores, ele precisa correr para fazer isso antes de Jack Miller ou Álex Rins, os outros dois que também podem registrar tal feito ainda em 2024.

MotoGP volta à pista entre os dias 12 e 14 de abril, para o GP das Américas, em Austin, terceira etapa do campeonato de 2024. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa do evento, assim como das outras classes do Mundial de Motovelocidade durante todo o ano.

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