Dificuldade em encontrar praças dá chance para Stock Car elaborar formato mais realista

Duas classificações, duas corridas: o final de semana de Stock Car em Interlagos pode mostrar caminho para o futuro da categoria

A Stock Car já tentou começar a temporada em março e, claro, foi impossibilitada pela pandemia do novo coronavírus. Depois, buscando uma retomada, tentou iniciar o campeonato no começo de julho, no Velo Città. mas Mogi Guaçu não sai da fase laranja do plano do Governo de São Paulo de contenção a Covid-19. Aí, aproveitou que a Copa Truck conseguiu disputar sua etapa de abertura em Cascavel, para, na semana que iria viajar para o Paraná, ver um decreto voltar a proibir eventos esportivos.

Além disso, Santa Cruz do Sul foi proibida pelo Governo do Rio Grande do Sul de abrir parques públicos, e o autódromo local fica exatamente em um. A Confederação Brasileira de Automobilismo (CBA) chegou a soltar nota pedindo um posicionamento do Estado sobre a permissão do automobilismo por lá, mas nada.

Toda essa dificuldade em encontrar praças que permitam a realização de corridas em meio à pandemia fez com que a Stock Car chegasse a agosto com só uma etapa realizada: em Goiânia, no final de julho.

Pouco, é claro. Mas, por outro lado, uma inovação para o próximo fim de semana, quando a categoria vai a Interlagos, pode ajudar a encontrar um formato que muitos consideram o ideal.

É que toda a propaganda se refere à Corrida do Milhão, mas a famosa prova não será a única etapa do fim de semana. Se o tradicional domingo recebe a briga pela grande bolada, o sábado terá, também, uma disputa para chamar de sua.

Stock Car encontrou Goiânia, mas onde mais poderá correr? (Foto: Luís França/Vicar)

Com a difícil tarefa de encontrar autódromos no Brasil, a Stock Car mantém o desejo de realizar 12 etapas e, por isso, prometeu dobrar as disputas em alguns finais de semana. Este em Interlagos será o primeiro. A categoria vai chegar com apenas uma prova disputada, mas sairá com três. Acelera o processo, diminui os riscos de não chegar ao total desejado e, de quebra, dá chance a um novo formato.

Há quem considere a pontuação da Stock Car um pouco injusta, já que a corrida 2 dá quase o mesmo valor para o vencedor da 1 – com a diferença de que o grid apenas se inverte entre os 10 primeiros, não tem classificação.

Assim, há quem defenda a disputa de duas classificações e há quem prefira corridas em dias separados, para que ninguém abandone a primeira poupando o carro para a segunda. E a Stock Car, em Interlagos, vai misturar ambas as situações.

Quais autódromos receberão o inusitado pódio solitário? (Foto: Luís França/Vicar)

O sábado terá sua própria etapa, com classificação e, pouco depois, a prova. No domingo, a Corrida do Milhão também terá classificação exclusiva. Ambas com pontuação completa. Ambas com cada piloto sendo obrigado a dar o máximo para conseguir o melhor resultado. Sem estratégia por soma de pontos, ou de desgaste de pneu, ou de combustível. Nada disso.

A tendência é que a classificação ao final da rodada dupla seja mais realista: que os pilotos distantes do topo não briguem por lá no começo da segunda prova, como costuma acontecer em corridas 2, e não atrapalhem os que disputam o título. E que estes disputem posição entre si, somando – e perdendo – pontos fundamentais na disputa do campeonato.

Se isso tudo ocorrer e, mais ainda, as corridas forem realmente boas, vai ser difícil não repensar o formato para 2021 e adiante. Parece um fim de semana normal (ao menos dentro da pista), mas pode ser um momento de transformação.

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