McLaren condena “distrações” da Red Bull com “alegações frívolas e inconsistentes” à FIA
Chefe da McLaren, Andrea Stella explicou como as acusações da Red Bull contra o carro da equipe papaia ao longo das últimas temporadas acabou prejudicando o próprio time taurino. Mas pediu à FIA que estabeleça limites
Andrea Stella afirmou que a Red Bull acabou saindo prejudicada ao se preocupar excessivamente em encontrar algum tipo de irregularidade no carro da McLaren durante as últimas temporadas. E embora tenha dito que a equipe papaia permaneceu concentrada no próprio trabalho, o dirigente lamentou o fato de os times terem o direito de apresentar “alegações frívolas e inconsistentes” à Federação Internacional de Automobilismo (FIA).
Tudo começou ainda em 2024, quando a escuderia então comandada por Christian Horner — demitido no início de julho — acusou tanto a rival de Woking quanto a Mercedes de estarem tirando proveito de uma flexibilidade ilegal da asa dianteira. Como a entidade que gere o esporte a motor rejeitou o caso, o foco passou a ser o ‘mini-DRS’ nos carros de Oscar Piastri e Lando Norris, que virou assunto a partir do GP do Azerbaijão do ano passado.
Mas não parou por aí. Durante o fim de semana do GP de São Paulo, a Red Bull declarou que a McLaren estava injetando água nos pneus com o intuito de resfriar a borracha e ter um benefício nos stints longos. E o baixo desgaste dos compostos por parte da escuderia britânica fez a adversária dos energéticos levantar suspeitas sobre os freios do MCL39 logo depois do GP de Miami de 2025, chegando a mostrar imagens térmicas da peça à FIA, que, mais uma vez, legitimou o sistema dos laranjinhas.
Em entrevista ao site inglês The Race, Stella admitiu que ficou com medo de que todas as acusações criassem uma espécie de “distração” na equipe, pois haviam se tornado o centro das atenções na Fórmula 1. No entanto, reconheceu que a armadilha se voltou muito bem contra os acusadores, que também investiram tempo e esforços na tentativa de desestabilizá-los.

“Também sentimos que, se nossos adversários estão tão ocupados olhando para isso, são eles, na verdade, que estão se distraindo. É quase algo positivo, porque significa que haverá pessoas importantes gastando tempo conversando com a FIA, preparando dossiês. É bom que estejam focados nisso, em vez de nos fundamentos da F1“, destacou o dirigente italiano.
“Foi bastante reconfortante, perceber que havia um peso sendo carregado por algumas equipes que queriam acreditar que é possível ter sucesso explorando o regulamento além do que é permitido. Provamos que é possível ter sucesso apenas focando em si mesmo e nos fundamentos, do ponto de vista técnico e de desempenho”, sublinhou.
Em meio aos desafios, Andrea disse que isso levou a um esforço consciente para permanecer “racional e baseado em fatos”, e para ser “extremamente colaborativo com a FIA quando estavam fazendo seu trabalho e inspecionando nosso carro”. Contudo, também se mostrou indignado porque as acusações, embora “bastante frívolas”, acabaram afetando a McLaren mesmo que minimamente.
“Mas a realidade é que, ao ouvirmos as alegações, percebemos imediatamente que eram bastante frívolas. Para sermos justos, sempre mantivemos a postura de: ‘não vamos nos distrair completamente com isso’. Ok, vai nos custar uma hora, porque durante uma hora algumas pessoas vão ter de mostrar partes do carro à FIA. Mas isso não é uma distração. Isso não nos tira o foco do que estamos fazendo”, declarou.

“É sempre um pouco lamentável que, atualmente, as equipes possam fazer alegações frívolas ou inconsistentes, que geram trabalho: trabalho para a FIA, trabalho para a equipe que está sendo inspecionada. E isso acaba beneficiando a equipe que fez as alegações, porque agora eu tenho um trabalho a mais só porque há um interesse no meu carro, apenas para sustentar as verificações”, reclamou.
“Não preciso modificar nada, porque não há nada a ser modificado, mas isso é uma distração — ou uma potencial distração”, encerrou Stella.
A Fórmula 1 volta às pistas apenas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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