Aston Martin cumpre tabela à espera de 2026 e arrasta Alonso e Stroll em ano entediante
A Aston Martin é, discutivelmente, a equipe mais sem rumo ou metas concretas na temporada 2025 da Fórmula 1. Porém, o objetivo já estava claro desde o começo do ano: sobreviver a uma campanha sofrível em 2025 para viver dias melhores em 2026 sob a liderança técnica de Adrian Newey
As expectativas já eram baixas entrando na temporada 2025, mas, mesmo assim, a presença protocolar da Aston Martin na Fórmula 1 chama a atenção. Com apenas 52 pontos somados em 14 etapas, a equipe ainda está distante de brigar pela quinta força do grid — cargo que ocupou com certa tranquilidade em 2023 e 2024 — e ainda começou a campanha flertando com a lanterna da tabela. Mas, ao que tudo indica, tudo isso faz parte do plano.
É essa narrativa que o dono Lawrence Stroll, o chefe Andy Cowell, o diretor de pista Mike Krack e companhia tentam vender ao público — e, sobretudo, a Fernando Alonso e Lance Stroll. Mas a impressão que fica é que nem os próprios pilotos embarcaram nessa aventura entediante da Aston Martin em 2025.
Alonso, em particular, começou o ano com o pé esquerdo e com dois abandonos seguidos, que, verdade seja dita, têm uma parcela de culpa do espanhol, em especial na Austrália. Depois disso, ainda foram mais seis corridas sem pontuar até que o primeiro top-10 viesse no GP da Espanha, em junho.
O momento mais frustrante desta sequência foi em Mônaco, quando andava confortavelmente dentro do top-10, mas teve de abandonar após sofrer um problema na parte elétrica do carro. A sequência negativa foi tão dura que Alonso chegou a ficar em paz com o fato de que poderia terminar 2025 sem somar pontos, algo inaceitável para o currículo do bicampeão mundial.

Stroll, por outro lado, começou carregando a equipe nas costas. Enquanto Alonso tropeçava e sofria nas primeiras oito etapas, o canadense somou 14 pontos em três corridas distintas. O ponto alto, porém, veio ainda na primeira rodada, quando se aproveitou do caos e da chuva na Austrália para terminar na sexta colocação.
Porém, ao mesmo tempo que Alonso despontou na Espanha, Stroll despencou. Depois de uma nova lesão nos pulsos durante a classificação em Barcelona, precisou passar por uma cirurgia e, mesmo tendo perdido apenas uma prova, parece que nunca mais se encontrou em pista. A salvação para o canadense veio na melhora repentina do carro da Aston Martin.
No GP da Inglaterra, depois de Alonso não ficar muito convencido das atualizações instaladas no AMR25, a Aston Martin conseguiu somar pontos com o espanhol em nono e Stroll em sétimo. 20 dias depois, no GP da Bélgica, a equipe estava de volta ao fundo do poço, com o 14º lugar do canadense sendo o melhor resultado da esquadra de Silverstone no fim de semana.
Nada explica essa instabilidade, e muito menos o que veio logo em seguida. No GP da Hungria, o último antes do recesso de verão, a Aston Martin colocou Alonso em quinto e Stroll em sétimo. Nem os pilotos conseguiram explicar o mistério por trás do ótimo ritmo apresentado em Budapeste, com Alonso inclusive chamando a situação de “preocupante”.

Portanto, trata-se de um ano sem expectativas, sem propósito, sem consistência e sem sal da Aston Martin. A própria declaração de Alonso — somada também ao desinteresse nítido de Stroll ao longo de todo o ano — corrobora para essa sensação. Mesmo que a melhora vista em duas das últimas três corridas se repita na volta da Fórmula 1 no final de agosto, o cenário ainda é bem diferente em comparação com os anos anteriores, quando, de fato, estava tentando chegar a algum lugar no campeonato.
Até o momento, Alonso e Stroll somam 26 pontos cada e estão em 11º e 12º, respectivamente. À essa altura, em 2024, a dupla se encontrava em uma situação semelhante em termos de posição na tabela. Enquanto o espanhol era o nono colocado no Mundial de Pilotos, o #18 vinha logo atrás, fechando o top-10. Porém, a pontuação era bem diferente.
Sozinho, Alonso já tinha 49 pontos, que é quase a soma da pontuação dos dois pilotos neste ano depois de 14 etapas (52). Stroll, por outro lado, estava no mesmo patamar de hoje, com 24 tentos computados. Ainda assim, a situação entre os Construtores era mais tranquila. Com 73 pontos, a quinta posição já estava consolidada nas mãos da Aston Martin, que fecharia a tímida temporada 2024 como a última força da ‘F1 A’.
Portanto, a mediocridade da Aston Martin se repete em 2025, mas com menos brilho, mais inconsistência e nenhum objetivo ou perspectiva de melhora. Terminar na parte de baixo da tabela nesta temporada não afeta em nada o propósito da existência da equipe, que se prepara para um ‘tudo ou nada’ a partir de 2026.
Com Adrian Newey já trabalhando no carro do ano que vem, a Aston Martin vai se dar ao luxo de não esquentar a cabeça com mais um campeonato apático. Aguardemos, então, o ano que tende a ser o início do fim. Enquanto Alonso deve começar a última dança na Fórmula 1, a família Stroll pode estar dando os respiros finais na categoria.
A Fórmula 1 volta às pistas após o recesso de verão, entre os dias 29 e 31 de agosto, para o GP dos Países Baixos, em Zandvoort.
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