KTM mostra motos de Acosta e Binder e mira avanço em meio à chegada de novos parceiros
Ainda lutando contra uma crise financeira, a KTM abriu a terça-feira (27) com a apresentação das RC16 de Pedro Acosta e Brad Binder para a temporada 2026 da MotoGP. Depois de um ano marcado pelo crescimento do espanhol, os austríacos tentam um novo passo, agora apoiados pela chegada de novos parceiros
Depois de Pramac, VR46, Aprilia, Ducati, Yamaha e Trackhouse, chegou a vez de a KTM exibir as motos de Pedro Acosta e Brad Binder para a temporada 2026 da MotoGP. Ainda lutando contra a crise financeira que coloca a casa de Mattighofen sob pressão, a marca chefiada por Pit Beirer apresentou as RC16 com que vai tentar dar mais um passo à frente e assegurar um futuro mais saudável no Mundial de Motovelocidade.
Em termos de layout, a RC16 não traz muitas mudanças: a pintura segue fosca, com a base azul mesclando detalhes em laranja e branco. A marca da Red Bull segue sendo uma presença forma, mas, como já é tradição, a diferença entre as motos de KTM e Tech3 é mínima, apenas em um patrocinador na parte inferior da moto ― Motorex para a marca austríaca e Motul para a equipe francesa.
Apesar do resgate feito pela indiana Bajaj, a KTM ainda não saiu completamente da crise. Relatos da imprensa europeia apontam, inclusive, para mais demissões devido às vendas abaixo do esperado.
No campo esportivo, porém, a marca laranja segue trabalhando. Neste início de 2026, a KTM já celebrou um triunfo espetacular no Rali Dakar, com Luciano Benavides batendo Ricky Brabec, da Honda, por apenas 2s depois de 49 horas de competição. Na MotoGP, a marca entra no último ano do atual contrato de participação, mas dando seguidos indícios de que planeja seguir na classe rainha.

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Ainda no ano passado, a KTM foi a primeira a revelar ao mundo o ronco do motor de 850cc, que será usado na MotoGP a partir de 2027. Depois, foi também pioneira ao colocar o protótipo do próximo ano na pista, com Pol Espargaró. Na semana passada, os austríacos anunciaram a chegada de um novo parceiro: a Motorex.
No comunicado enviado à imprensa, a KTM fala em “acordo multianual” com a marca suíça do campo de lubrificantes de alta performance, além de produtos de limpeza e manutenção. Às vésperas do lançamento, os austríacos também celebraram um vínculo com a Würth, que passa a fornecer as ferramentas da equipe de fábrica.
Em meio à crise, a KTM tinha deixado claro que precisava de novos parceiros para tirar dos ombros da marca a responsabilidade de financiar a equipe. O anúncio dos dois novos parceiros mostra que, ao menos em parte, este objetivo foi alcançado.
No âmbito puramente esportivo, 2025 teve um antes e um depois. O ano começou mal, com a RC16 parecendo fadada ao fracasso. Recém-contratado, Maverick Viñales superou a performance ruim da fase de testes e encontrou o caminho das pedras, brigando pela vitória no Catar e mostrando que dava para fazer mais com aquela moto.
Ali, o ‘Top Gun’ marcou o ponto de virada da KTM. Ou, nas palavras nada poéticas de Pit Beirer, “salvou o rabo” da KTM. A performance de Maverick foi o estopim para o dirigente cobrar reação de Acosta. O jovem tubarão farejou sangue e respondeu à altura, entregando um inesperado quarto lugar na classificação do Mundial de Pilotos.
O problema é que Pedro nadou sozinho. Viñales teve lesão e perdeu parte do campeonato. Binder esteve irreconhecível ao longo de todo o ano e Enea Bastianini, outro recém-chegado aos boxes da Tech3, também tardou em pegar a mão da moto.
Com o quarteto bastante desequilibrado, a KTM perdeu terreno para a Aprilia e fechou o ano com o terceiro posto na tabela do Mundial de Construtores, 46 pontos atrás da rival de Noale.
Agora, a Aprilia sonha em rivalizar com a Ducati pelo título, mas a KTM ainda alcançar o time de Marco Bezzecchi e Jorge Martín para retomar o posto de vice na MotoGP.
Chefe da divisão esportiva da KTM, Pit Beirer reconheceu que, em 2025, a fábrica austríaca não conseguiu uma moto que funcionasse para todos os pilotos, então este foi o principal objetivo para esta temporada.

“Temos quatro pilotos fantásticos no nosso grupo e cada um deles têm algo muito especial”, destacou Pit Beirer. “Ano passado, senti que realmente não conseguimos fazer um pacote pronto para que todos mostrassem o melhor potencial. Então este foi nosso principal alvo nas últimas semanas: garantir que todos tivessem o que precisavam para performar”, seguiu.
“Acreditamos em nós, temos muitas forças e seguimos juntos enquanto equipe. Isso me deixa muito confiante de que temos as pessoas certas a bordo. E a moto melhorou muito ao longo das últimas semanas e meses. Sinto que estamos prontos para correr”, garantiu. “2026 será um ano agitado: por um lado, todos querem olhar para 2027 e pensar nisso. Mas eu não quero esquecer que 26 está chegando. Quero fazer deste o nosso ano e usar todas as chances que temos. É hora de começar 26”, encerrou.
Chefe da KTM, Aki Ajo fez um balanço positivo de 2025 depois do que definiu como um “começo desafiador” e se mostrou animado com o potencial para este ano.
“O ano passado foi de certa forma especial para nós, depois de um começo desafiador. Tivemos uma evolução constante ao longo da temporada. Sinto que demos um grande passo em geral, tanto na comunicação quanto na simplificação de muitos aspectos”, disse Ajo. “As coisas foram se encaixando e os resultados vieram com o entendimento e a melhoria diária. É preciso focar em pequenos passos diários, porque não é fácil dar grandes passos em pouco tempo”, ponderou.
“Conhecemos o potencial da moto, dos pilotos, das equipes e do grupo. Isso significa que podemos estar animados com o potencial para 2026, mas manteremos a paciência e o foco no trabalho”, completou.
Como complicação pouca é bobagem, a KTM ainda vive sob o risco de perder Acosta. Ano passado, o espanhol já se viu em meio a especulações de uma transferência para a VR46, mas, neste ano, o empresário do #37 fala abertamente sobre buscar uma vaga em equipe de fábrica.
Assim, enquanto trabalha no desenvolvimento da moto do próximo ano e tenta manter uma boa performance em 2026, a KTM precisa tentar manter Acosta ou buscar um substituto a altura. E tudo isso enquanto negocia e busca como financiar um novo acordo de participação.
A fase de apresentações segue nesta terça-feira (27), com a Tech3, que exibe as RC16 de Maverick Viñales e Enea Bastianini. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa.
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