Yamaha inicia era V4 e exibe motos de Quartararo e Rins para MotoGP 2026
A Yamaha abriu os trabalhos desta quarta-feira (21) e exibiu a versão 2026 da YZR-M1 que será utilizada por Fabio Quartararo e Álex Rins na temporada da MotoGP. A nova moto marca o início do projeto com motor V4 para a marca dos três diapasões
Depois de Pramac, VR46, Aprilia e Ducati, chegou a vez de a Yamaha se apresentar para a temporada 2026 da MotoGP. A casa de Iwata abriu os trabalhos desta quarta-feira (21) e exibiu a nova YZR-M1 de Fabio Quartararo e Álex Rins em um evento realizado em Jacarta, na Indonésia.
Em termos de pintura, a nova moto mantém o azul tradicional da Yamaha, mas ganha uma presença maior da cor preta, com detalhes em cinza e branco. O macacão dos pilotos é bastante similar ao do ano passado.
A campanha de 2026 marca um novo começou para a gigante japonesa. Insatisfeita com a performance na MotoGP, a Yamaha decidiu experimentar e criar uma moto com motor V4, abandonando a tradição dos propulsores de quatro cilindros em linha. No fim do ano passado, durante o fim de semana do GP da Comunidade Valenciana, os japoneses confirmaram o esperado: o novo projeto seria adotado de forma permanente na MotoGP.
“O quatro em linha foi um pilar fundamental da identidade da divisão de corridas da Yamaha por décadas, impulsionando pilotos lendários como Valentino Rossi, Jorge Lorenzo e Fabio Quartararo. A combinação única de agilidade e entrega suave de potência levou a um incontável sucesso: incluindo a corrida de hoje em Valência, o quatro em linha competiu em 429 GPs, venceu 125 corridas, subiu em mais de 350 pódio e ajudou a Yamaha a conquistar oito títulos do Mundial de Pilotos, cinco do Mundial de Construtores e cinco vezes a Tríplice Coroa da MotoGP”, lembrou a marca no anuncio feito no ano passado. “Entretanto, conforme a MotoGP evolui, a Yamaha abraça o desafio de se adaptar às novas exigências técnicas, preservando o DNA. A mudança para o V4 representa um marco significativo na busca da Yamaha por performance e inovação. A expectativa é que a nova configuração entregue melhora na aceleração, melhor comportamento na freada e maior adaptabilidade aos pneus mais recentes e aos requisitos aerodinâmicos”, explicou.
A troca do motor, entretanto, não é tão simples quanto parece. Por conta das diferentes proporções dos dois desenhos, não basta substituir uma versão pela outra. Assim, a YZR-M1 ― ainda que carregue o mesmo nome ― é uma moto completamente nova. Com dimensões diferentes da antecessora. E características também.
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Na era do quatro em linha, a M1 era conhecida pela agilidade e qualidade extrema da dianteira. Com o novo projeto, essa ligeireza fica sacrificada, mas as peculiaridades históricas da Yamaha tampouco estão garantidas. É preciso desenvolver a nova moto para tentar não só ganhar novas forças, mas encontrar as qualidades anteriores.
Diretor da Yamaha, Paolo Pavesio falou sobre os objetivos para a primeira metade da temporada e mostrou confiança no potencial de evolução da nova moto.
“Não existe mágica neste esporte. Existe uma jornada para voltar. Estávamos buscando velocidade e performance. Conseguimos em volta lançada no ano passado, mas faltava consistência”, comentou. “Nós acreditamos que temos um pacote que nos permite evoluir. Estamos ansiosos para aprender a máquina e acreditamos que a M1 vai mostrar o potencial dela crescendo ao longo do ano”, acrescentou.
Quando decidiu adotar um novo rumo, a Yamaha sabia que estava indo por um caminho mais longo. Mas o tempo não está necessariamente a favor de Iwata. Peça fundamental da equipe nos últimos anos, Quartararo não tem mais paciência para esperar. A pressão exercida pelo francês é em grande parte responsável por este novo caminho técnico, mas ‘El Diablo’ está no último ano de contrato e já deixou claro que, se a moto não for competitiva, vai procurar outro rumo para 2027.
Perder o #20 seria um grande prejuízo. Afinal, Quartararo carregou sozinho o piano nos últimos meses ― anos, provavelmente. O francês de Nice já mostrou que é capaz de entregar o resultado se tiver uma moto que o ajude no processo. Mas ele precisa que os engenheiros o encontrem no caminho.
A favor da Yamaha está o fato de que ela segue no grupo D de concessões. Ainda que isso seja um sinal de que os resultados não são bons, isso dá a ela a oportunidade de testar mais, de desenvolver o motor e de acelerar a evolução do protótipo.
Nos últimos anos, a marca dos três diapasões mudou a forma de trabalho, estreitando laços com a equipe satélite ― que passou a receber as motos do ano. Assim, Quartararo e Rins terão o apoio de Jack Miller e Toprak Razgatlioglu, titulares da Pramac, no desenvolvimento. O australiano, aliás, será uma peça fundamental, já que é o único com larga experiência com motores V4 na MotoGP. O turco, por outro lado, ainda tem de pegar a mão da MotoGP antes de efetivamente poder contribuir com a evolução da moto.
📷 Confira imagens da YZR-M1 da Yamaha para temporada 2026 da MotoGP

Mas Rins também está devendo performance. O espanhol não conseguiu acompanhar o ritmo de Quartararo ao longo de toda a temporada 2025 e deu apenas alguns poucos sinais de competitividade. O #42 chegou a ser alvo de especulações sobre uma possível substituição, mas vai alinhar no grid para o último ano do atual contrato ainda buscando a forma que exibiu nos tempos de Suzuki e pré-lesão na LCR Honda.
O desafio da Yamaha é grande. A criação de um novo projeto é um sinal claro do comprometimento da marca com a classe rainha do Mundial de Motovelocidade, mas, na MotoGP atual, onde a competitividade é alta, brigar na ponta é esforço hercúleo. Voltar a ser protagonista vai exigir tempo. Resta saber quanto.
“2025 foi o ano para preparar a fundação e 2026 é o ano em que estamos acelerando”, destacou Pavesio. “2026 será a base para 2027. A temporada 2026 é quando queremos começar a ver o resultado do esforço que estamos colocando no projeto. Essa moto é completamente nova e é o resultado do esforço coletivo de muitas pessoas da Yamaha”, seguiu.
A fase de apresentações segue ainda nesta quarta-feira (15), com a Trackhouse, que exibe as motos de Raúl Fernández e Ai Ogura. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa.
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