GUIA 2026: Yamaha se reinventa na MotoGP, mas precisa de tempo para evoluir moto V4
Em busca da competitividade perdida, a Yamaha abandonou a tradição dos motores de quatro cilindros em linha e se alinhou aos rivais com um V4. Agora, corre contra o tempo não só para ganhar performance, mas para agradar Fabio Quartararo
A YAMAHA COMEÇA A TEMPORADA 2026 EM MEIO À UMA GRANDE INCERTEZA. Tentando recuperar performance na MotoGP, a marca japonesa abandonou a tradição dos motores de quatro cilindros em linha e se alinhou aos adversários adotando um motor V4, o que exigiu um redesenho completo da YZR-M1. Depois de um esforço intenso em 2025, a marca dos diapasões conseguiu colocar a nova moto na pista, mas o protótipo está longe de estar plenamente desenvolvido.
Por conta das diferenças de dimensão do motor, a Yamaha não poderia simplesmente trocar o propulsor e manter o restante da moto. Foi preciso fazer tudo novo. Ou seja, agora é necessário desenvolver uma moto completamente diferente para tentar reencontrar as forças já conhecidas da M1 e recuperar terreno onde era necessário.
Só que isso leva tempo. Ao longo de 2025, a marca dos três diapasões tocou projetos simultâneos, desenvolvendo não apenas a moto V4, mas a que estava em uso e também a fase inicial do projeto de 2027, quando a MotoGP vai passar por uma grande mudança de regulamento, com a troca dos motores para unidades de 850cc.
O trabalho intenso permitiu que os japoneses aprontassem a moto a tempo da estreia, mas o desenvolvimento ainda está em curso. A Yamaha precisa de tempo. E isso é algo que ela não exatamente tem.

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Ao contrário de todas as outras rivais, a casa de Iwata está no grupo D de concessões e, por isso, poderá seguir desenvolvendo o motor ao longo de todo o ano, o que deve permitir uma evolução maior na temporada. Parte do problema é que, diante da mudança de regulamento, o mercado de pilotos está se movendo ainda mais rápido do que o habitual e, antes mesmo do início dos testes de pré-temporada, já surgiram rumores de um acerto entre Fabio Quartararo e a Honda.
Principal ativo da Yamaha, ‘El Diablo’ foi quem mais pressionou pelas mudanças organizacionais e técnicas que colocaram a fábrica japonesa no ponto atual. Mas, já há algum tempo, o francês sinaliza que a paciência está no fim.
Fabio negou que já tenha assinado um contrato ― tal qual o fez o empresário dele e o chefe da Honda ―, mas assumiu que conversa com a marca da asa dourada.
A importância de Fabio para o projeto da Yamaha é inegável. Nos últimos anos, foi ele quem carregou a M1 nas costas. Os poucos resultados expressivos conquistados nos últimos anos vieram pelas mãos dele, que sempre esteve um ― ou vários ― passo à frente dos colegas de marca.
Manter Quartararo exigiria colocar na pista, já na pré-temporada, uma M1 forte. Mas não foi isso que aconteceu. Para piorar, o #20 se machucou no primeiro dia em Sepang e perdeu o restante da bateria para se submeter a uma cirurgia na mão.
Como desgraça pouca é bobagem, a Yamaha perdeu todo o segundo dia de testes em Sepang por causa de um problema com o motor. A equipe sinalizou uma questão de segurança e optou por ficar nos boxes até a liberação dos engenheiros no Japão, o que só aconteceu a tempo de um retorno à pista para o terceiro dia.
“Foi um problema que nunca tivemos e, para eles, era realmente importante entender. Felizmente, eles conseguiram e nós pudemos terminar o teste”, disse Massimo Meregalli, chefe da equipe.
Depois, Álex Rins revelou que a Yamaha sofreu duas quebras de motor: uma com Quartararo ― que, de acordo com a Yamaha, não tem relação com a queda que o tirou do teste ― e outra com Toprak Razgatlioglu, que estreia na MotoGP pela satélite Pramac.
“Nos disseram que eles quebraram dois motores, um cada, e que por segurança, queriam limitar o risco. Não fiz simulações de largada também por isso. O que nos pediram foi para ir com calma, não fazer 60 ou 70 voltas”, relatou Rins ao final do terceiro dia em Sepang.
A Yamaha disse não acreditar que os problemas de Sepang serão decisivos na escolha de Quartararo por renovar ou não com a equipe, mas, certamente, não ajudam a convencer o piloto que já deixou claro que não tem mais tempo a perder.
Enquanto pensa no futuro, a Yamaha precisa contar com o tem em mãos. Mesmo que perca Fabio, os japoneses precisam explorar a força do francês para desenvolver a moto o máximo possível. E, mais do que isso, torcer para que o novo protótipo ajude a trazer de volta a forma há muito perdida por Álex Rins. Ter dois pilotos competitivos será um diferencial importante em um momento tão crítico para a M1.
Do lado do time satélite, existe muita empolgação em relação a estreia de Razgatlioglu, mas o tricampeão do Mundial de Superbike ainda tem uma estrada pela frente para se adaptar à MotoGP. Talento, todo mundo sabe que o turco tem, mas a transição é reconhecidamente difícil.
Neste momento, a peça mais importante do quarteto talvez seja Jack Miller. Veterano na MotoGP, o australiano é o mais experiente entre os pilotos Yamaha com motores V4, já competiu com motor Honda, Ducati e KTM na classe rainha. A própria renovação do contrato do australiano levou isso em conta.
Assim, cabe à Yamaha explorar ao máximo o potencial do quarteto, usar todas as benesses previstas em regulamento e tentar construir um projeto que a ajude a chegar forte em 2027. Até aqui, os indícios não apontam para um 2026 brigando tão na ponta, mas pode ser um ano determinante para a sonhada virada da marca dos três diapasões.
A temporada 2026 começa neste fim de semana, com o GP da Tailândia, em Buriram. O GRANDE PRÊMIO faz a cobertura completa da MotoGP, assim como das demais classes do Mundial de Motovelocidade.

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