Penske justifica suspensões após fraude da equipe na Indy: “Um erro, mas sem intenção”
Roger Penske destacou que investigação interna mostrou que fraude não foi planejada e, por isso, suspendeu e não demitiu funcionários
Os dias seguem agitados na Penske, envolvida em grande polêmica dentro da Indy, após ter sido punida por fraudar o sistema de push-to-pass no GP de São Petersburgo, que abriu a temporada de 2024, em 10 de março. Nesta terça-feira (7), a equipe anunciou a suspensão de quatro membros do corpo técnico, incluindo Tim Cindric, presidente e chefe da operação na Indy. Em entrevista à revista norte-americana Racer, Roger Penske explicou que não rescindiu nenhum contrato por não ter sido identificada intenção de trapacear.
O fato é ainda mais controverso quando se destaca que Roger Penske é o dono da equipe e também da Indy. Isso gerou uma série de questionamentos quanto a possíveis conflitos de interesse. A categoria só descobriu a falcatrua do time mais de 40 dias depois da corrida, durante o warm-up do GP de Long Beach, em 21 de abril.
A notícia tardia levantou especulações de que a Penske poderia ter utilizado deste expediente em outras ocasiões — na Flórida, o então vencedor Josef Newgarden e Scott McLaughlin usaram o push-to-pass antes da linha de chegada, o que é proibido por regulamento, causa que desclassificou os dois da prova. Will Power, que não apertou o botão de ultrapassagem na largada e nas relargadas, perdeu dez pontos no campeonato, afinal, o sistema estava disponível em um período em que não deveria estar.
O fundador da equipe explicou os passos que levaram a Penske a suspender seus membros durante o mês de maio, quando a Indy disputa o GP de Indianápolis, marcado para este sábado (11), e as 500 Milhas de Indianápolis, maior evento da categoria, agendado para o próximo dia 26. Dirigida pelo conselho geral da equipe, a investigação interna mostrou que as configurações dos carros foram alteradas há oito meses, após o fim da temporada de 2023, para os testes com os componentes híbridos. Desde então, nunca mais tinham sido mudadas.

A investigação mostrou que tudo isso não passou de um erro processual e sem intenção de trapacear. Por essas razões, Cindric, o diretor-geral Ron Ruzewski, Luke Mason, engenheiro de corrida de Newgarden, e Robbie Atkinson, engenheiro de dados sênior, foram suspensos e não demitidos.
“Fizemos uma investigação minuciosa e ninguém agiu com intenção maldosa. Foi um erro de processo e de comunicação dentro da equipe. Tim Cindric e Ron Ruzewski, por causa de suas funções diretivas dentro do time, não fugiram da responsabilidade. Eles se mobilizaram e fizeram parte do problema”, disse.
“Com isso, tomei a decisão de que a suspensão seria para o mês de maio. Obviamente, essa (500 Milhas de Indianápolis) é a maior corrida que fazemos na categoria todos os anos, portanto, foi uma punição significativa para todos envolvidos”, completou.
Penske foi questionado sobre as razões de Newgarden não ter sido suspenso também. O norte-americano utilizou por mais de 7s o push-to-pass em momentos proibidos por regras. O dirigente ratificou o discurso do atual campeão da Indy 500, que alegou em entrevista coletiva no final de abril que não sabia do regulamento — o que foi rechaçado por parte do grid, como Colton Herta, que classificou a fala como mentirosa.

“As punições dadas pela Indy, que tirou uma corrida dele, juntamente com a multa e os pontos, para nós, é a pena adequada. Entendemos assim, e Josef concordou que era a ação que deveria ser tomada”, apontou Penske.
Na lista de suspensos pela Penske, não tem nenhum membro direto do carro de McLaughlin, que levou a mesma desclassificação de Newgarden por parte da Indy. Apesar de pena similar, Roger Penske destacou que as condições foram diferentes entre o #2 e o #3. Pelos dados aferidos pela Indy, o neozelandês usou o push-to-pass em apenas uma oportunidade e por 1s9.
“Foram vários dias para rever a situação. Na verdade, nosso conselho geral fez uma investigação interna com pessoas que estariam envolvidas nesse processo. Percebemos que o software foi instalado há oito meses. Uma falha no processo e uma falta de comunicação a respeito do que os pilotos entendiam”, revelou Penske.
“Percebemos que era óbvio que Newgarden não entendia quais eram as regras, e foi punido por isso. A situação no carro #3 foi diferente, porque não havia compreensão por parte do engenheiro ou do piloto a respeito da situação, pois o push foi apertado em um único momento e não foi mais usado”, finalizou.
A Indy retorna em menos de duas semanas, no dia 11 de maio, com o GP de Indianápolis, etapa que acontece no circuito misto do Indianápolis Motor Speedway, em Indiana.
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