Blitz da Red Bull a funcionários da Mercedes abre temporada de caça a Verstappen

Batida de carteira da Red Bull para levar quinteto de funcionários da Mercedes garante que briga futura por Max Verstappen será sangrenta

A temporada de caça ao passe de Max Verstappen está oficialmente aberta a partir da última quinta-feira, 6 de maio de 2021. Foi ontem que a Red Bull colocou álcool na fogueira que já estava acesa desde o anúncio da contratação do ex-engenheiro-chefe dos alemães, Ben Hodgkinson, para ser seu diretor-técnico. Ao confirmar uma baciada de batidas de carteira contra a rival, aposta com risco alto e a mira em suas costas.

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Aqui, não se discute questões morais que envolvam contratar empregados das empresas rivais e nem como é feito. Embora a Red Bull não tenha entrado muitos detalhes, sabe-se que ofereceu, segundo Toto Wolff, o diretor-executivo da Mercedes, um futuro encantado. Quem acreditou, acreditou.

Foi com isso que a Red Bull tomou Steve Blewett, que passa a ser diretor de produção da unidade de força. Omid Mostaghimi será o chefe do setor eletrônico do trem de força e do sistema de recuperação de energia; Pip Clode vai atuar como chefe de projeto mecânico do sistema de recuperação de energia, enquanto Steve Brodie vai ser o líder do grupo de operações do motor de combustão interna.

As movimentações da Red Bull são compreensíveis. Ao assumir o fardo de produzir motores próprios a partir do ano que vem, após a saída da Honda do Mundial, a Red Bull tinha a ideia central – comprada da propriedade intelectual dos por enquanto parceiros japoneses -, mas faltava ter gente e instalações para produzir, de fato, os motores. Espaço e recursos tem, assim como capacidade financeira e intelectual, faltavam cérebros pensantes para o desenvolvimento e planejamento. De onde melhor buscar que dos fabricantes do melhor motor do Mundial?

CHRISTIAN HORNER; TOTO WOLFF; GP DO BAHREIN; F1;
A rivalidade entre Red Bull e Mercedes tem ido muito além das pistas (Foto: Getty Images/Red Bull Content Pool)

Então, ao menos em teoria, negócios são negócios. Há um subtítulo nesta gatunagem em massa: a provocação de Helmut Marko. É o que adiciona o insulto ao machucado que a demonstração de poder da Red Bull e torna tudo ainda mais amargo. Foi Marko, braço-direito de Dietrich Mateschitz, o homem que paga os salários na organização dos energéticos, quem se colocou à frente de tudo ao afirmar que nada disso aconteceria se Niki Lauda estivesse vivo.

Além da completa falta de filtro de trazer à baila alguém já morto e muito querido, ainda é uma provocação evidente a Wolff. Para bom entendedor, meia palavra basta: Wolff não é capaz de exercer o controle sobre seus funcionários que Lauda era capaz de fazer. Alfinetada vadia.

E aí vem o paralelo com o futuro do mercado de pilotos. Não é novidade que Lewis Hamilton, aos 36 anos de idade, está nos últimos anos da carreira. Que seja ao fim de 2021 – improvável – ou ao fim de 2023, o que se sabe é que Max Verstappen é o herdeiro do trono maior. Até que se prove o contrário, mesmo com o desfalque de pessoal, a Mercedes é a equipe mais qualificada que a Fórmula 1 já viu. Faz todo sentido pensar que a Mercedes vai buscar Verstappen no futuro caso o panorama siga assim.

A Mercedes tentou contratar Verstappen ainda em 2014, quando Max estava na F3 Euro, mas a Red Bull tinha vagas na F1 a oferecer para o ano seguinte e levou a melhor. Wolff e os Verstappen, Max e Jos, sempre mantiveram boa relação. Mais que isso, Verstappen tem contrato até 2023 com a Red Bull. Se Hamilton decidir ficar por mais dois anos além deste atual, o que parece ao menos uma boa possibilidade, deixaria o cenário aos 39 anos e abriria caminho para Verstappen ser pareado com quem quer que seja o outro piloto até lá, provavelmente George Russell ou Esteban Ocon.

Há ainda um porém. Verstappen tem uma cláusula de desempenho em seu contrato e pode rescindir o acordo com a Red Bull ao fim das temporadas 2021 e 2022 caso a equipe apresente um carro em média 0s3 mais lento que o da rival. Atualmente, parece impensável que seja assim, mas é algo que deixa a Red Bull patinando em gelo fino. Um único deslize pode render a saída de graça do holandês para a maior rival.

Não se enganem com os jogos de cena, negativas e promessas: um dia a Mercedes atacará pesado o passe de Verstappen. Se não for agora ou nos dois próximos anos, será logo depois. Vai acontecer. E a blitz espalhafatosa dos austríacos garante que o futuro de Verstappen será arena de uma briga com direito a carnificina entre Red Bull e Mercedes. A questão é somente quando acontecerá, mas o destino está desenhado.

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