Catalunha devolve normalidade à F1 e tenta recolocar McLaren contra Mercedes

Depois de andar em pistas muito particulares, a Fórmula 1 desembarcou em circuito padrão e um dos mais conhecidos de equipes e pilotos. Barcelona sempre funciona como uma espécie de termômetro da temporada e é onde tudo volta ao normal em termos de ordem de forças. Por isso, não foi exatamente uma surpresa ver a McLaren no topo da tabela, com a Mercedes apenas 0s009 atrás. O interessante aqui é entender se só as duas estão no páreo

A Fórmula 1 reencontrou um pouco de normalidade nesta sexta-feira (12) na Catalunha. Após uma série de pistas singulares nesta primeira fase da temporada, o Mundial agora se depara com um dos traçados mais conhecidos de equipes e pilotos e não só isso. Barcelona também é um circuito em que é possível medir todos os aspectos de um carro, da aerodinâmica à potência do motor. Por isso, não é acaso notar um grid mais perto daquele visto em Miami, por exemplo. E diante disso, a McLaren surgir veloz não é obra do acaso. Tem muito a ver com esse elemento mais convencional do circuito catalão. Ainda assim, é a Mercedes que dita o ritmo e segue como força a ser batida.

Antes de falar dos líderes do campeonato, é importante posicionar a McLaren em um cenário de possível disputa da pole e vitória, especialmente depois da complicada corrida em Mônaco. A esquadra laranja parece tratar a corrida em Barcelona um pouco diferente, recorrendo ao que tentou fazer em Montreal, semanas atrás e onde também parecia muito forte. Desta vez, trabalhou ainda mais em cima da asa dianteira e revisou elementos aerodinâmicos para melhorar o fluxo de ar e ampliar os níveis de downforce, proporcionando mais equilíbrio nas longas curvas do traçado espanhol. O empenho resultou em um MCL40 menos arisco e mais previsível, ao menos em volta única.

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De qualquer maneira, a McLaren retoma o posto de primeira ameaça ao favoritismo da Mercedes. Mais rápido do dia, Lando Norris detalhou um pouco mais do esforço do time papaia em recuperar o terreno perdido desde o Canadá. “Do ponto de vista de simplesmente tentar me sentir confortável, não é uma pista fácil, embora seja provavelmente a pista que conheço melhor do que qualquer outra. Muito rápida e diferente das últimas que visitamos, como Mônaco e Montreal. Estou pilotando o carro em uma situação muito diferente da que tivemos nas últimas semanas, e parece que está funcionando melhor”, contou o atual campeão da F1, que virou 1min15s426 — apenas 0s009 à frente de George Russell.

“Mas acho que foi uma sexta-feira razoável, ainda há bastante coisa para melhorar. Ainda não estou totalmente satisfeito. Está muito quente também, é difícil com o vento e as condições. Parece que tudo está funcionando melhor do que nas últimas semanas, o que é um bom sinal”, reiterou.

De fato, as altas temperaturas aliadas ao abrasivo asfalto de Barcelona também criam um desafio a mais. Esse talvez tenha sido um dos problemas da Mercedes. Embora a esquadra chefiada por Toto Wolff continue muito forte e equilibrada, especialmente com Russell, que liderou o TL1 e ficou em segundo na sessão complementar, há pontos de atenção. Andrea Kimi Antonelli, apenas quinto na tabela, se queixou do superaquecimento dos pneus. “Tem sido um pouco complicado em volta rápida. A janela ideal é muito estreita e os pneus estão superaquecendo bastante. Estamos apenas tentando encontrar o melhor equilíbrio. Claro que, com apenas uma volta em cada jogo de pneus, é sempre difícil, mas acho que, no geral, ainda há bastante trabalho a ser feito”, explicou Antonelli.

“Mas estou bastante confiante para amanhã. O ritmo de corrida foi bom, então isso é positivo. Estou realmente ansioso para amanhã e para as mudanças que vamos fazer”, acrescentou.

George Russell andou à frente de Kimi Antonelli nesta sexta-feira (Foto: Mercedes)

E é exatamente aqui que mora a arma da Mercedes contra as rivais. Porque o ritmo de corrida é o melhor até aqui. A equipe dividiu o programa técnico e conduziu diferentes simulações no TL2. Kimi ficou responsável pela avaliação do desempenho com os pneus macios (C4), enquanto Russell trabalhou em cima dos compostos médios (C3). Mesmo em um ensaio mais curto, o líder do campeonato andou na média de 1min21s4, contra 1min21s8 de Max Verstappen, piloto que mais se aproximou neste quesito. Norris apareceu em terceiro, mas 0s6 atrás.

Agora, a análise da performance dos pneus médios apresentou uma disputa mais perto da realidade da corrida. George foi o mais consistente, andando em 1min21s5, contra 1min21s6 de Charles Leclerc e da Ferrari — excelente marca dos italianos, inclusive. Oscar Piastri foi quem surgiu logo depois, mas com registros na casa de 1min22s3, logo à frente de Lewis Hamilton, que virou quase o mesmo tempo.

Portanto, a Mercedes ainda tem um pacote mais sólido, mesmo diante de uma McLaren melhor acertada. A chance de uma disputa mais aberta vai depender do cuidado com os pneus na preparação da volta rápida e na estratégia de prova. Porque o GP da Catalunha tende a ser uma corrida de pelo menos duas paradas, principalmente por conta do calor e do desgaste dos pneus dianteiro e traseiro do lado esquerdo, devido à abrasividade do asfalto. De acordo com a Pirelli, “os compostos médio e macio, que oferecem maior aderência, desgastam a um ritmo semelhante, embora os primeiros dados indiquem que o pneu amarelo se adapta mais facilmente ao circuito de Barcelona. Entre os dois, a diferença de desempenho gira em torno de cinco a seis décimos de segundo”.

A tendência também é do uso do pneu duro no decorrer da corrida — todas as equipes reservaram dois jogos para a corrida. Precaução aliada a sensação de que a degradação pode se tornar maior do que o esperado.

Charles Leclerc usou freios diferentes e testou uma lista de novidades da Ferrari (Foto: Ferrari)

Ainda que a sexta-feira tenha deixado a sensação de uma potencial disputa unicamente entre McLaren e Mercedes, também não dá para descartar totalmente a Ferrari e a Red Bull. A escuderia italiana levou uma lista de peças novas para Barcelona, incluindo a asa dianteira e o assoalho, além de outros elementos aerodinâmicos, como um sidepod mais refinado, e tenta colocar tudo isso para jogo, enquanto busca uniformizar a questão dos freios com Leclerc. E embora o monegasco não tenha impressionando em volta única, o ritmo de corrida foi mais promissor.

Hamilton, por sua vez, brigou mais com o carro na única sessão que participou. Mesmo no top-10, o heptacampeão se queixou de problemas de equilíbrio na parte traseira da SF-26 e também enfrentou falhas no sistema de aerodinâmica ativa. “A melhor volta única de Hamilton ficou mais de 0s9 atrás de Leclerc, mas o modo reta da asa dianteira não estava funcionando”, confirmou Frédéric Vasseur logo após os treinos. Ainda assim, a Ferrari pode surpreender.

Já a Red Bull vai depender demais da sensibilidade de Verstappen — o neerlandês reclamou muito da falta de aderência do RB22. Fala-se em um novo chassi, porque o cenário taurino, de fato, não parece animador. Max ficou em sexto na tabela, quase 0s9 atrás do líder. O ritmo de corrida ainda é um mistério, uma vez que a simulação foi feita somente com os pneus macios. Será uma longa noite em Milton Keynes.

Fórmula 1 volta neste fim de semana, de 12 a 14 de junho, com o GP da Catalunha, sétima etapa da temporada 2026. O GRANDE PRÊMIO acompanha todas as atividades AO VIVO E EM TEMPO REALalém de classificação e corrida em SEGUNDA TELA no YouTube, em parceria com a Voz do Esporte. O Briefing chega para analisar após o fim de cada dia de atividades nas redes sociais e na GPTV.

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SessãoBRA*CBVPOR
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Classificação11:0013:0015:0016:00
Corrida10:0012:0014:0015:00

*Horário de Brasília

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