F1

Coluna Apex, por Andre Jung: Serviço prestado

Dú Cardim, meu contemporâneo, não aceitou essa história de GP do Brasil sem piloto brasileiro. Desta vez, deixou para assistir no camarote celestial, certamente ao lado do Luisinho Pereira Bueno, com quem deu grandes risadas vendo o Verstappen tirar satisfação com o antigo rival
Warm Up / ANDRE JUNG, de São Paulo
 Coluna Apex #294 (Ilustração: Marta Oliveira)

Foi bom esse GP do Brasil. Mesmo sem muita expectativa, sem muita importância e sem chuva, a corrida foi intensa e bem disputada. O primeiro GP do Brasil sem brasileiros até que não se saiu mal.
 
Do momento crucial da prova, pertenço ao time que considera Esteban Ocon o grande responsável, porém diria que não só, e não estou querendo dividir essa culpa com o então líder, Max Verstappen, que fazia uma prova espetacular. Entendo que o fenômeno de equipes “B”, e de pilotos “B”, acaba por colaborar para que episódios assim possam ocorrer. Explico: Ocon é piloto Mercedes. Fim.
 
No pódio, os dois melhores pilotos do campeonato subiram os degraus mais altos. Se Hamilton correr mais cinco temporadas, como chegou a mencionar, devem construir uma bela rivalidade.
Coluna Apex #294 (Ilustração: Marta Oliveira)
Essa é a penúltima coluna Apex que escrevo, decisão que amadureci durante o ano. Ao topar essa empreitada, 15 temporadas atrás, me agradava a ideia de escrever para os aficionados. Mas se por um lado o texto pode prescindir de explicações e banalidades, por outro o nível de cobrança aumenta muito.
 
Ao deixar a coluna, me despeço de um universo de leitores que sempre procurei tratar com o devido respeito. Alguns desses tornaram-se amigos; alguns deles, dos bons. 
 
O ato de escrever me fez muito menos apaixonado. Para a análise, torcer é distorcer. Quando Rubens Barrichello estava para anunciar que sairia da Ferrari rumo à Honda, com uma grande festa programada com essa finalidade, Nelson Piquet declarou para Lívio Oricchio — pedindo que mencionasse ser ele quem revelara — que Rubens já tinha contrato assinado com a Honda, informação que ele havia recebido de uma fonte da fábrica. O furo acabou por provocar o cancelamento dos eventos previstos.
 
Escrevi uma coluna crítica à atitude do Nelsão, que dizia que “sinceridade mal intencionada não é virtude”, fazendo um paralelo ao estilo “falo mermo” que Nelson, assim como Romário, gosta de adotar.
 
Aqui, abro o parênteses. Acompanhei tudo da carreira do Nelson, vi quase todas as corridas que ele fez em São Paulo e fui seu fã, defensor e entusiasta, até mesmo no Jornal Nacional.
 
Coluna publicada, recebi xingamentos de todas as espécies. Quem era eu? Como se atreve? Não respeita um tricampeão? Seu merda! E por aí vai. Até o Marcus Zamponi protestou através de um e-mail, que respondi respeitosamente. Neste dia me orgulhei em ser jornalista.
 
Dos bons amigos que fiz através da coluna, quando resolvi aposentar o teclado, um em especial me preocupou. Há fãs e fãs de automobilismo, uns que gostam de ler tudo que se passa sobre o assunto, outros que gostam dos aspectos técnicos, outros que não perdem um GP do Brasil. Tem uns, muito poucos, que fazem tudo isso, mas que também zelam, com todas as forças, para que o esporte permaneça, que cuidam do circuito, ficam de olho nas falcatruas e não perdem o brilho nos olhos ao ver um Fusca envenenado “pendurado” no Laranjinha. Desses fãs, só conheci um, um que lia, comentava e, confesso feliz, gostava da Apex: foi em Dú Cardim que pensei primeiro.
 
Pois bem. Dú, meu contemporâneo, não aceitou essa história de GP do Brasil sem piloto brasileiro. Desta vez, deixou para assistir no camarote celestial, certamente ao lado do Luisinho Pereira Bueno, com quem deu grandes risadas vendo o Verstappen tirar satisfação com o antigo rival. Desde o acontecimento, sua ausência ainda se faz muito presente, prova dos quantos esse moço de olhos miúdos cativou.
 
 
Enquanto isso . . .
 
. . . a Mercedes segue sua hegemonia na Era Híbrida da F1 . . .
 
. . . mas deve estar a pensar se trazer Ocon não será atuzinar o ambiente.