Como passagens de bastão a Hamilton vieram por capacetes de Senna e Schumacher

Alguns dos momentos mais importantes e emocionantes da carreira de Lewis Hamilton foram simbolizados por homenagens em forma de capacetes de duas lendas da Fórmula 1

No esporte a motor, o capacete não é simplesmente um elemento fundamental para a segurança de um piloto. Ao mesmo tempo que protege, a peça também é uma parte da identidade de cada competidor. Dizem que os cascos escondem emoções, mas, às vezes, também simbolizam momentos mágicos e inesquecíveis. Alguns dos ritos de passagem mais importantes da laureada carreira de Lewis Hamilton na Fórmula 1 foram traduzidos por capacetes de Ayrton Senna e Michael Schumacher.

Enquanto no futebol, por exemplo, é habitual que os jogadores troquem camisas ao fim de cada partida, como símbolo de admiração e respeito, os pilotos o fazem ao compartilhar capacetes. Muitos têm verdadeiras coleções em suas casas. Não é diferente com Hamilton, que muito antes de igualar o recorde de vitórias de Schumacher, ganhou um capacete do heptacampeão pouco antes da primeira passagem de bastão.

No fim de 2012, Hamilton estava de saída da McLaren e, graças principalmente ao convite de Niki Lauda, aceitou o desafio de encarar algo novo na Fórmula 1. Lewis foi para a Mercedes para substituir justamente Schumacher, que caminhava para sua aposentadoria definitiva. Em Abu Dhabi, palco da penúltima corrida daquela temporada — a última aconteceu em Interlagos —, o então campeão mundial trocou de capacete com aquele que era o maior do esporte nos números.

Hamilton e o capacete do heptacampeão, Michael Schumacher, em Nürburgring (Foto: Mercedes)

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“Um dos momentos muito especiais para mim foi em Abu Dhabi, 2012. Fui até o centro de hospitalidade da Mercedes e me encontrei com Michael. Trocamos capacetes e, aquele, para mim, foi um momento que eu nunca vou me esquecer, de estar com alguém que cresci vendo na TV e tendo a honra de trocar camisetas, ou capacetes, é o que nós, esportistas, fazemos, e é o maior sinal de respeito que acho que você pode demonstrar”, recordou Hamilton durante entrevista coletiva no último domingo (11) em Nürburgring.

“Então, ter a lenda do esporte fazendo isso comigo foi muito especial”, destacou.

Como substituto de Schumacher na Mercedes, Hamilton assumiu a condição de ser um dos pilares principais da equipe de Brackley na Fórmula 1 ao lado de Lauda, Toto Wolff e Nico Rosberg. Depois do início de uma jornada vencedora em 2013, Lewis voltou a ser protagonista na Fórmula 1 no ano seguinte, assim como a própria Mercedes, em razão do início da era híbrida de motores. Tal qual Schumacher no início dos anos 2000 com a Ferrari, Hamilton passou a empilhar vitórias, títulos e recordes.

Neste período de domínio, outro fato marcante na carreira de Lewis aconteceu em junho de 2017. Dez anos depois das primeiras pole e vitória na Fórmula 1, Hamilton alcançou um feito histórico para sua trajetória no Circuito Gilles Villeneuve, palco do tradicional GP do Canadá. Naquela tarde, o britânico chegou à pole 65 da carreira. O número o fez igualar a marca do seu maior ídolo nas pistas, Ayrton Senna. Ali, iniciava a segunda passagem de bastão.

Pouco depois da conquista daquela pole em Montreal, Hamilton recebeu um presente inesperado: um capacete do ídolo, Senna, usado na temporada de 1987 e que foi entregue por meio da família do tricampeão mundial. Lewis não escondeu a emoção.

Ao igualar recorde de poles de Senna, Hamilton se emocionou ao ganhar o capacete do ídolo (Foto: Mercedes)

“Estou tremendo… Sem palavras”, tentou dizer Hamilton, ainda na pista, ao receber o presente da família e do Instituto Ayrton Senna. “Ele me inspirou a ser quem eu sou hoje. Ayrton foi o meu piloto favorito. Igualar o recorde dele é uma grande honra”, vibrou.

Aquele não era ainda o recorde absoluto de poles, o que foi sacramentado meses depois, quando Hamilton alcançou, no GP da Itália daquele mesmo 2017, a posição de honra pela 69ª vez na carreira, superando as 68 poles de Schumacher. Hoje, três anos depois, o quase heptacampeão está a caminho da marca centenária.

A terceira passagem de bastão: Mick Schumacher entrega a Hamilton o capacete do pai

No auge da carreira e da vida, Hamilton conquistou a vitória que o fez igualar o recorde de vitórias. Os 91 triunfos registrados por Schumacher pareciam, no fim das contas, um nível inatingível, mas Lewis tratou de novamente reescrever a história. Depois da conquista na gelada Nürburgring, no domingo, veio a terceira passagem de bastão.

O lendário capacete vermelho que marcou os anos de glória de Michael Schumacher foi entregue pelas mãos do filho, Mick, líder da temporada da Fórmula 2 e a caminho da principal categoria do esporte a motor. Hamilton se mostrou enormemente grato pela homenagem singela.

“Sei que seu filho é um grande talento e um ser humano verdadeiro. Michael criou este grande homem, e estou ansioso para ver como sua carreira vai progredir”, disse em seguida. “Agora tenho dois capacetes especiais de Michael na minha pequena sala de estar”, completou aquele que caminha para ser o maior de todos também nos números na Fórmula 1.

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